<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520</id><updated>2011-11-20T04:40:32.020-08:00</updated><title type='text'>Contos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>46</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-1597386366035640533</id><published>2008-02-21T10:36:00.000-08:00</published><updated>2008-02-21T10:48:39.227-08:00</updated><title type='text'>A ilha</title><content type='html'>Quando abri os olhos, estava em um quarto de hotel, deitada na cama e coberta apenas por um lençol branco de linho. A decoração do cômodo remetia a um ambiente de praia e verão e os adultos agitavam-se para descer até o restaurante, onde era servido o café da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava bem jovem, uma adolescente. Não havia casado, nem tido sequer o primeiro namorado. Era uma fase de viajar com os pais ainda e passar a viagem toda sonhando em conhecer uma turma de praia que me traria, como brinde, o meu primeiro amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela ilha, finalmente aconteceu: encontrei um gaúcho, o Fabiano. O estranho era que ele se parecia muito com um gaúcho metido que estudara comigo na sexta série do ginásio, só que sem a arrogância do meu ex-colega de sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cenas passaram-se como nos sonhos: eu e Fabiano corríamos na praia, jogávamos um ao outro no mar, beijávamos sob o pôr do sol. Escapávamos da severidade dos meus pais para aproveitar a madrugada com a turma até o dia amanhecer. As horas eram coloridas com as cores de um romance feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A volta à realidade era conduzida pelos sentimentos de insegurança. Será que ele namoraria comigo fora da ilha? Será que eu deveria me apaixonar? Meus casos duravam apenas uma semana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegou o dia de Fabiano ir embora. Ir embora da ilha. Atrás do carro carregado de bagagens, ele prometeu me esperar. E me beijou ardentemente, acendendo a chama da esperança em meu peito. Os dias posteriores não tiveram baladas com os novos amigos, nem jogos de sedução entre a adolescente tímida e o rapaz mais charmoso da turma. A viagem voltava à mesma rotina entre o tédio dos passeios com os pais e o sonho de viver um verão como o dos filmes e programas adolescentes da televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acusava meus pais por isso. Eles haviam me feito tímida e isolada. Com seus horários e regras, jamais me deixariam formar uma turma na praia. Com seus programas adultos, como eu conheceria alguém da minha idade? Enquanto eu tomava o meu suco de laranja e esperava eles beberem a vigésima saideira da madrugada, observava o público de cabelos grisalhos do restaurante e do bar. O que me restava era sonhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvidava da espera de Fabiano. Duvidava da existência de Fabiano. E já não sabia se era sonho ou realidade, mas a minha ilha de verão começou a afundar. Ia desaparecer do mapa. O que a atingia? Fogo? Bomba atômica? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íamos morrer se continuássemos na ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabiano existia. Ligou em meu celular e avisou que o noticiário da TV anunciava a tragédia. No entanto, havia uma esperança: uma última balsa, em um porto antigo da ilha. O dono do bar confirmou. Saí com meus pais correndo desesperadamente em direção à balsa, pouco antes das paredes do bar deitarem ao chão como folhas de papel sob a força do vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa salvação era uma grande tábua de madeira pintada de azul, empurrada pelas águas por um tipo de transporte bastante precário. Cabia quase a população toda, entretanto. Pulei e caí deitada sobre a tábua, e estendi o braço direito para ajudar meus pais a embarcarem nessa fuga. Mas os dois permaneceram estáticos. Meu pai dava o braço à esposa e olhava a balsa com um olhar conformado. Minha mãe aceitava o braço do marido e - pude ver apesar da escuridão - deixava uma lágrima escorrer em seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles decidiram ficar na ilha! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma onda de desespero invadiu meu peito e explodiu em gritos. Eu precisava vencer a atitude derrotista tão característica daqueles dois. Minha mãe chorava copiosamente e logo vi seu braço direito deixando o de meu pai, enquanto o esquerdo se estendia à minha ajuda. Meu pai aceitava a morte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Era como se ele seguisse as ordens do destino, mesmo sem nunca ter acreditado em destino. Como se fosse impossível ele conseguir subir naquela tábua de madeira. Como se para salvar nossas vidas, ele precisasse abrir mão da vida dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alcancei seu braço. Puxava, chorava, implorava. Ele desviava - o braço, o corpo, o olhar. Do mesmo jeito sério e cheio de raiva com que desviava de mim sempre que implorava para ele não sair de casa, depois de alguma briga séria com a minha mãe.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois das brigas, ele sempre ia embora. Voltava horas depois sem dizer uma palavra, a ninguém. As vezes parecia que, no fim, ele ficava com mais raiva de mim do que da minha mãe. Seu jeito duro e intransigente me machucava. Eu odiava os dois. Ela por começar a briga, ele por levar a briga ao limite, à exaustão. Eu só queria paz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que ele tinha que ser daquele jeito? Por que não me olhava enquanto eu implorava e o puxava para a salvação? Minha força foi tanta, que consegui joga-lo para a balsa. Ele ficou ali, deitado, estático, como se não soubesse como reagir à minha violência. Continuava sem me olhar, com a expressão séria e transtornada. Eu o abraçava e chorava, como nunca havia chorado na vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrimas de desabafo. Desabafando o ódio, os ressentimentos, a angústia, a dor. Com um nó sufocante na garganta, eu senti que precisava dizer aquela frase. Aquela frase que não era dita há muitos anos. Aquela que deveria fazê-lo aceitar a minha súplica de lutar pela vida. De forma tímida e engasgada, eu finalmente disse em seu ouvido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te amo...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti o impacto dessa frase no peito e saí do estágio mais profundo do sono. Não abri os olhos de imediato. Percebi a sensação de estar no meu quarto, do lado do meu marido, com uma bagagem de vida muito maior do que aquela da fase da adolescência. E a certeza de que algumas ilusões permanecem guardadas apenas para o meu mundo dos sonhos, porque é real a suposição de que nunca mais conseguirei dizer eu te amo para meu pai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-1597386366035640533?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/1597386366035640533/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=1597386366035640533&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/1597386366035640533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/1597386366035640533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2008/02/ilha.html' title='A ilha'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-3151541947704977575</id><published>2008-02-01T11:20:00.000-08:00</published><updated>2008-02-01T11:21:48.126-08:00</updated><title type='text'>Carnaval</title><content type='html'>Samba-enredo da Mocidade Alegre, porque foi o que mais gostei esse ano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É festa amor... Sorria!&lt;br /&gt;A Mocidade é pura emoção&lt;br /&gt;E vem cantando radiante de alegria&lt;br /&gt;São Paulo é tudo de bom!!!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja bem-vindo amor&lt;br /&gt;A Sampa, linda Terra da Garoa&lt;br /&gt;Terra futurista que o poeta vislumbrou&lt;br /&gt;Com sua ousadia e inovação&lt;br /&gt;Gigante que acolhe e transforma&lt;br /&gt;Seu filho em um vencedor&lt;br /&gt;Cidade que não pára&lt;br /&gt;Na bravura traz seu valor&lt;br /&gt;Palco da arte e cultura&lt;br /&gt;Cenário do meu carnaval&lt;br /&gt;São Paulo multicultural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O dia vai, a noite vem, eu vou&lt;br /&gt;Sair, viver a boemia&lt;br /&gt;Curtir em Sampa várias atrações&lt;br /&gt;Me divertir até o raiar do dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sampa e seu cardápio mundial&lt;br /&gt;Tem sabor especial... Vem ver&lt;br /&gt;E na terra da gastronomia&lt;br /&gt;Têm encanto e magia... Prazer&lt;br /&gt;Lindo é sentir a liberdade&lt;br /&gt;E ficar bem a vontade... Viver feliz&lt;br /&gt;Diversidade, amigo, é natural&lt;br /&gt;Preconceitos, afinal, não existem por aqui&lt;br /&gt;É tempo de harmonia, respeito ao valor&lt;br /&gt;Das tribos nessa festa multicor!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-3151541947704977575?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/3151541947704977575/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=3151541947704977575&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/3151541947704977575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/3151541947704977575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2008/02/carnaval.html' title='Carnaval'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-3707622371689558751</id><published>2008-01-22T03:11:00.000-08:00</published><updated>2008-01-22T03:22:29.507-08:00</updated><title type='text'>Momento Enxaqueca</title><content type='html'>Náusea, azia, fome avassaladora, cansaço, prisão de ventre, coceira, dor nas costas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais incomoda mesmo são as pessoas em volta, que acham que você tem que passar os nove meses da gravidez com barrigão de nove meses! Hellowwwww!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: Esse texto bem humorado fica em homenagem aos meus vizinhos paraguaios, que me acordaram hoje às seis horas da manhã, porque sempre acham que o corredor do andar é extensão da casa deles! Hellowwwwww!!! (risos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-3707622371689558751?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/3707622371689558751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=3707622371689558751&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/3707622371689558751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/3707622371689558751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2008/01/momento-enxaqueca.html' title='Momento Enxaqueca'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-2778721311751466390</id><published>2007-08-20T10:52:00.000-07:00</published><updated>2007-08-20T10:59:04.735-07:00</updated><title type='text'>GRAMADO (RS) – 6º dia</title><content type='html'>Como o nosso vôo de volta para São Paulo estava marcado para as 23h10, estendemos ao máximo nossa permanência em Gramado. Saímos do Hostel bem próximo do horário de check-out, que costuma ser ao meio-dia. O tempo havia mudado novamente (no dia anterior estava bem quente), com direito a garoa e queda de temperatura, e unindo a isso o peso da nossa bagagem, optamos por ir de ônibus até a Rodoviária, para comprarmos as passagens para Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pegaríamos a estrada às 16h15, então aproveitamos para comprar os últimos souvenirs para as famílias e uma mala extra para o que estávamos carregando em sacolas. Procuramos um lugar para comer que aceitasse cartão, pois não queríamos passar em caixa eletrônico, mas na segunda tentativa sem sucesso acabamos nos entregando ao vício e fomos novamente ao O Pasteleiro (lá aceitam). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choveu um pouco mais forte durante o almoço e comemos sem pressa. Ainda deu tempo da chuva parar, caminharmos lentamente até a Rodoviária e aguardarmos com tranqüilidade o ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais descansada do que no dia da chegada, pude ficar acordada durante o trajeto até Porto Alegre e observei melhor o caminho. Impressionou-me o número de casas de beira de estrada muito bem cuidadas e sem portões e grades. Uma paz que eu gostaria de ter na minha cidade! Só ao chegar na grande Porto Alegre que a paisagem mudou e as favelas tomaram conta novamente. Já estávamos voltando ao clima de cidade grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como em toda cidade grande, a sexta-feira estava bastante tumultuada em Porto Alegre. Lá o ar estava bem abafado. Ainda não era o sufoco da capital paulista, mas era uma multidão que lotava o trem na Estação Rodoviária. O Aeroporto também estava bastante movimentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparando o aeroporto de Salvador com o da capital gaúcha, reparamos que realmente a Bahia investe mais no turista, pois lá a quantidade de lojas com mimos da região é significativa. Em Porto Alegre, predominam lojas de marca, como se fosse um shopping center, e até cinema tem, dentro do aeroporto. Como turista, preferi o de Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso vôo atrasou apenas 40 minutos, com direito a pedido de desculpas do piloto. Ele ainda foi gentil ao avisar as condições do tempo em Guarulhos e fizemos uma viagem bastante tranqüila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final, chegamos a conclusão de que cinco dias em Gramado foi pouco para nós, porém temos certeza de que voltaremos mais vezes!    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos: www.fotolog.com/alexandrab - “Pórtico de entrada (via Taquara)” (postada em 20/08).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-2778721311751466390?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/2778721311751466390/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=2778721311751466390&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/2778721311751466390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/2778721311751466390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/08/gramado-rs-6-dia.html' title='GRAMADO (RS) – 6º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-6158499936958730792</id><published>2007-08-15T07:46:00.000-07:00</published><updated>2007-08-15T07:59:53.270-07:00</updated><title type='text'>ARE YOU READY TO ROCK?</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Observação:&lt;/strong&gt; Vou fazer uma pausa nos resumos da viagem à Gramado para comentar sobre o show do Scorpions ontem, dia 14 de agosto de 2007, no Credicard Hall, em São Paulo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que vem ao Brasil uma banda de rock formada nas décadas de 1960, 70, a primeira coisa que ouço é: “será que os velhinhos dão conta?”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velhinhos? Pois o que vi no palco ontem foi um pique muito maior do que o de muitos jovens por aí! O mesmo pique impressionante que presenciei no show da banda no dia 12 de outubro de 2005, durante o Live 'N' Louder Rock Festival, no estádio do Canindé, também em São Paulo. Naquele ano eles estavam na turnê do CD &lt;strong&gt;Unbreakable&lt;/strong&gt; (2004); esse ano foi a vez do &lt;strong&gt;Humanity Hour I&lt;/strong&gt; (2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro comentário óbvio que costumam fazer ao ouvir o nome “Scorpions”: “qual música eles tocam? Ah, tem aquela &lt;em&gt;Still loving you&lt;/em&gt;, né?”, como se essa fosse a única música da banda! Santa ignorância!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que eles tocaram &lt;em&gt;Still loving you&lt;/em&gt; ontem à noite. Mas Scorpions é muito mais do que isso! E bem longe de ser uma banda de baladinhas apenas. Mais ou menos 90% do show em São Paulo foi de puro hard rock, levando os fãs que lotaram a casa (os ingressos de cadeira e camarote acabaram nas primeiras semanas de venda e, nas últimas semanas, só os ingressos de inteira para pista ainda eram vendidos) ao delírio. Aliás, foi um dos melhores públicos de show que vi atualmente. Tranqüilidade e educação predominaram na platéia e uma emoção coletiva muito alto-astral!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por acaso que o Scorpions atravessa décadas e continua vivo com uma legião de fãs de todas as idades! Klaus Meine, Matthias Jabs, Rudolph Schenker, James Kottak, Pawel Maciwoda garantem a qualidade do som do início ao fim da apresentação (que durou quase duas horas) e são extremamente carismáticos, com suas performances e contato com o público. Klaus abriu a noite com um perfeito “Boa noite, São Paulo” e depois com um não tão perfeito “Tudo bem?”, que saiu meio “tchudo bém?”, para diversão dos brasileiros. Durante a apresentação, até “galera” ele tentou dizer, mas o sotaque alemão não permitiu uma grande pronuncia e divertiu novamente o público. Em inglês, cantou ainda uma letra improvisada com o ritmo de “Aquarela do Brasil” e elogiou diversas vezes a beleza do ambiente da casa e do público. E por mais que os céticos achem sempre que as bandas falam isso para todos, havia uma sinceridade e espontaneidade no olhar de Klaus ao fazer esses comentários que não encontrei em nenhum outro artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O baixista Pawel Maciwoda também teve seu momento antes do já famoso solo de bateria de James Kottak. Seu pequeno solo de baixo teve direito a &lt;em&gt;Enter Sandman&lt;/em&gt; do Metallica e foi muito aplaudido. Kottak, como sempre, levou a público às divertidas brincadeiras e aos berros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Originalmente marcado para as 21h30, o show começou um pouquinho depois das 22h, porém o atraso era completamente justificável pelo trânsito que estava do lado de fora. Os canteiros da Marginal já estavam lotados às 21h e a fila de carros que ainda tentava estacionar no Credicard Hall foi devidamente encaminhada para outro estacionamento na rua de trás, que também já estava quase lotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O repertório intercalou músicas do novo CD, &lt;strong&gt;Humanity Hour I&lt;/strong&gt;, do antecessor &lt;strong&gt;Unbreakable&lt;/strong&gt; e as mais antigas. O bis teve quatro músicas, incluindo aí a famosa &lt;em&gt;Still loving you&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;Wind of Change&lt;/em&gt; (sempre emocionante), &lt;em&gt;Rock You Like A Hurricane&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;When The Smoke is Goin’ Down&lt;/em&gt;. Os destaques no set foram as músicas novas, que funcionam muito bem, principalmente &lt;em&gt;3 2 1&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;The game of life&lt;/em&gt;. Além também das clássicas, como &lt;em&gt;Holiday&lt;/em&gt; (minha preferida), &lt;em&gt;The Zoo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Tease Me, Please Me&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Blackout&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Big City Nights&lt;/em&gt;, com guitarras ainda mais pesadas do que em qualquer outra gravação ou apresentação. A produção de palco não era exuberante (e precisava ser?). Ao fundo, apenas a capa do último álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, uma noite maravilhosa de rock e satisfação! Esperamos que, novamente, o Scorpions não demore a retornar ao Brasil!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-6158499936958730792?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/6158499936958730792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=6158499936958730792&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/6158499936958730792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/6158499936958730792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/08/are-you-ready-to-rock.html' title='ARE YOU READY TO ROCK?'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-3376153932950140010</id><published>2007-08-13T12:51:00.000-07:00</published><updated>2007-08-13T13:11:32.789-07:00</updated><title type='text'>GRAMADO (RS) – 5º dia</title><content type='html'>Por sorte, a quinta-feira do dia 5 de julho amanheceu com sol e temperatura amena. No ponto próximo ao Gramado Hostel, pegamos um ônibus circular "Saiqui" para Canela e, em poucos minutos, descemos próximo a estrada do Caracol. Resolvemos não ir ao museu Mundo à Vapor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; R$ 1,55 a passagem do ônibus. Canela é realmente muito perto de Gramado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes da viagem, eu havia pesquisado na Internet sobre a possibilidade de passear pelos parques de Canela sem depender de excursões de agências ou de carro alugado. Pelos relatos que encontrei, pareceu fácil caminhar pela estrada do Caracol a pé até o Parque do Caracol, passando ainda pelo Parque do Pinheiro Grosso e pelo Castelinho Caracol. Dependendo do pique, iríamos até o Parque da Ferradura depois, mais para o fim da estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros minutos, vimos algumas casas e até pousadas no caminho. Mais à frente, a mata foi tomando conta da paisagem ao redor da estrada asfaltada e não encontramos nenhuma placa para o tal Parque no Pinheiro Grosso. A primeira sinalização que encontramos dizia: Parque do Caracol, 6km. Ok, eu não previ isso (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Para nós, virou lenda. Mas, dizem que existe uma araucária com 48 metros de altura, 2,75 metros de diâmetro e cerca de 700 anos, que deu o nome ao Parque do Pinheiro Grosso, no km 2 da RS-466 (a estrada do Caracol).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não conhecemos uma estrada, temos receio do que vamos encontrar. Poucos carros passavam por ali. Outra placa de sinalização aumentou a incerteza: “Atenção, animais silvestres”. Graças a Deus, não vimos nenhum o caminho todo (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, encontramos outros trechos habitados, incluindo aí uma madeireira, uma grande churrascaria e até uma escola. Cerca de dois quilômetros antes de avistar o Parque, chegamos ao Castelinho Caracol, no qual servem um dos apfelstrudel mais famosos da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Ingresso para visitar o Castelinho, R$ 4,00 por pessoa. Apfelstrudel com uma pequena bola de sorvete, R$ 15,00 – caro, pelo tamanho, mas gostoso. Visite o www.castelinhocaracol.com.br.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Castelinho foi construído com madeira de araucária e um sistema de encaixes e parafusos, sem uso de pregos, no início do século XX. Muitos objetos e móveis foram conservados, inclusive o fogão, o mesmo que até hoje é usado para fazer o apfelstrudel. Passear pelos ambientes do Castelinho é uma deliciosa viagem ao passado. E para quem gosta de casas como eu, é inevitável a vontade de ter uma igual aquela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renovados, continuamos a caminhada até o Parque do Caracol. Ali já encontramos um atendimento bem menos simpático – não sei se pelo fato de chegarmos a pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Ingresso do parque, R$ 8,00 por pessoa. Só para sorrir...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal atração é a Cascata do Caracol e ela é realmente hipnotizante! A queda tem 131 metros e percorre rochas de formação basáltica. Há um pequeno mirante gratuito para a observar de cima. O mirante que proporciona uma vista de 360º do parque custa R$ 5,00 por pessoa. Claro que não pagamos, ainda mais para subir até ele de elevador! Medo! (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mirante de 360º não foi a única surpresa paga do parque. O trenzinho que dá acesso à aldeia Apache, montada próxima à escada para a base da cascata, também cobra ingressos de R$ 5,00 por pessoa. Além disso, há um restaurante e uma feira de artesanato para quem quiser gastar mais. Portanto cobrar R$ 8,00 por pessoa só para o parque manter a escada não é nada razoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma compra é fundamental antes de descer a famosa escada de 927 degraus até a base da cascata: uma garrafinha de água. Tenho certeza que é o que mais vende no quiosque de sorvetes no parque! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, com o desgaste provocado pelo tempo e pela água da própria cascata, a parte final da escada, já na base, estava quebrada e devidamente interditada. Portanto, só descemos uns 780 degraus. O suficiente para sentir os respingos da queda d’água e observa-la muito de perto. Ficamos uns bons quarenta minutos ali embaixo, apenas meditando sobre a força e a beleza da natureza. Meus pensamentos participavam daquela corrida vertical rumo às pedras. Era uma corrida de deuses para um delicioso mergulho no rio, que iniciava então uma corrida aquática, horizontal, mato adentro...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A subida pela escada, que aterroriza tantos sedentários, é bastante tranqüila. Há muitos pontos de descanso, com bancos de madeira para sentar, pelo percurso. Eu e meu marido usufruímos de quase todos, para chegarmos com a respiração normalizada no topo. Por isso é que informamos: dá para descer e subir tranqüilamente. E é essencial ver a cascata de perto, em sua base!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da maratona, resolvemos perguntar aos funcionários da portaria se havia algum ônibus dali até o centro de Canela. Eles nos informaram que os ônibus só passam pela estrada do Caracol em três horários: 8h, 12h e 18h. Eram cerca de 15h. Um dos funcionários resolveu ser um pouco mais prestativo e foi verificar se um dos funcionários da administração realmente iria para o centro naquele momento. Ele nunca mais voltou com a informação, (risos)! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desistimos da boa vontade deles e seguimos a pé o caminho de volta. Na altura do Castelinho, meu marido foi vencido principalmente pela fome e resolveu pedir carona. Um senhor, morador da região do caracol, fez o favor de nos levar até uma rua próxima à Catedral de Pedra, nosso próximo ponto turístico. Ele ia para aqueles lados mesmo e nos contou como resolveu morar em Canela – funcionário aposentado da Caixa, ele visitou a cidade apenas uma vez e resolveu ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canela é bem mais movimentada e sua arquitetura é menos padronizada. Enfim, é pouco charmosa perto de Gramado. Esta última é de uma simplicidade e educação que garantem um ambiente refinado e mais encantador do que o de Canela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de visitarmos o interior da Catedral de Pedra, achamos um único lugar para comer aberto, o Empório Canela. Um espaço bem aconchegante para uma refeição e ligado a uma boa e curiosa livraria. Há algumas peças antigas presentes na decoração da mesma, até no banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Sanduíche Colonial, de salame e queijo, R$ 5,00 – muito gostoso, porém não muito farto. Sanduíche Miga Mixto, de presunto, queijo e tomate, R$ 8,00 – bom também, contudo o tamanho engana, pois o pão de forma é leve. Panini, R$ 2,50 – tão pequeno que não vale nem R$ 1,00.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Catedral Nossa Senhora de Lourdes, conhecida como Catedral de Pedra, é realmente linda, majestosa e muito bem conservada.  Foi nosso último ponto turístico, pois não dava mais tempo (e pique) para ir até o Alpen Park. Caminhamos até a Rodoviária de Canela e pegamos o ônibus circular para Gramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lanche da noite foi no Croasonho. Feitos por um simpático e atencioso senhor, os croissants eram realmente bons, mas pequenos. De lá ainda caminhamos pelo centro e compramos garrafas de suco de uva Ghesla, um dos mais fortes da região. Para nosso paladar menos acostumado, é necessário acrescentar um pouco de água para toma-lo. No Hostel, descobrimos que precisávamos de uma mochila a mais para trazer tudo de volta a São Paulo!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aguardem o relato do 6º dia – hora de ir embora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos: www.fotolog.com/alexandrab - 1ª foto “Castelinho Caracol” (postada em 08/08), 2ª foto “Castelinho Caracol - fogão” (postada em 09/08), 3ª foto “Cascata do Caracol” (postada em 10/08), 4ª foto “Escada para a base” (postada em 13/08), 5ª foto “Catedral de Pedra” (será postada em 14/08).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-3376153932950140010?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/3376153932950140010/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=3376153932950140010&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/3376153932950140010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/3376153932950140010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/08/gramado-rs-5-dia.html' title='GRAMADO (RS) – 5º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-2426993873249500373</id><published>2007-08-07T07:26:00.000-07:00</published><updated>2007-08-07T07:34:00.038-07:00</updated><title type='text'>GRAMADO (RS) – 4º dia</title><content type='html'>Na quarta-feira, resolvemos ficar em Gramado mesmo e deixar o passeio em Canela para o dia seguinte. Por ser de graça, passamos no Museu do Perfume primeiro. Ele pertence à Fragram (Fragrâncias de Gramado) e é bem pequeno, com alguns poucos equipamentos antigos relacionados a fabricação de perfumes. Primeiramente, é passado um vídeo com uma explicação bem curiosa sobre a extração de essências e, depois, pudemos observar de perto os objetos expostos. No fim, a vendedora da loja nos apresentou alguns perfumes femininos, masculinos e unissex.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; www.fragram.com.br.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do Museu do Perfume, caminhamos até o centro e fizemos um lanche na Crepe &amp; Cia. O crepe suíço servido por eles tem o triplo do tamanho do vendido nas barracas paulistas e vem bem recheado. Um pouco mais tarde, voltamos para a Av. das Hortências para visitarmos o parque Mundo Encantado, da família Foss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; O ingresso para esse parque custa R$ 10,00 por pessoa e não aceitam cartões. Mais informações e fotos no www.mundoencantadoparque.com.br.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No local, pudemos observar três ambientes que retratam um pouco dos costumes dos italianos e alemães pioneiros na colonização de Gramado, e um com toda a trajetória de Jesus Cristo na terra – esse foi o primeiro cenário criado por Moacir Foss, na década de 1970. Em todos, as miniaturas e cenários formam lindo conjunto. Para crianças que gostam de coisas mais movimentadas, as personagens em movimento lavando roupas, serrando madeira, colhendo uvas, entre outras atividades, são bem interessantes! Mas pela riqueza de detalhes e perfeição das peças, o Mini Mundo ainda é mais encantador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando o tour pelos museus de Gramado, chegamos ao Museu Medieval. Pequeno, expondo algumas armas e elmos, o foco principal do local é a exposição e produção de objetos com brasões de família. O castelo medieval Saint Georg, construído para ser transformado em museu de brasões e cutelaria, era um sonho antigo do heraldista Gilberto Guzenski. Atendidos pela esposa de Gilberto, achamos o brasão do meu sobrenome espanhol, mas infelizmente não achamos o do sobrenome português do meu marido, que ela ficou de pesquisar melhor depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; É possível saber mais sobre a arte heráldica e a produção dos objetos com brasões de família no site www.museumedieval.com.br. O ingresso para o Museu Medieval custa R$ 5,00 por pessoa. Não é permitido fotografar dentro do castelo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, passamos no Museu, Fábrica e Loja da Prawer. Na verdade, não dá para chamar de "museu" aquela exposição de 3 ou 4 máquinas antigas de fabricação de chocolate. Além do “Museu”, a visitação à Fábrica também é gratuita, pois o dinheiro mesmo se gasta na compra de chocolates na Loja depois. É uma fábrica simples, de pequena produção, e a visita não inclui degustação. Para quem já visitou fábricas de chocolate maiores, este é um passeio bem sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Legal mesmo é visitar a fábrica da Garoto em Vila Velha, no Espírito Santo. Fui há uns três anos atrás, custou R$ 5,00 para entrar na época, mas comemos quantos chocolates agüentamos durante a visita, além de vermos uma incrível produção em larga escala. É um passeio imperdível para quem visitar essa cidade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O final de tarde com café e suco de uva foi no Bistrot Brillat, na Rua Coberta. Um cardápio com preços salgados, porém compatíveis com a sofisticação do lugar. É uma delícia curtir o fim de tarde ali e ainda podendo folhear algum livro, já que a livraria fica ao lado e deixa alguns exemplares disponíveis em uma pequena bancada em frente à vitrine, para a curiosidade dos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Totalmente adeptos aos lanches, meu marido e eu resolvemos voltar ao O Pasteleiro à noite. Mais uma vez a cidade estava tranqüila, sem muitas pessoas transitando pelas ruas. Segundo a dona do Museu Medieval, os moradores de Gramado estão acostumados a se recolherem entre 18h e 19h em suas casas e quem passa as noites nas ruas da cidade, geralmente, são os turistas mesmo. Parecidíssimo com São Paulo, não? (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem o relato do 5º dia – visita à Canela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos: www.fotolog.com/alexandrab - 1ª foto “Museu do Perfume” (postada em 02/08), 2ª foto “Mundo Encantado” (postada em 03/08), 3ª foto “Museu Medieval” (postada em 06/08), 4ª foto “Bistrot Brillat” (postada em 07/08).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-2426993873249500373?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/2426993873249500373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=2426993873249500373&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/2426993873249500373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/2426993873249500373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/08/gramado-rs-4-dia.html' title='GRAMADO (RS) – 4º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-591867361186436111</id><published>2007-07-27T12:04:00.000-07:00</published><updated>2007-07-27T12:17:39.592-07:00</updated><title type='text'>GRAMADO (RS) - 3º dia</title><content type='html'>Faltavam quinze minutos para as oito horas da manhã quando o guia-motorista Carlos da HS Turismo chegou para nos buscar no Gramado Hostel. Faríamos naquela terça-feira o famoso Tour Uva e Vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Recomenda-se fechar esse passeio com agência de turismo mesmo (esse foi o único que fechamos com agência durante toda a viagem). Ele inclui visitas a vinícolas, degustações, almoço e até o passeio no trem Maria Fumaça, passando por Carlos Barbosa, Garibaldi e Bento Gonçalves. Por serem cidades mais distantes de Gramado, fica complicado realizar um bom passeio dependendo de ônibus. Com carro alugado, não sei como fica o acesso às vinícolas para visitação. Total para duas pessoas, com ingressos da Maria Fumaça inclusos, pela HS Turismo – R$ 224,00 (o pagamento total poderia ser feito no dia do passeio, sem necessidade de depósito antecipado).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e meu marido encontramos o Carlos na recepção do Hostel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Thaís?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Alexandra e Thiago – respondi a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando observei a lista impressa que ele tinha com os nomes, vi que haviam trocado o meu para Alexandre e o do Thiago por Thaís! Poxa, fiz a reserva por e-mail, era só copiar e colar os nomes! (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, partimos normalmente para nosso dia cheio de atividades. Em pouco tempo, a turma já estava completa dentro da Sprinter e seguimos em direção a Nova Petrópolis. Meu marido e eu havíamos desistido de ir a Nova Petrópolis, porque iríamos apenas para ver o Labirinto Verde e achávamos que não valia a pena gastar com ônibus só para isso. Felizmente, houve tempo de incluir o Labirinto Verde no Tour Uva e Vinho da HS e “matamos dois coelhos com uma cajadada só”. A Praça das Flores, onde fica o Labirinto, é realmente muito bonita e o Labirinto em si é bem divertido. Demoramos para achar o caminho até o centro, mas depois de encontrarmos, foi um pouco mais rápido para achar a saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve atraso de uns dez minutos para sairmos de Nova Petrópolis graças a um casal que resolvera comprar malhas em vez de apenas ir ao labirinto e voltar ao carro. Inconveniente básico de passear com agência. O casal, principalmente o homem, atrapalharia mais durante o dia, fazendo perguntas inúteis o tempo todo, interrompendo todos os guias que falaram com a gente. O jeito era nos fazermos de surdos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao que interessa, Nova Petrópolis pareceu-nos uma cidade bastante simpática e pretendemos voltar a visitá-la numa próxima oportunidade. De lá, seguimos até Carlos Barbosa para degustação de queijos e vinhos na Fetina de Formaio. O senhor que nos serviu era bastante animado e, em alto e bom som, explicava com conhecimento e gosto sobre cada queijo e salame que cortava para todos experimentarem (descobri que tem até vídeo no youtube com esse cara servindo os queijos, risos). Recomendo o salame de javali, leve e mais saudável, e os queijos já feitos com orégano e pimenta, o provolone e o sansoe. Degustei os licores de menta e laranja, mas eram bastante fortes para mim. Muitos da nossa turma da HS reclamaram da quantidade de vinho para degustação - ô povinho que acha que só porque é de graça é bom pra encher a cara! Nem preciso dizer que eles nem avaliaram o sabor, apenas queriam mais, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Leve o queijo e o salame que você apreciar na degustação! Vale a pena! E eles embalam para viagem. Mesmo que não faça o Tour Uva e Vinho, no entanto resolva passar por Carlos Barbosa, a Fetina de Formaio é uma ótima parada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dos queijos e vinhos, atravessamos a rua e fomos ao varejo da Tramontina. Ficamos um tanto frustrados em só poder passar pelo varejo, pois o passeio pedia, no mínimo, que visitássemos um parte da fábrica, responsável por 90% dos empregos diretos e indiretos de Carlos Barbosa. Nitidamente o objetivo da agência e da Tramontina era que apenas comprássemos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa próxima parada foi em Garibaldi, no museu da Georges Aubert. Lá é possível observar as diversas uvas utilizadas nos diversos tipos de vinho e espumantes, algumas máquinas antigas de engarrafamento, além de um grande barril de carvalho todo pintado com giz de cera por dentro (é possível ver uma parte da pintura no meu fotolog). Infelizmente, a prioridade mais uma vez era vender e tivemos apenas uns dez minutos para ver o museu. Levou-se muito mais tempo na degustação e conseqüente compras na lojinha logo ao lado. Mas tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guia da Georges Aubert abriu a garrafa de espumante com o sabre, seguindo a tradição francesa, e fez a alegria dos que queriam encher a cara deixando as taças mais cheias do que na degustação da Fetina de Formaio. Depois ainda houve degustação de vinhos e licores que, pelos cachaceiros de plantão, poderiam ser servidos todos na mesma taça – ainda bem que a guia não deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoçamos no Ristorante Del Filippi num trecho da estrada considerado já pertencente ao município de Bento Gonçalves. Comida farta e muito boa, apenas a bebida não estava inclusa no pagamento do Tour – claro que o pessoal da turma HS reclamou e ainda queria levar os poucos vinhos que compraram na Georges Aubert pra dentro do restaurante! Sem noção, porque lá dentro o restaurante tinha seu próprio vinho, inclusive a venda para levar para casa. Não comi o sagu de sobremesa, porém ouvi muitos elogiarem como um dos melhores que comeram na região das serras gaúchas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos no início da tarde pelo Vale dos Vinhedos e visitamos a vinícola da Miolo. Finalmente um tour prolongado, com boa explicação sobre como são feitos e armazenados os vinhos. Toda a Miolo é muito bonita e interessante e vale a pena a visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente à Miolo estão construindo um Spa do vinho. O guia da vinícola nos explicou que a obra deveria ter sido entregue em 2005, contudo descobriram algumas rachaduras na estrutura e trocaram a construtora. O novo prazo era julho de 2007, todavia as banheiras, importadas da Europa, vieram de navio e ficaram prezas no porto. O Spa não contará apenas com uma “dieta de vinhos”, mas com produtos de beleza e tratamento feitos com vinho. Na loja da Miolo encontramos shampoos, sabonetes e hidratantes feitos de vinho (levei um para as mãos com um cheirinho muito gostoso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora da degustação, fomos a uma sala reservada para isso, com mesas já preparadas com diversas taças para os diferentes tipos de vinho. Outro nível – e até por isso, talvez, alguns da van HS não quiseram participar, convenceram-se de que não iam encher a cara mesmo (risos). Essa é uma degustação paga, porém os créditos podem ser utilizados na loja da Miolo depois. Pagamos R$ 5,00 cada para degustar os vinhos bronze. Gostamos do Terranova branco e do espumante, mas não apreciamos os três tintos servidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Para quem realmente aprecia vinhos, também havia as opções de degustação prata por R$ 10,00 cada, e ouro, por R$ 15,00 cada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na loja da Miolo, degustamos alguns queijos no espaço promocional da Casa da Ovelha. Todos feitos com leite de ovelha e muito bons! Deu vontade de levar tudo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Entre no www.casadaovelha.com.br e descubra onde comprar perto de você. No site, também há dicas sobre o leite de ovelha para quem tem alergia a leite de vaca e de cabra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Miolo voltamos para Carlos Barbosa para embarcar na Maria Fumaça às 16h. Durante o trajeto de pouco mais de uma hora de duração, grupos artísticos se revezaram entre os vagões do trem. Assistimos a divertidas apresentações de um grupo de música regional, outro de música italiana e de um casal comediante. No caminho, o maquinista seguia a ordem de algumas placas e fazia a Maria Fumaça apitar. Entre Carlos Barbosa e Bento Gonçalves, fizemos uma parada na estação de Garibaldi para degustarmos espumantes e suco de uva (da marca Precioso, muito bom). Ficamos com uma pequena taça de plástico a viagem toda, pois na estação de Bento Gonçalves também houve degustação, só que de vinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos serviços muito interessantes da estação de Bento é o da foto à moda antiga. Colocamos uma roupa adequada e tiramos as fotos em sépia ao lado do trem, como se realmente fôssemos e estivéssemos em outro século. Ficaram perfeitas as imagens, inclusive porque a fotógrafa dirigia as cenas que ia fotografar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Leve dinheiro para estação de Bento Gonçalves, pois nenhum dos serviços aceita cartões. As fotos à moda antiga são entregues no hotel no dia seguinte (elas entregaram direitinho no Gramado Hostel no dia seguinte à noite). Pagamos R$ 25,00 por uma foto revelada em tamanho 20x25 e o negativo com as quatro fotos tiradas. Para ter as quatro fotos reveladas nesse tamanho, o preço sobe para R$ 50,00.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem de volta de Bento à Gramado foi longa, pois não houve paradas e já estava anoitecendo. Graças a Deus os amigos malas da Sprinter estavam cansados e dormiram o caminho todo (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixamos as compras no Hostel e voltamos para o centro de Gramado para jantar. Resolvemos experimentar os pastéis do O Pasteleiro e não nos arrependemos. Além do ambiente alegre, o atendimento foi muito bom e os pastéis estavam deliciosos. Em homenagem ao Festival de Cinema, as paredes da casa mostravam fotos antigas do evento e o cardápio todo tinha relação com o cinema: os pastéis com nomes de filmes (o meu era de mussarela, denominado “Esqueceram de mim”) e os cafés, de diretores.  Além disso, havia duas opções de tamanho para os pastéis: Curta e Longa. O curta era do tamanho de um pastel de feira e o longa, duas vezes mais; ambos estavam generosos no recheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem o relato do 4º dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos: www.fotolog.com/alexandrab - 1ª foto “Labirinto Verde” (postada em 25/07), 2ª foto “Museu da Georges Aubert” (postada em 27/07), 3ª foto “Vinícola Miolo” (será postada em 30/07), 4ª foto “Maria Fumaça” (será postada em 31/07), 5ª foto “Estação de Bento Gonçalves” (será postada em 01/08).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-591867361186436111?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/591867361186436111/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=591867361186436111&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/591867361186436111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/591867361186436111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/07/gramado-rs-3-dia.html' title='GRAMADO (RS) - 3º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-5729819217683324175</id><published>2007-07-20T05:02:00.000-07:00</published><updated>2007-07-20T05:13:44.051-07:00</updated><title type='text'>GRAMADO (RS) - 2º dia</title><content type='html'>O café da manhã no Gramado Hostel é servido em bandejas individuais, geralmente com um sanduíche e um pedaço de bolo. Um prato com frutas cortadas e alguns potes de bolachas também ficam disponíveis a todos, além do café, leite e chocolate em pó. A aconchegante sala com lareira, onde fazíamos essa refeição sob um clima bastante caseiro, convidava à integração com os demais hóspedes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Graças à equipe do Gramado Hostel tivemos acesso a um mapa mais eficiente da cidade e descobrimos como ela não era nenhum “bicho de sete cabeças”. Facilmente encontramos a sede da Jardineira das Hortências, agência que faz o Tour Gramado em uma simpática jardineira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; No Gramado Hostel é possível conseguir um cupom de desconto de R$ 1,00 para a jardineira, abaixando o valor do passeio para R$ 9,00 por pessoa. Parece bastante agradável o tour de jardineira, mas se aproveita menos cada ponto turístico. Vale a pena fazer tudo a pé se o tempo estiver bom.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Como daquele ponto já havíamos localizado a Igreja Matriz São Pedro, desistimos logo das restrições do passeio de jardineira e seguimos a pé até lá. É uma igreja muito bonita, com sua estrutura montada em pedra basáltica, que vale a pena conhecer. Por dentro, lembrou-me as igrejas medievais, como eu as imaginava nas aulas de história do colégio. Deu até vontade de escrever um roteiro para cinema ou televisão, só para utiliza-la como cenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta da Igreja, lemos o aviso de que naquela segunda-feira, dia 2, excepcionalmente, haveria missa às 18h30 com um bispo que visitava a cidade. Bem no dia do meu aniversário! Voltaríamos lá no horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado da Igreja, tiramos nossas fotos em frente ao Palácio dos Festivais. Fora da época do Festival de Cinema de Gramado, o palácio tem sessões de cinema às 20h30, aos finais de semana – infelizmente, não pudemos conferir. Do outro lado da Avenida Borges de Medeiros, mais fotos na Praça Major Nicoletti e na charmosa Rua Coberta, na qual paramos para comprar alguns chocolates na loja da Caracol, que é tão gostosa quanto a Prawer, mas um pouco mais em conta nos preços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com nosso novo mapa, estávamos totalmente localizados em Gramado. Fomos até a Igreja do Relógio, como é conhecida turisticamente a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, mas esta não fica aberta para visitação durante o dia, então a conhecemos apenas por fora. Seguimos por uma rua com muitos restaurantes, a maioria com o fondue como prato principal, e continuamos por outra menor até o Mini Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; A entrada para o parque do Mini Mundo custa R$ 10,00 por pessoa. Reserve este valor, porque essa é uma das atrações que se DEVE ir em Gramado! Conheça um pouco no site &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.minimundo.com.br/"&gt;&lt;em&gt;www.minimundo.com.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Criado pela família Hoppner, o Mini Mundo é simplesmente encantador! Há réplicas principalmente de cenários e obras arquitetônicas alemãs, porém a família vem atualizando o parque com miniaturas de construções de outros países, como o Aeroporto de Bariloche, e brasileiras também, como a Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto e, em breve, o Museu do Ipiranga, de São Paulo. Cada peça, cada cenário é feito com uma riqueza de detalhes impressionante! Depois do passeio, valeu comer um doce e tomar um chocolate no Café Mini Mundo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; O generoso pedaço de torta de limão do Café Mini Mundo estava delicioso!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois do passeio no Mini Mundo, fomos dar uma volta em torno do Lago Joaquina Rita Bier, com direito a uma paradinha na pequena ilha em seu interior. Dali, caminharíamos um tanto mais até o Lago Negro, no qual são alugados os pedalinhos em forma de cisnes (e há cisnes de verdade por lá também). Essa caminhada apesar de mais longa, não nos fez perder o fôlego e a bela paisagem em torno do Lago Negro é bastante atraente para o passeio de pedalinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; O aluguel do cisne para duas pessoas custou R$ 8,00. Não tivemos limite de tempo. Todo mundo relaxa e se diverte ali, então é outro passeio que se DEVE fazer em Gramado!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do Lago Negro, só faltava o Pórtico de entrada (Via Nova Petrópolis), que está sempre florido, segundo nos informaram - realmente estava naquele dia. Do Pórtico, seguimos para a missa na Igreja Matriz. E ela estava ainda mais bonita com o anoitecer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser uma missa extraordinária em plena segunda-feira, a população não deixou de comparecer; pelo contrário, praticamente lotou a igreja. O bispo chegou muito simpático, cumprimentando a maioria e em breve assistiríamos a uma comunhão bastante especial! Na hora de consagrar a hóstia, as luzes foram apagadas em seqüência, deixando apenas a iluminação colorida do altar acesa. E no final da missa, o bispo convidou os aniversariantes do dia para se aproximarem do altar, para que ele pudesse nos abençoar e todos pudessem cantar “Parabéns” – o convite inicialmente, foi feito a uma das meninas do grupo de jovens, aniversariante, e a um casal que completava 31 anos de casados naquele dia; havia ainda um padre também aniversariante e dos demais que assistiam à missa, apenas eu era aniversariante também. Foi o “Parabéns” mais especial da minha vida, em um dos meus melhores aniversários!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar esse dia incrível, eu e meu marido fomos no Café Colonial Bela Vista, o mais famoso em café colonial de Gramado. Saímos rolando do restaurante! Sem mais! ; )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dica:&lt;/strong&gt; Prefiram saborear o café colonial à tarde, porque vem realmente muita comida! Nós entramos no Bela Vista, sentamos e, sem precisar pedir nada, logo os garçons vieram com enormes bandejas descrevendo o que colocavam na mesa e, ao final, já nem lembrávamos o que era o que. Delicioso! Curiosamente a TV estava ligada naquele momento no final do capítulo da novela Sete Pecados e valeu lembrar que ali não havia como escapar do pecado da Gula (risos).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem o relato do 3º dia, com o famoso Tour Uva e Vinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos: &lt;a href="http://www.fotolog.com/alexandrab"&gt;www.fotolog.com/alexandrab&lt;/a&gt; - 1ª foto “Igreja Matriz São Pedro” externa (postada em 16/07), 2ª foto “Igreja Matriz São Pedro” interna (postada em 17/07), 3ª foto “Palácio dos Festivais” (postada em 18/07), 4ª foto “Mini Mundo” (postada em 19/07), 5ª foto "Lago Negro" (postada em 20/07)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-5729819217683324175?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/5729819217683324175/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=5729819217683324175&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/5729819217683324175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/5729819217683324175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/07/gramado-rs-2-dia.html' title='GRAMADO (RS) - 2º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-8381245731371352541</id><published>2007-07-11T10:19:00.000-07:00</published><updated>2007-07-11T10:43:58.424-07:00</updated><title type='text'>GRAMADO (RS) – 1º dia</title><content type='html'>&lt;em&gt;Esse é o relato de uma viagem feita por dois mochileiros, eu e meu marido. Identificar-se-á aquele que não gosta das limitações das viagens fechadas através de agências de turismo. ; )&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aeroporto em Guarulhos (SP), 2h30, madrugada de sexta, dia 30 de junho, para sábado, dia 01 de julho. A fila para check-in ultrapassava o espaço delimitado pelas cordas da TAM. Nosso vôo estava marcado para as 4h30, então tínhamos tempo. Ainda bem que ficamos na fila, mesmo assim, porque conseguimos realizar o check-in pertíssimo da hora de passar para o portão de embarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tíquetes informavam para aguardar no portão 6, mas as telas espalhadas pelos corredores indicavam o portão 13 – bastante distante do 6, por sinal, e freqüentemente utilizado para vôos internacionais - para embarque no vôo 3866. Felizmente, ao contrário do ping-pong no dia do vôo para Salvador em outubro (ver relatos sobre a viagem para Morro de São Paulo, neste blog), dessa vez encontramos um funcionário da TAM para nos dar satisfações sobre aquilo. Acho que o nome em seu crachá era “Santos” e muito educadamente ele me explicou que o embarque realmente deveria ocorrer no portão 6, contudo como a aeronave ainda não havia pousado no Aeroporto, a Infraero mudava a indicação nas telas. Caso nenhuma outra aeronave precisasse pousar ali no 6, o embarque seria ali mesmo e por isso deveríamos aguardar ali. Nosso vôo estava atrasado e previsto para as 5h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avião estacionou no portão 6 as 5h30, e a decolagem foi autorizada as 6h. Uma hora e meia de atraso foi muito bom, perto do transtorno de um casal que conhecemos, que ia para Porto Alegre no vôo das 19h do dia anterior e fora transferido para nosso vôo. Achei os funcionários da TAM mais preparados dessa vez também, pelo menos foram adequados com as informações sobre esse vôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de duas horas estávamos aterrissando no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Uma van gratuita levou-nos até a rampa de acesso à estação de metrô (que para nós paulistanos parece mais com as estações de trem da CPTM). Como era domingo, o trem vinha com alguns bancos vazios nos vagões, e seguimos com tranqüilidade até a estação Rodoviária. De lá, fomos de ônibus até Gramado, em mais de duas horas de estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dicas:&lt;/strong&gt; Quem optar por esse trajeto até Gramado, a passagem de metrô estava R$ 1,50 e deve-se pegar, na estação Aeroporto, o trem sentido Mercado. A estação Rodoviária é a terceira depois da Aeroporto, nesse sentido. Na Rodoviária, comprar passagens para Gramado. A empresa que costuma fazer esse trajeto é a Citral e é possível conferir horários no site &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.citral.tur.br/"&gt;&lt;em&gt;www.citral.tur.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; ou horários e tarifas no site da Rodoviária &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.rodoviaria-poa.com.br/"&gt;&lt;em&gt;www.rodoviaria-poa.com.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;. É possível comprar na hora mesmo. Segundo informações da própria Citral, se a procura aumenta, eles colocam mais carros a disposição. Mas há também a possibilidade de comprar com antecedência pela internet, no site da Rodoviária de Porto Alegre. Em ônibus executivo, a passagem custou R$ 22,75 cada. Outras alternativas para se chegar de Porto Alegre a Gramado: aluguel de carros, sobre o qual muitos reclamam da burocracia das locadoras e das taxas de seguro; traslado POA-Gramado, direto do aeroporto, fechados com agências de turismo (é possível fechar apenas o traslado, sem fechar pacotes de passeios e hospedagem, mas encontramos valores superiores a alternativa pela qual optamos).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ao passarmos pelo Pórtico de entrada (Via Taquara), em Gramado, achei que logo estaria no centro movimentado da cidade. Assustei-me um pouco com a estradinha semi-deserta antes de chegar à Rodoviária de Gramado. Descemos na parte de trás da Rodoviária e estávamos com um mapa mal impresso, encontrado na Internet. Parecia que tudo seria muito mais distante que o previsto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rodoviária de Gramado foi o que observamos primeiro na cidade e ela já refletia o charme que encontraríamos em todas as construções locais nos dias seguintes. Nem parecia uma rodoviária! Um pouco deslocados, com mais de 30 horas sem dormir (uma desvantagem de viajar de madrugada depois de um dia atarefado), acabamos encontrando a avenida certa (a famosa Av. das Hortências) para seguirmos em direção ao local da hospedagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegarmos ao Gramado Hostel (unidade de Gramado da Hostelling International, dos famosos albergues internacionais para os mochileiros de plantão, hospedagem mais barata e bem confortável), resolvemos ir a pé, em uma caminhada de vinte minutos. Pudemos curtir a avenida pelo caminho, o que logo nos despertou do sono e do cansaço. Deixamos as malas no Hostel e seguimos novamente em direção ao centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dicas:&lt;/strong&gt; Outras opções para ir da Rodoviária ao Hostel - táxi (mais ou menos R$ 12,00) e ônibus (o circular Gramado/Saiqui, com passagens a R$ 1,55 por pessoa).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nessa caminhada, fizemos uma parada no Belvedere Vale do Quilombo. A vista dali é realmente belíssima e ainda tivemos a sorte de contar com a iluminação favorável do sol sobre a paisagem verde. Apesar da fome e do frio de cerca de oito graus centígrados, o cenário tinha poder para nos manter ali por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conscientes de que pararíamos ali muitas vezes ainda durante a estada na cidade, seguimos em busca de um restaurante. Porém, como sabíamos que em nosso caminho havia outro cartão postal - a Rótula das Bandeiras junto à estátua do Kikito (símbolo e prêmio do Festival de Cinema de Gramado) – paramos para mais algumas fotos e escolhemos um restaurante logo ao lado, chamado Ristorante dei Tallini. Apesar de bastante movimentado, o serviço não deixou a desejar, pelo contrário. Dentro do prazo que a massa exige para ficar pronta, recebemos na mesa pratos fartos de lasanha e de espaguete acompanhados com frango grelhado e salada. Seria uma constante para mim na viagem acompanhar as refeições com suco de uva natural, bastante comum na região da serra gaúcha devido a quantidade de vinículas. Quanto a preço, achamos que pagamos um preço bastante justo no Ristorante dei Tallini – a generosa lasanha com grelhado e salada custava R$ 13,00, um valor com o qual nem sempre se almoça tão bem na região na qual trabalho em São Paulo. Para sobremesa, havia uma loja de chocolates Prawer, umas das mais famosas em Gramado, do outro lado da avenida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dicas:&lt;/strong&gt; Não muito longe dali, passamos no mercado Nacional para comprar água. Ele é bastante atrativo pela beleza da construção na qual está instalado e pelo cantinho com poltronas logo na entrada, um convite irresistível para um descanso para muitos turistas. Além dele, há um outro, do qual não me recordo o nome agora, grande também e facilmente localizável pela Av. Borges de Medeiros, que só descobriríamos no dia seguinte.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco localizados com o nosso mapa de Internet, resolvemos não explorar muito mais a cidade nesse primeiro dia. Voltamos calmamente ao Hostel, curtindo mais esses poucos pontos turísticos descobertos. À noite, fomos comer um lanche bem próximo ao Hostel, no Ponto Chopperia. Mais uma vez, notamos a fartura dos pratos: o xis-calabresa (escrito dessa forma no cardápio) veio do tamanho do prato grande e a porção de risoles de presunto e queijo, generosos no recheio, tinha bem mais do que quinze unidades, como escrito no cardápio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dicas:&lt;/strong&gt; Peçam os lanches por R$ 6,00 da Ponto Chopperia, porque realmente valem a pena pelo tamanho e pelo sabor. Peçam também a porção generosa de risoles por R$ 7,00, ainda mais se vocês forem de São Paulo, onde uma porção com meia dúzia de "provolones" custa em média R$ 12,00! ; )&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não sei quantos graus os termômetros marcavam, porém fazia bastante frio na hora de dormir. Ainda bem que o Gramado Hostel oferecia lençóis térmicos e suficiente quantidade de edredons e cobertores. Adormecemos contentes de termos escolhido uma cidade linda, e muito limpa e civilizada, para passar essa semana de descanso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem o relato do 2º dia, quando partimos para a exploração de fato do potencial turístico de Gramado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos: &lt;a href="http://www.fotolog.com/alexandrab"&gt;www.fotolog.com/alexandrab&lt;/a&gt; - 1ª foto “Belvedere Vale do Quilombo” (postada em 10/07), 2ª foto “Kikito e Rótula das Bandeiras” (postada em 11/07).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-8381245731371352541?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/8381245731371352541/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=8381245731371352541&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/8381245731371352541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/8381245731371352541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/07/gramado-rs-1-dia.html' title='GRAMADO (RS) – 1º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-6620224210798197731</id><published>2007-05-29T06:19:00.000-07:00</published><updated>2007-05-29T06:37:27.593-07:00</updated><title type='text'>A criança e a escola</title><content type='html'>Por que, quando crianças, achamos que o legal é dizer que a escola é chata? Se não reclamamos da escola, não fazemos parte do grupo. Ouse elogiar, dizer que gosta e será considerado um CDF, um nerd, um coxinha, ou sei lá qual outra “ofensa” se usa hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse assunto me veio à memória quando, assistindo à aula de um novo módulo da pós-graduação, a professora contou que ela era a típica CDF da escola, aquela que se achava feia, quase não tinha amigos e amava estudar, a ponto de ser um orgulho para qualquer professor. E por que seria ruim ela gostar tanto de estudar? Sorte dela, que se tornou uma pessoa culta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja bem, não me incluo na lista dos nerds. Sempre gostei de sentar na última fileira da sala e mais conversava do que prestava atenção às aulas. Apesar de não ter feito parte da turma dos rebeldes também, as salas em que eu caía eram sempre as mais trabalhosas para o colégio, por culpa de “maus elementos”. Eu podia não me meter nas travessuras (minha timidez nessa área não permitia), mas estava sempre acompanhando e apoiando o ato, quando a diretora ameaçava dar uma advertência geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se os responsáveis não se manifestarem, serei obrigada a advertir a sala toda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém pronunciava uma palavra. A advertência por escrito também nunca era dada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mania de bater papo atravessou o primário, cresceu no ginásio e foi grande para o colegial e a graduação. Uma das “conversas durante as aulas” mais agradável foi no segundo colegial (claro que estou usando os nomes dados na minha época, porque já nem sei mais como eles dividem essa coisa de ensino fundamental). Eu e um amigo passávamos as horas da manhã planejando vender risoles na praia, hahahaha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O jeito é ir morar na praia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos vender risoles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vende risoles e eu vendo sanduíche natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, não tínhamos grandes perspectivas para o futuro... Porém, era divertidíssima a idéia de passar o dia todo caminhando na areia, conquistando clientes, mergulhando no mar de vez em quando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um ano de cursinho me dividindo, com os amigos, entre as aulas e o buteco fuleiro do outro lado da avenida, cheguei à faculdade com mais assunto ainda. Minha mania de conversar (e rir, rir muito, porque sempre foram conversas cômicas) me rendeu o apelido de “Ali”, porque um professor carioca sempre mandava um “Alixandra” na hora de me dar bronca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alixandra, vira pra frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas aulas dele, eu ficava na penúltima fileira e sentava de lado, para poder bater papo com o colegas que sentavam na última e acompanhar a aula ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, nunca fui um exemplo de comportamento e continuo odiando sentar na primeira fileira. Mas não porque os outros consideram nerds os da primeira fileira, e sim porque ali eu não tenho a mesma liberdade para conversar, hehehe. No entanto, também nunca fui mal na escola. Agora percebo que desenvolvi bem cedo a capacidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Eu falo pra caramba, mas anoto tudo também. Apesar da vida social sempre agitada, ajudava a sala toda na graduação, porque tinha sempre tudo anotado das aulas. Nunca fui a melhor aluna, contudo sempre fui uma boa aluna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de, na época das infantilidades, dizer que não queria ir à escola e que não via a hora de chegar as férias, eu sentia falta da escola nas férias, sim, e gostava de ir à escola. Porque lá eu encontrava com muito mais facilidade os amigos (nas férias, cada um viajava para um canto), porque lá eu descobria um mundo novo a cada dia e porque lá encontrava desafios, oportunidades, contraditórios sentimentos, como o medo e a esperança. Quanto tempo perdemos sem aproveitar essa fase, apenas reclamando! E depois de “velhos”, temos que continuar estudando, muitos ainda precisando correr atrás do que não estudaram no colégio, porque ficaram mais preocupados em ser os “descolados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto saudades dos professores que conquistavam a atenção até dos mais rebeldes; sinto saudades dos jogos de queimada no pátio do colégio na quarta série (tínhamos a melhor professora, que sempre estava presente na hora da brincadeira também); sinto saudades das aulas de educação física, mesmo que não tivesse lá muita habilidade para esportes; sinto saudades do croissant de catupiry da cantina, que saia quentinho na hora do recreio; sinto saudades das músicas que ouvíamos nas aulas de artes; sinto saudades da sensação maravilhosa que foi conseguir ler um livro pela primeira vez (desde então, permaneço apaixonada por livros); sinto saudades das coleções de canetas coloridas (nossa, eu até perdia as contas de quantas eu tinha), que enfeitavam meus cadernos e traziam muito mais prazer na hora de estudar para as provas; sinto saudades das notas altas, e até das notas baixas e dos trabalhos bem ou mal apresentados; sinto saudades do cheiro de material novo; sinto saudades de cada conversa durante as aulas, que tanta alegria traziam, os sorrisos mais gostosos no rosto e a paz que só um bom papo pode proporcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São saudades maravilhosas de sentir! E espero que as futuras gerações possam sentir isso de maneira ainda melhor, sem precisar lembrar que ousou um dia reclamar de uma fase tão importante em nossas vidas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-6620224210798197731?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/6620224210798197731/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=6620224210798197731&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/6620224210798197731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/6620224210798197731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/05/criana-e-escola.html' title='A criança e a escola'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-1185213815040348746</id><published>2007-04-13T10:44:00.000-07:00</published><updated>2007-04-13T12:38:47.275-07:00</updated><title type='text'>Route Of All Evil Tour</title><content type='html'>De repente, as luzes foram se apagando. As fotos do vocalista, dos guitarristas, do baixista e do baterista apareceram em todos os telões e alguns trechos instrumentais de músicas famosas tocaram ao fundo. O grito pôde sair da garganta após treze anos de espera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem o clichê, mas realmente não é possível descrever a emoção que sentimos quando vemos ao vivo a nossa banda predileta. Tentarei, contudo, registrar o máximo possível nessas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show de abertura foi bom, apesar da frieza típica dos estrangeiros em terras brasileiras e da “espontaneidade coreografada” do vocalista do &lt;strong&gt;Velvet Revolver&lt;/strong&gt;. Só os funcionários responsáveis pelas imagens nos telões não perceberam que o show a parte era o guitarrista Slash, ex-&lt;strong&gt;Guns N’Roses&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com a ansiedade pela entrada da banda principal, pensei que já não teria uma reação tão emocionada na hora do show. O medo de mal conseguir enxergar o palco no meio de uma pista tão cheia, de não conseguir chegar nem um pouquinho mais perto e depender de telões para assistir ao espetáculo pediam para o meu instinto controlar o coração. O jeito era pular, cantar, como em qualquer evento desse tipo que costumo ir, sem esperar um turbilhão de emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não teve jeito! Só de ver as fotos nos telões o grito explodiu! Ao ver Steven Tyler em pessoa, com seu perfeito figurino, adentrando o palco, a garganta aos berros foi acompanhada pelos pés saltitantes! Eu só sabia gritar, pular e cantar &lt;em&gt;Love in an Elevator&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steven Tyler nos vocais, Joe Perry (detonando!) e Brad Whitford nas guitarras, Tom Hamilton no baixo e Joey Kramer na bateria (com direito até a camisa da seleção brasileira) – o &lt;strong&gt;Aerosmith&lt;/strong&gt; estava ali, ao vivo, perfeito, interagindo com o público, na medida em que tocavam para o público, muito além de fazer o som apenas para a satisfação pessoal. O repertório só não foi perfeito, porque, para fã que é fã, só seria perfeito se eles tocassem todas as músicas de todos os CDs! Mas na entrevista ao &lt;em&gt;Jornal da Globo&lt;/em&gt; que foi ao ar na madrugada de quarta para quinta-feira, Steven não estava apenas “fazendo média” quando disse que iria tocar o que eles viram que o público brasileiro queria através de pesquisas. Em comunidades do Orkut, na Internet, muitos fãs sugeriam &lt;em&gt;Toys in the Attic&lt;/em&gt; e foi uma (ótima) surpresa vê-los tocando essa música, além de Joe Perry cantando &lt;em&gt;Stop Messin' Around&lt;/em&gt; do CD &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Honkin’ On Bobo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, mas foi surpresa também não vê-los cantando músicas mais famosas em emissoras de rádio como &lt;em&gt;Crazy&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Amazing&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Pink&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Full Circle&lt;/em&gt;. Eu, sinceramente, queria ouvi-los cantando &lt;em&gt;Eat the Rich&lt;/em&gt;... Ok, voltamos ao “fã que é fã” e eu queria ouvir todas de todos os CDs!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu definitivo surto explosivo particular começou com &lt;em&gt;Falling In Love&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Is Hard On The Knees&lt;/em&gt;) e criou um nó na garganta quando logo em seguida veio a batida de &lt;em&gt;Cryin’&lt;/em&gt;! Minhas duas músicas preferidas, especialmente &lt;em&gt;Cryin’&lt;/em&gt;, que eu só não chorei de verdade, porque estava empolgada demais até pra chorar! Meu marido me levantou e lá do alto eu cantava com coração, pulmões, cordas vocais e tudo que tinha direito! Só não cantava mais alto do que o Steven, porque ele tinha um microfone!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso, porque meu primeiro contato com a música do &lt;strong&gt;Aerosmith&lt;/strong&gt; foi aos 12 anos (hoje eu tenho 25). &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Get a Grip&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, lançado, se não me engano, em 1992 pelo &lt;strong&gt;Aero&lt;/strong&gt;, foi minha primeira fita cassete, porque até então eu não me ligava muito em comprar discos ou fitas. No colégio, &lt;em&gt;Cryin’&lt;/em&gt; era uma das canções mais escutadas nas aulas de Artes, na qual a professora deixava ouvirmos músicas com freqüência. O generoso arroto do início da segunda faixa também sempre fora motivo de risadas entre nós, meros adolescentes, mas que já pensávamos ser adultos. Em 1994, o CD &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Big Ones&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; foi um estouro reunindo os maiores sucessos da banda e &lt;em&gt;Cryin’&lt;/em&gt;, regravada nesse lançamento, podia não ser fiel a qualquer história minha, mas era a trilha sonora dos meus sonhos e fantasias de menina. E ela é a “minha música” até hoje, sem motivo especial, apenas é e pode ser para sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, especificamente, depois de &lt;em&gt;Cryin’&lt;/em&gt;, veio &lt;em&gt;What It Takes&lt;/em&gt;! Seqüência musical absurda – no ótimo sentido! Ok, a noite toda foi absurdamente maravilhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Janie’s got a gun&lt;/em&gt; lembrou o &lt;em&gt;Hollywood Rock&lt;/em&gt; de 1994. Naquela época, eu nem pensava em me deslocar para outra cidade para ver um show e mal sabia que o &lt;strong&gt;Aerosmith&lt;/strong&gt; ia demorar tanto para pisar aqui novamente – aliás, também não sabia, na época, da vinda deles para São Paulo, antes da descida no Rio, eu era realmente bastante mal informada. Só lembro que o festival ia passar na TV, pela Globo, e eu fiquei no quarto que nós chamávamos de "quarto da bagunça" em casa, diante de uma TV 14’’ velhinha, que já vinha dando problemas, e na hora do &lt;strong&gt;Aero&lt;/strong&gt; e sua &lt;em&gt;Janie’s got a gun&lt;/em&gt;, acabou a luz. Bom, sem comparação com a situação de ver o show ao vivo ontem, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi difícil acreditar que o show de ontem ia mesmo acontecer. Parecia inatingível! Quando anunciaram a vinda deles para esse ano, eu disse que só acreditava na hora da venda de ingressos. Quando comprei o meu, ainda parecia que algo poderia estragar tudo - um cancelamento por parte da banda, alguém doente... No dia do show, 12 de abril, passei o dia todo mais ansiosa pela dúvida se o show aconteceria de verdade do que qualquer outra coisa! E o medo da chuva das oito horas cair mais forte depois das nove e cancelar tudo? E o medo depois do show do &lt;strong&gt;Velvet Revolver&lt;/strong&gt; de alguém aparecer no palco e falar que a apresentação ia ser cancelada? Só acreditei na hora em que eles entraram no palco! Mas depois que acabou, morro de medo de acordar e ver que foi apenas um mega sonho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram duas horas de apresentação (com o bis que finalizou a noite com a música &lt;em&gt;Walk This Way&lt;/em&gt; e uma despedida bem mais calorosa do que a do &lt;strong&gt;Velvet Revolver&lt;/strong&gt;; infelizmente, as platéias dos shows não são mais as mesmas, agora são conformadas e não pediram o segundo bis). Eu já estava bem mais perto do palco, e achei que teria até mais um bis surpresa, mas infelizmente terminei o evento sem olhar diretamente nos olhos de cada integrante da banda de pertinho (e ver direitinho suas rugas e plásticas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, tudo bem... Tenho certeza que era para mim que o Steven estava olhando certa hora de cima da passarela (sim, o palco tinha até passarela para eles avançarem na pista), quando eu estava no alto, carregada pelo meu marido, e balançamos juntos, eu e Steven, em sincronia, as mãos pro alto. Para quem duvida, não me importo. Foi assim e essa história é linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu quero mais! Ficou uma saudade infinita dentro do peito! E se tivesse outro show hoje, eu gritaria muito mais, porque aprendi a berrar sem ficar rouca - só estou com uma forte dor de garganta, porém é a melhor dor de garganta da minha vida! ;-)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Observações gerais:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Parecia que haviam jogado algo no formigueiro. A saída do Estádio do Morumbi foi um verdadeiro caos! Pessoas seguindo para os mais diversos sentidos, carros parados, motoristas que achavam que adiantava atropelar os pedestres nas saídas dos estacionamentos, eu e meu marido andando para todas as direções até encontrar uma rua mais tranqüila e um motorista de táxi que estive disposto a nos levar para casa (porque a maioria dos que estavam parados na região, diziam que não podiam sair; tem gente que não sabe lucrar).&lt;br /&gt;O prejuízo financeiro não veio na compra do ingresso – que valeu cada centavo e ainda mais pelo show do &lt;strong&gt;Aerosmith&lt;/strong&gt;. Mas veio na noite do show. Uma caixinha de &lt;em&gt;Ades&lt;/em&gt; R$ 3,00, um sorvete de limão R$ 3,00, um kit &lt;em&gt;Habib’s&lt;/em&gt; a R$ 5,00, no qual a esfiha de queijo nem é feita com a massa normal das esfihas de lá, e sim com massa folhada. Vinha também um pastelzinho de belém e um kibe no kit, mas, fazendo as contas, foi a esfiha mais cara que já comi do &lt;em&gt;Habib’s&lt;/em&gt; (risos). Se alguém quisesse camiseta oficial, era R$ 50,00. Claro que a maioria das pessoas compraram do lado de fora por R$ 20,00. E como não ver o show com a camiseta? Não dava pra esperar elas serem vendidas por R$ 15,00, R$ 10,00 no final do show. ;-)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-1185213815040348746?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/1185213815040348746/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=1185213815040348746&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/1185213815040348746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/1185213815040348746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/04/route-of-all-evil-tour.html' title='Route Of All Evil Tour'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-117510421353798547</id><published>2007-03-28T11:47:00.000-07:00</published><updated>2007-03-28T11:50:13.550-07:00</updated><title type='text'>?</title><content type='html'>Uma pontada no peito. Perda do foco ocular. Falta de ar. Calma! Procura-se algo mais leve para fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que o ócio atrofia o cérebro? A memória falha bastante atualmente. Será o ócio? Será o excesso de conteúdo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho assalariado, estudos, trabalho doméstico, família. Atendimento telefônico, pesquisas na Internet, limpeza da cozinha, jantar com a família. Compras para a empresa, leituras para pós-graduação, aspirador nos quartos, planejamento com a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca há tempo para fazer tudo de forma completa. Cansaço. Um minuto para futilidade e lá vem a culpa. Continua-se com as obrigações: estresse. Permite-se o ócio: estresse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navegar por roteiros hipnotizantes, sonhar com a viagem que afastará a pontada no peito, a falta de ar, o formigamento na cabeça. Fotos, relatos, propagandas que aumentam a ansiedade pelo “paraíso” das férias. Mergulha-se na imaginação e a produção pára. Só de lembrar disso, vem a sensação de desmaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa traz as obrigações de volta. É gostoso ser útil. Buscar o repertório cultural, a experiência profissional, a casa limpa e a família bem estruturada. Mas pensar demais cansa. Pior o cansaço físico ou o mental? Aqui há os dois e ponto. Exaustão. Sensação de desmaio, perda do foco ocular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pode, afinal, afastar o pânico, o estresse, ou seja lá qual outro nome pode-se dar a tais sintomas? Atividades de lazer estressam, trabalhos burocráticos estressam. Porque não se pode entregar a apenas uma tarefa, sempre tem o depois e algo mais. Tem a necessidade do dinheiro, do horário, do raciocínio. E a necessidade de lazer, com dinheiro, horário e raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há solução. Busca-se o equilíbrio. Mesmo assim, cuidado para não cair para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tontura, ansiedade, corpo e alma pesados. Escrita inútil, leitura inútil, será que a pane se aproxima?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boom!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-117510421353798547?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/117510421353798547/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=117510421353798547&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/117510421353798547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/117510421353798547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/03/blog-post.html' title='?'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-117042305419197700</id><published>2007-02-02T05:13:00.000-08:00</published><updated>2007-02-02T05:30:54.323-08:00</updated><title type='text'>SOS</title><content type='html'>Era uma vez um planeta cheio de seres humanos que emitiam muito gás carbônico. Vários cientistas estudavam os efeitos negativos dessa emissão, mas todos os seres humanos preferiram esperar algum alerta mais grave, antes de alterar sua rotina. No último relatório dos cientistas, a previsão de catástrofe era para dali a cem anos, então todos preferiram permanecer acomodados. Alguns disseram que já que o problema não poderia ser detido a curto prazo, o jeito era conviver com isso. Outros declararam que até poderiam morrer alguns, porém uma parte se adaptaria a um planeta diferente, efeitos da evolução. E todos continuaram emitindo cada vez mais gases, afinal a crise ambiental seria só para quem ainda estivesse vivo dali a cem anos. No entanto, aconteceu que o aumento em vez da diminuição da emissão de gás carbônico só acelerou a reação da natureza. Menos de dez anos após o último alerta dos cientistas, milhares de pessoas morreram com a mudança da temperatura mundial e com a perda de territórios, devido ao aumento do nível dos oceanos. Para os que ainda viviam, sobrou a guerra por terras menos ameaçadas pelo avanço dos oceanos. A raça humana não teve tempo para evoluir e se adaptar ao novo planeta. Ela logo foi extinta por sua própria culpa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-117042305419197700?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/117042305419197700/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=117042305419197700&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/117042305419197700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/117042305419197700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2007/02/sos.html' title='SOS'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-116662037515120647</id><published>2006-12-20T05:03:00.000-08:00</published><updated>2006-12-20T05:38:05.056-08:00</updated><title type='text'>O vestido azul</title><content type='html'>Com o Reveillon se aproximando, achei interessante fechar o ano com essa lembrança em forma de crônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última sexta-feira, choveu pouco antes de eu sair da empresa. Os paralelepípedos das calçadas estavam encharcados. Escorreguei levemente. Pensei na vergonha que seria se eu tivesse caído. E lembrei do vestido azul. Você já vai entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era um azul óbvio. Era meio claro, meio lilás. Um azul claro com tons de lilás. Mas era bonito. Comprei com uma amiga em um shopping, na época. O objetivo era passar o Reveillon com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca fora supersticiosa para escolher a cor da roupa. Se bem que depois que passei de vermelho a virada de 1999 para 2000, só apareceram garotos meio ruivos na minha vida... Bom, escolhi o vestido azul, porque ele me chamou a atenção na vitrine, e sempre foi assim que comprei roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A virada do ano de 2001 para 2002 foi em Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Viajamos numa turma de dez amigos e ficamos hospedados em uma casa espaçosa na praia da Barra da Lagoa. Foi um dos passeios mais especiais para mim até hoje. Estávamos todos com pique de conhecer de verdade aquela “ilha da magia” e, com carros alugados, passamos por todas as praias de norte a sul da capital catarinense. Também tivemos tempo para visitar a Ilha do Campeche e as badaladas praias de Garopaba, a 80 quilômetros de Florianópolis. Foram dias de muita beleza e alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que quando falávamos com alguém que estava no Rio ou em São Paulo, as notícias meteorológicas denunciavam chuvas na região sudeste. E nós aproveitávamos céus de sol e lua cheia, sem nuvens, no sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, é claro, nenhuma viagem pode ser perfeita. E a noite de chuva das nossas férias foi bem a do dia 31 de dezembro. Quando chegamos ao centro da ilha, enfrentamos uma chuva fina enquanto procurávamos lugares para estacionar os carros. Contudo, a Avenida Beira-Mar estava lotada e não podíamos desanimar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água deu uma trégua e pudemos caminhar por um tempo. Não havia nada de especial na comemoração ali. Nem mesmo as bandas que tocavam no palco montado no meio da avenida. Bastava esperarmos os fogos de artifício terminarem seu show para irmos a algum outro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, perto da meia-noite, a chuva voltou e ainda mais forte. Havia uma multidão tentando se esconder nos toldos das barracas e carrinhos de comida. Quando vi, já estava debaixo de um guarda-sol junto a uma dúzia de pessoas, segurando todas as máquinas fotográficas e celulares da minha turma. Não me lembro como tudo aquilo parou nas minhas mãos. Cada vez mais gente tentava proteger-se debaixo do guarda-sol e qual não foi a minha surpresa ao ver uma das máquinas mais caras escorregar das minhas mãos e cair no chão, direto em uma poça d’água!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a virada do ano foi péssima! Tive vontade de chorar, porque a máquina caiu no chão, porque não consegui abraçar ninguém decentemente a meia-noite e até porque dois amigos, namorados, estavam brigando bem na virada e nos contagiaram com o mau humor. Ainda bem que todos os dias anteriores e posteriores da viagem compensaram essa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas que lêem essas palavras agora devem pensar: mas o vestido azul não tem culpa. Eu não sabia se ele tinha culpa ou não, sinceramente. No entanto, por mais de um ano, eu olhei para ele no armário e não consegui usa-lo. Sempre acabava escolhendo outra roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o ano de 2002, não há grandes queixas. Fizemos ainda muitos passeios especiais. Em nenhum deles, claro, usei o vestido azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estávamos no primeiro semestre de 2003, quando, sem saber o que usar para uma balada na Vila Olímpia, em São Paulo, coloquei o vestido azul. Eu ia encontrar algumas amigas antes na região da Avenida Paulista, então peguei um ônibus que subia a Avenida Brigadeiro Luís Antonio. Uma garoa fina foi suficiente para me fazer sentir certo arrependimento na escolha do vestido, no entanto tudo estaria bem se não fosse o trânsito que peguei na Brigadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci dois quarteirões antes do ponto próximo a Paulista e subi caminhando em ritmo acelerado, pois estava atrasadíssima. Quando cheguei próxima a esquina da Brigadeiro com a Alameda Santos, foi que aconteceu: um escorregão numa tábua de madeira e eu caída de cara no chão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rapaz veio me ajudar e perguntou se eu havia me machucado. Respondi que não, agradeci, mas sai depressa dali, pois estava morta de vergonha. Em pensamento, xinguei o mundo. Perdi a vontade de ir para a balada e não conseguia encarar as pessoas a minha volta, pois poderia ver alguém rindo do meu tombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui encontrar minhas amigas sem mais acidentes e acabamos indo mesmo para a balada. Nada de especial. Ao chegar em casa, ainda constatei que havia rasgado um pedaço microscópico do vestido, na parte da saia. Foi o suficiente para eu jogar aquilo no lixo. Não queria nem dar para alguém aquela porcaria. Peguei trauma até da loja onde o comprei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, superstições são assim. Dizemos que não acreditamos, mas quando nos damos conta, elas já estão nos influenciando. E eu achei a minha cor para as viradas de ano: rosa! Passei três anos com essa cor e até agora estou satisfeita! ;-)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-116662037515120647?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/116662037515120647/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=116662037515120647&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116662037515120647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116662037515120647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/12/o-vestido-azul.html' title='O vestido azul'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-116438530639968030</id><published>2006-11-24T07:56:00.000-08:00</published><updated>2006-11-24T08:21:46.513-08:00</updated><title type='text'>Morro de São Paulo – 6º dia</title><content type='html'>Sábado, sete horas da manhã. Com decepção, abri a janela do quarto e observei a chuva caindo do lado de fora. Mesmo assim, não desanimei e fui me despedir das águas da Segunda Praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas alguns cachorros da vila passeavam na areia, debaixo da garoa. Segundo o agente de turismo Lucas, a Prefeitura do Município de Cairú enfrentou certa vez o problema da superpopulação canina utilizando veneno. Enquanto eu caminhava até o mar, um vira-lata que lembrava levemente um pastor alemão cismou comigo e até afastou outro cachorro carente que também queria se aproximar. Quando voltei para a pousada, tive que dizer “tchau”, para ele não entrar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo rapaz que carregou nossas malas até a pousada no dia da chegada levou nossa bagagem até o Terminal Marítimo na hora da partida. Foi uma surpresa, mesmo com a chuva, encontrar o Terminal tão cheio às 11h de um sábado. Se em baixa temporada Morro de São Paulo tem tanto movimento, imagino na alta temporada. E ainda tivemos outra surpresinha: uma taxa de R$ 0,57 pelo uso do Terminal. Um absurdo, mesmo sendo um valor simbólico, já que a principal via de acesso à ilha é o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novidades não acabaram aí. Para nós, leigos no assunto, o mar nem parecia tão agitado, porém a Biotur, empresa responsável pelas catamarãs que pagamos, informou que parte do trajeto para Salvador seria por terra. Uma embarcação nos levaria até Valença; de lá, pegaríamos um ônibus da própria Biotur até Itaparica; do terminal de Itaparica, seguiríamos de catamarã até a capital baiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco simples que nos levou até Valença saiu com quase meia hora de atraso, porém não enfrentou nenhuma dificuldade. Nos olhares dos passageiros, a tristeza de deixar para trás os dias lindos passados em Morro de São Paulo. Rapidamente, chegamos ao local de onde sairiam um ônibus e um micro-ônibus para Itaparica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e meu marido preferimos a fila rápida próxima ao bagageiro do veículo maior. Além dos dois motoristas, havia apenas uma guia turística da Biotur e ela preferiu acompanhar os passageiros do micro-ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrada era de mão dupla e os poucos carros que passavam por nós abusavam da velocidade. Por ali não chovia e logo nosso motorista acelerou também, a ponto de ultrapassar o micro-ônibus que havia saído alguns minutos antes de nós. Mas sua pressa foi brecada pelo destino. Um barulho estranho do lado direito do ônibus obrigou-o a parar no acostamento. Uma fumaça preta soltou-se com força da parte de trás e assustou os passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando viajei de ônibus a Irecê, também no estado da Bahia, em 2003, vi alguns ônibus queimados na estrada e no estacionamento da empresa responsável. O que encontramos na estrada estava no estado de Goiás. O fogo tomara o veículo de forma tão rápida que não havia dado tempo dos passageiros retirarem suas bagagens. Felizmente, no entanto, ninguém havia se ferido. Segundo um motorista com o qual conversei na época, isso é causado pela falta de manutenção nos ônibus. E o fogo sempre se inicia na roda de trás, do lado direito do veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do nosso ônibus de Valença a Itaparica, o sinal de fumaça foi apenas um susto. Não houve incêndio. E o motorista com certeza não conhecia essas histórias de ônibus queimados, pois demorou a abrir a porta do corredor e liberar os passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que descemos, retiramos nossas malas do bagageiro e o micro-ônibus nos alcançou. A recusa em seguir viagem naquele ônibus maior foi unânime, ainda mais com um motorista sem noção alguma de mecânica. A guia da Biotur ligou imediatamente para a empresa, então, e solicitou outro veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação de boa parte dos passageiros era com o atraso para chegar ao aeroporto de Salvador. E aqui dou a primeira dica: nunca marque a catamarã e o vôo em horas muito próximas. Não há como adivinhar os imprevistos. Eu e meu marido estávamos tranqüilos, pois nosso vôo para São Paulo estava marcado para 00h10 e ainda eram 14h. Contudo, boa parte dos turistas que nos acompanhavam perderam vôos naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guia da Biotur, muito atenciosa, mas um tanto afoita, enrolava horrivelmente o portunhol para os estrangeiros. Graças a alguns brasileiros fluentes em inglês, duas holandesas e alguns outros europeus conseguiram avisar que seus vôos sairiam logo e a guia tentou entrar em contato com as companhias aéreas. Ela também pensou em colocar as pessoas com vôos imediatos no micro-ônibus e deixar os outros esperando o novo carro. Por telefone, seu supervisor a fez desistir dessa idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais calmos, ríamos de nossa situação. Éramos um grupo grande de pessoas em pé ou sentadas, apoiadas em nossas bagagens, naquele estreito caminho de asfalto. Até cantamos o “Parabéns” para a guia, que nos revelou que nem deveria estar trabalhando no dia do seu aniversário, pois era sua oportunidade de passar mais tempo com a filha. Ela havia tentado trocar com outros colegas a escala do fim de semana, mas não conseguira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro ônibus chegou mais novo e confortável. Aquele com certeza não apresentaria os mesmos problemas de manutenção e seguimos tranqüilos para Itaparica. A guia passou, então, o caminho todo desabafando com o novo motorista e era a única voz que se ouvia dentro do carro, pois a maioria dos passageiros resolvera tirar uma soneca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegarmos ao terminal de Itaparica, a chuva veio nos receber. A estratégia de ficar na parte descoberta da catamarã para não enjoar seria utilizada por poucas pessoas no início da viagem; a maioria sentou-se na parte coberta para se proteger. Por um tempo, a navegação parecia tranqüila, apesar da paisagem assustadora do lado de fora – quem não acha assustador chuva fina e neblina em alto mar? Mas quando a agitação das águas fez a pesada catamarã pular, aí nos assustamos de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O intervalo entre as ondas foi diminuindo, fazendo a catamarã pular mais vez, e os passageiros começaram a enjoar. Alguns esqueciam o chuvisco e iam direto para o lado de fora, outros permaneciam no lugar, respirando fundo, e mal conseguiam levantar. Felizmente, não tenho estômago fraco e só me assustei com o balanço mais forte a medida que a hora passava. No entanto, vi pessoas ali com expressões bem preocupantes. E tive muita pena das crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guia equilibrava-se por toda catamarã para atender as dúvidas dos passageiros. Ela garantiu a todos que essas eram condições viáveis para a catamarã seguir de Itaparica a Salvador. Um passageiro ainda perguntou sobre os coletes salva-vidas, que não ficavam visíveis na embarcação. Quando ela mostrou os armários nos quais eles estavam guardados, alguns desinformados sobre o início da conversa se assustaram. Mas ela logo esclareceu que apenas estava tirando uma dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parte descoberta da catamarã, sentia-se com menos intensidade o impacto sobre as ondas. Conversei com um dos funcionários responsáveis pela condução da embarcação e, equilibrando-se apenas nos pés, ele me contou que o mar até estava calmo naquele momento. Na noite anterior, quando começou a mudar o tempo, os passageiros chegaram a sujar os dois corredores da parte interna do veículo com o enjôo. Senti mais segurança sobre a nossa situação com esse comentário. Mas realmente não é uma aventura que indico. Se for a Morro de São Paulo e o tempo mudar assim na hora de voltar para casa, procure não sair de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vontade de chegar mais rápido, Salvador nunca pareceu tão longe. Quando finalmente chegamos, mesmo debaixo de garoa, alguns rapazes de roupa social ofereciam serviços de táxi já na ponte de madeira, a caminho do terminal. Eram mais ou menos 16h, 16h30, mas meu marido, cansado das aventuras, quis ir direto para o aeroporto. Aceitamos a oferta de um rapaz e fechamos por R$ 50,00 a ida de táxi ao aeroporto. No meio do caminho até o carro, o rapaz nos indicou a um senhor e este carregou uma das malas até o lado de fora do terminal marítimo. Quando vimos seu Corsa preto com o vidro da porta do passageiro quebrado, a janela coberta com um pedaço de saco plástico preto, retiramos a mala de suas mãos imediatamente. Logo encontramos alguns táxis de uma frota de verdade e seguimos com o taxímetro rodando até o nosso destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo nosso motorista, alguns malandros pegam seus carros particulares e estacionam no terminal para fazer um preço fechado até o aeroporto. Ele disse ainda: “Você vai com um desses, paga R$ 50,00, sendo que aqui vai dar uns R$ 52,00, no máximo, e não tem garantia de nada, nem se o cara vai te levar pro aeroporto mesmo, se ele não vai roubar sua bagagem; aí não tem seguro, sendo que, com o táxi da frota, a empresa se responsabiliza, e se o carro quebra eles mandam outro.” Ele tinha razão sobre a segurança, mas também descobrimos que pagamos caro o táxi no dia da chegada, porque aquele motorista do aeroporto também fora malandro ao jogar o preço fechado até o terminal por R$ 75,00. O segredo é não parecer marinheiro de primeira viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso taxista era bem simpático e nos revelou que já havia morado em São Paulo. Ele nasceu em Valença e hoje seus pais moravam em Gamboa, na Ilha de Tinharé. Ele não quis a calmaria do povoado e seguiu para as cidades grandes. Mas preferiu ficar em Salvador depois que morou em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das notícias de alagamento em Salvador durante aquele sábado, não pegamos muito trânsito até o aeroporto. O taxímetro marcou exatamente R$ 52,00 a corrida, como o motorista havia previsto. Teríamos mais de 6h de aeroporto pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há boas opções de alimentação dentro do Aeroporto Luís Eduardo Magalhães. Porém, nós estávamos com saudades do fast food estilo Mc Donald’s e fomos parar no Bob’s. Lá pude tomar um dos melhores sucos de cajá da viagem. Satisfeitos, seguimos passeando pelo Aeroshopping.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lojas do Aeroporto Internacional são excessivamente atraentes para quem gosta de comprar lembrancinhas de viagem. Pimenta e cocada baiana, chocolates de Ilhéus, muitas e muitas porcelanas (especialmente bonecas baianas e personagens religiosos), objetos feitos com as fitinhas do Senhor do Bonfim, entre outras coisas. Não sentimos as horas passarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embarque estava marcado para as 23h30, mas nas telas próximas aos portões fomos informados da previsão de atraso do nosso vôo. O avião para Guarulhos que deveria decolar as 00h10 talvez saísse entre 00h50 e 01h. Como no Aeroporto de Cumbica no dia do embarque para Salvador, não encontrávamos funcionários da TAM no portão de espera. Já passava da uma e meia da madrugada quando, sentados nas poltronas, ouvimos o piloto informar que a decolagem estava autorizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para evitar áreas de maior turbulência, nosso piloto seguiu uma rota um pouco mais longa para Guarulhos. Cansados, sonolentos e com frio, chegamos em casa com o dia amanhecendo. Um amanhecer bem diferente dos dias no paraíso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-116438530639968030?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/116438530639968030/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=116438530639968030&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116438530639968030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116438530639968030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/11/morro-de-so-paulo-6-dia.html' title='Morro de São Paulo – 6º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-116352577968129473</id><published>2006-11-14T09:15:00.000-08:00</published><updated>2006-11-14T09:36:19.776-08:00</updated><title type='text'>Morro de São Paulo (BA) – 5º dia</title><content type='html'>Assim como a ida ao Forte e ao Farol, a caminhada pelas praias de Morro é uma ótima opção de passeio para quem quer economizar - afinal, não é necessário nenhum guia, nem transporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos cedo, para aproveitar a maré baixa. Pudemos andar tranqüilamente pela &lt;em&gt;Terceira Praia&lt;/em&gt; e, quando chegamos ao começo da &lt;em&gt;Quarta Praia&lt;/em&gt;, observamos um considerável número de pessoas caminhando em direção ao mar. Logo descobrimos as belas e quentes &lt;em&gt;piscinas naturais&lt;/em&gt; da Quarta Praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parados e com a água batendo na altura dos joelhos, fomos rodeados pelos peixes em poucos segundos. Não tem preço um momento de paz e contato com a natureza como esse! Deixamos a hora passar, sentados na areia, dentro da água, vendo peixes pequenos e outros menores ainda nos rodearem. A maré subiu um pouco, lentamente, e continuaríamos mais tempo ali, se não tivesse aumentado o número de turistas com maior interesse no banho das piscinas do que na fauna marinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos do meio da atração turística, porém continuamos caminhando pela água até um grande banco de areia mais à frente. Estávamos a uma distância para dentro do mar que seria considerada perigosa se a maré estivesse alta. No entanto, naquele momento, o banho era em águas rasas, em volta do banco de areia. Como ainda havia muito para caminhar até a &lt;em&gt;Quinta Praia&lt;/em&gt;, demoramos menos por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A extensa faixa de areia da Quarta Praia tem poucas pousadas, mas elas são grandes, bem maiores do que as da Segunda e Terceira praias. E ainda contam com muros de proteção em frente às fachadas, feitos de tocos grossos de árvores, para impedir que a maré alta invada os terrenos. Há também, no caminho, uma entrada que leva ao pequeno vilarejo &lt;em&gt;Zimbo&lt;/em&gt;, de onde é possível seguir por trilhas até o &lt;em&gt;Morro da Mangaba &lt;/em&gt;e ao povoado de &lt;em&gt;Gamboa&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia pouco ou quase nenhum movimento de pessoas ao longo de todo o trajeto até a Quinta Praia. Contudo, vimos bastante lixo plástico espalhado, ofuscando a exuberante beleza da Quarta Praia. Falta de consciência dos moradores e dos visitantes da ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um breve banho de mar para nos refrescarmos do calor do sol e da caminhada, seguimos pela faixa de areia aberta por dentro de um manguezal. Rodeados pela mata, sentimos o ar ainda mais abafado e, quando chegamos ao riozinho que deveríamos atravessar para chegar a &lt;em&gt;Praia do Encanto&lt;/em&gt; (ou &lt;em&gt;Quinta Praia&lt;/em&gt;), observamos que em breve teríamos dificuldades para retornar, com a alta da maré. Se tivéssemos outro dia em Morro, teríamos seguido para a Praia do Encanto mais cedo, sem fazer paradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos a Terceira Praia, as águas do mar já alcançavam o muro de pedras que protege a calçada elevada, na qual ficam as pousadas e restaurantes dessa praia. Tivemos alguma dificuldade para atravessar em algumas áreas, mas conseguimos chegar tranqüilamente a Segunda Praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jantar à luz de velas na &lt;em&gt;pizzaria&lt;/em&gt; do &lt;em&gt;Funny Beach&lt;/em&gt;, na Segunda Praia, já tinha gosto de saudade, naquela noite de sexta-feira. A boa e leve pizza de mussarela foi saboreada lentamente, enquanto observávamos pela última vez, nessa viagem, o pequeno &lt;em&gt;Luau&lt;/em&gt; da praia mais agitada de Morro, com suas inúmeras barracas de frutas e batidas. Infelizmente, a ventania mais forte indicava mudança de tempo para a nossa volta a Salvador no sábado à tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-116352577968129473?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/116352577968129473/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=116352577968129473&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116352577968129473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116352577968129473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/11/morro-de-so-paulo-ba-5-dia.html' title='Morro de São Paulo (BA) – 5º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-116317457644143208</id><published>2006-11-10T07:48:00.000-08:00</published><updated>2006-11-10T08:12:20.296-08:00</updated><title type='text'>Morro de São Paulo (BA) – 4º dia</title><content type='html'>Na quinta-feira, passamos a manhã curtindo as águas calmas e a areia quente da Segunda Praia e o início da tarde aproveitando a piscina da Pousada Brisa do Caitá. Por volta das três horas, caminhamos em direção ao Terminal Marítimo, na entrada da Vila, e de lá seguimos a trilha que começa ao lado do Portoló, em direção a &lt;em&gt;Fortaleza de Tapirandu &lt;/em&gt;(ou&lt;em&gt; Forte da Ponta&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construído em 1630, o Forte tinha duas funções principais: proteger o canal de Tinharé e o escoamento da produção de importantes centros para a capital, e evitar que embarcações inimigas pudessem penetrar a chamada barra falsa da Baía de Todos os Santos. A maior parte da muralha, constituída de pedra e cal, ainda resiste ao tempo, assim como a construção que abrigava o corpo da guarda, os alojamentos dos oficiais, a prisão e a casa de pólvora (única parte coberta e escura, que deve ser aproveitada atualmente por alguns casais, já que há vários pacotinhos de camisinhas espalhados pelo chão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena &lt;em&gt;Praia do Forte&lt;/em&gt; fica próxima as muralhas. Na hora em que descemos até ela, a maré ainda estava alta, começando a baixar, por isso havia uma área mínima de areia. De qualquer forma, valeu a pena a visita ao Forte e a Praia do Forte, pois levou nossa imaginação direto ao século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho de volta ao Portoló, observamos melhor a danceteria local, &lt;em&gt;Pulsar Disco&lt;/em&gt;, que fica no meio da trilha do Forte. Rodeada pela mata, a casa é alta, grande e, em sua maior parte, aberta. Deve ter alguns moradores também, porque havia varais cheios de roupas espalhados, e visíveis de onde estávamos. Não tivemos oportunidade de conhece-la à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Portoló subimos a ladeira até a Igreja Nossa Senhora da Luz e pegamos o caminho que começa em frente à Igreja até o Farol Morro de São Paulo. Passamos por algumas pousadas bastante charmosas - havia uma que até prometia um bom pão de queijo mineiro em seu cardápio. Depois seguimos uma trilha pela mata, subindo através de degraus improvisados com tocos de madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é permitida a entrada no Farol, que foi inaugurado em 1855 e é conservado pela Marinha. Há um banquinho próximo à entrada, estratégico para um repouso. Dali também é possível continuar por outra trilha no meio da mata até a Tirolesa, que desce até a Primeira Praia e não teve movimento durante a semana toda que estivemos em Morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como havia pouco o que visitar por ali, voltamos logo para a Vila. À noite, não resistimos e fomos jantar novamente os crepes do Oh Lá Lá. Continuavam deliciosos! Na sexta-feira, a caminhada seria mais longa, pela Terceira, Quarta e Quinta Praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Foto do Forte no fotolog &lt;a href="http://www.fotolog.com/alexandrab"&gt;www.fotolog.com/alexandrab&lt;/a&gt;. A partir de segunda-feira, 13 de novembro, colocarei uma foto nova por dia, incluindo, assim, todos os pontos turísticos citados aqui, nos textos sobre Morro de São Paulo)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-116317457644143208?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/116317457644143208/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=116317457644143208&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116317457644143208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116317457644143208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/11/morro-de-so-paulo-ba-4-dia.html' title='Morro de São Paulo (BA) – 4º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-116292559996607836</id><published>2006-11-07T10:41:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T10:53:19.983-08:00</updated><title type='text'>Morro de São Paulo (BA) - 3º dia</title><content type='html'>Na quarta-feira, amanheceu um lindo dia de sol! Estávamos prontos para o passeio &lt;em&gt;Volta à Ilha de Tinharé&lt;/em&gt; (pagamos R$ 45,00 por pessoa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morro de São Paulo está situado no extremo norte da Ilha de Tinharé, que compõe, junto com Boipeba, Cairú e outras 23 ilhas menores, o Arquipélago de Tinharé. Cairú é o único município-arquipélago do Brasil. (Mapa do Arquipélago de Tinharé no fotolog &lt;a href="http://www.fotolog.com/alexandrab"&gt;www.fotolog.com/alexandrab&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci de comentar anteriormente sobre o café da manhã na pousada &lt;em&gt;Brisa do Caitá&lt;/em&gt;. Muito bom! Todos os dias havia uma boa variedade de pães (com e sem recheio), bolos e frutas. Os alimentos ficavam em uma espécie de armário com portas de vidro, que eram mantidas fechadas para evitar o contato dos alimentos com moscas e outros insetos. Era bem higiênico. Tivemos a oportunidade de tomar sucos de cajá, graviola e até algumas misturas de diversas frutas. Uma funcionária da pousada observava o tempo todo se faltava alguma coisa e repunha imediatamente. Infelizmente, ela só não conseguia entender o que os hóspedes estrangeiros pediam (um deles não conseguiu esquentar o pão...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às nove horas, passamos no Funny Beach para encontrar com o Lucas, que nos acompanhou até a Terceira Praia, para mostrar em qual flexboat faríamos o passeio. Como a maré estava baixa, caminhamos pela água até a &lt;em&gt;Lancha Vip Puro Prazer&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em alto mar, avistamos de longe a &lt;em&gt;Quarta Praia&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Praia do Encanto&lt;/em&gt; (ou &lt;em&gt;Quinta Praia&lt;/em&gt;) de Morro de São Paulo. A primeira parada foi nas &lt;em&gt;piscinas naturais de Garapuá&lt;/em&gt;. O aluguel do snorkel estava incluso no preço que pagamos pelo passeio e pudemos admirar por muito tempo os peixes e corais das águas límpidas e rasas das piscinas naturais. Para mim e para o meu marido, sem dúvidas, foi a melhor parte de todo o passeio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saímos das piscinas de Garapuá, a água já estava na altura do pescoço, devido à maré alta. No caminho, avistamos de longe a plataforma de Petróleo que fica próxima a praia de Moreré, em Boipeba. Ao chegarmos próximos a &lt;em&gt;Ilha de Boipeba&lt;/em&gt;, nosso guia Ricardo nos apresentou como opção a caminhada por dentro de Boipeba. Diante da recusa de todos os passageiros da Lancha, não me senti à vontade para dizer que eu gostaria de fazer a caminhada. Se eu ou mais alguém disséssemos sim, Ricardo deveria no levar até a praia de Cueira e quem fizesse a caminhada encontraria os demais passageiros mais tarde na praia da Boca da Barra, também em Boipeba. O guia que conduziria a caminhada deveria ser pago a parte, pois não estava incluso no valor do nosso passeio de lancha. Como Ricardo não precisou deixar ninguém em Cueira, seguimos direto para a praia da &lt;em&gt;Boca da Barra&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas lanchas, além da nossa, estacionaram no &lt;em&gt;Rio do Inferno&lt;/em&gt; (que tem esse nome, porque as caravelas portuguesas costumavam encalhar quando passavam por ali). Em poucos minutos, as mesas dos restaurantes espalhadas pela areia ficaram ocupadas. Ficamos em uma mesa do &lt;em&gt;Kiosk Brilho do Sol&lt;/em&gt;. Como o Rio do Inferno separa as ilhas de Boipeba e Tinharé, dali da Boca da Barra tínhamos a agradável vista da praia do &lt;em&gt;Pontal&lt;/em&gt;, com o coqueiral de Tinharé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As praias da Boca da Barra são realmente muito belas e conseguimos perceber que Boipeba é bem mais tranqüila, menos movimentada, do que o povoado de Morro de São Paulo. Muitos guias de Morro nos recomendaram passar um dia apenas em Boipeba, porque há muito que ver por lá, mas não tivemos oportunidade nessa viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o almoço, vimos alguns estrangeiros chegando para se hospedar em Boipeba e enfrentando a dificuldade de encontrar alguém que falasse pelo menos um pouco de inglês. Era um australiano falando “I don’t speak your language” e o carregador de malas perguntando “Vai ficar aonde?”. Infelizmente, não acompanhei o desfecho dessa história, porque lá na Boca da Barra, pela primeira vez na viagem, dois garotos encostaram-se a nossa mesa para pedir “um real”. Um dos garotos ainda permaneceu com os braços em cima da mesa, mesmo depois de dizermos que não tínhamos moedas, para nos intimidar. Depois de uns dez minutos ele foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do almoço, só gastamos para comprar um azulejo pintado a mão por uma moça que, pelo sotaque, era imigrante de algum outro país sul-americano. Ajoelhada na areia ao lado de nossa mesa, com apenas quatro cores e pintando com os dedos ela fez ali, na hora mesmo, aparecer uma bela paisagem no azulejo. Não nos arrependemos dos R$ 15,00 pagos pela arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das duas e quarenta da tarde, os passageiros retornaram a lancha para a continuação do passeio da &lt;em&gt;Volta à Ilha de Tinharé&lt;/em&gt;. Ao passarmos por &lt;em&gt;Canavieira&lt;/em&gt;, na Ilha de Tinharé, Ricardo também apresentou como opcional a parada para a &lt;em&gt;degustação de ostras&lt;/em&gt;. Mais uma vez todos os passageiros disseram que não precisava parar e um único passageiro, que estava próximo a mim, comentou em tom baixo de voz para a namorada que ele gostaria de fazer a degustação. Nessa hora, confirmei minha opinião de que nada deveria ser opcional no passeio da &lt;em&gt;Volta à Ilha...&lt;/em&gt;, porque quando a maioria não quer, a minoria acaba desistindo de satisfazer suas vontades. Eu, particularmente, não gosto de ostras, mas o lugar me pareceu interessante para fazer um passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa próxima parada foi no município de &lt;em&gt;Cairú&lt;/em&gt;. Lá tínhamos a opção de visitar o &lt;em&gt;Convento de São Francisco de Assis&lt;/em&gt;. Mal descemos no terminal de Cairú e inúmeros garotos, com idades entre 8 e 11 anos, nos cercaram para se oferecerem como guias a caminho do Convento (que é fácil de chegar). O preço do serviço deles, R$ 2,00, também não estava incluso no valor que pagamos pelo passeio &lt;em&gt;Volta à Ilha...&lt;/em&gt;, assim como para entrar no Convento, cobrava-se um valor a parte. Eu e meu marido decidimos caminhar sozinhos, para podermos parar, fotografar, admirar quantas vezes quiséssemos, porém com a insistência e agressividade dos garotos atrás de nós, desistimos de chegar até o Convento. As outras ruas próximas ao terminal estavam tranqüilas como se fosse domingo na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sairmos de Cairú, seguimos de volta a Morro próximos a grandes e belos canais de &lt;em&gt;manguezais&lt;/em&gt;. Ainda pudemos admirar o brilho do sol de fim de tarde nas ondas formadas pelos dois motores da Lancha. Passamos por &lt;em&gt;Galeão&lt;/em&gt; (Ilha de Tinharé) e, antes de chegar ao terminal de Morro, só paramos para abastecer a Lancha em um curioso &lt;em&gt;posto flutuante em Manguinhos&lt;/em&gt; (continente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente a &lt;em&gt;Volta a Ilha de Tinharé&lt;/em&gt; é um passeio essencial para quem vai a Morro de São Paulo. As belíssimas paisagens que tivemos a oportunidade de conhecer com esse passeio estarão para sempre em nossa memória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite fomos jantar no &lt;em&gt;Strega&lt;/em&gt;, um bom restaurante de massas na Vila. Eu pedi nhoque, meu marido pediu espaguete, ambos ao molho quatro queijos, e nos surpreendemos com pratos muito bem servidos. Saímos de lá bastante satisfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das vantagens de Morro de São Paulo é a quantidade de lan houses. Uma delas, a Matrix, foi muito útil para nós, pois gravamos dois CDs de fotos e liberamos os cartões de memória para tirar mais fotos. Na quinta-feira, iríamos conhecer o Forte e o Farol de Morro de São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-116292559996607836?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/116292559996607836/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=116292559996607836&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116292559996607836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116292559996607836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/11/morro-de-so-paulo-ba-3-dia.html' title='Morro de São Paulo (BA) - 3º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-116239098909956978</id><published>2006-11-01T06:14:00.000-08:00</published><updated>2006-11-01T06:32:46.943-08:00</updated><title type='text'>Morro de São Paulo (BA) – 2º dia</title><content type='html'>A terça-feira amanheceu nublada, então decidimos fazer a &lt;em&gt;Caminhada Ecológica&lt;/em&gt; (R$ 25,00 por pessoa). O Lucas da agência nos apresentou ao William, que atenderia apenas a mim e ao meu marido como guia – provavelmente, apenas em baixa temporada há esse privilégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O melhor turista é o turista brasileiro”, disse William logo no início do passeio. Trabalhando para todas as agencias de Morro de São Paulo, ele já guiou os mais diversos tipos de turista e sente maior dificuldade com os estrangeiros, devido ao idioma. “Turista estrangeiro gasta menos também”, acrescentaria ele mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro monumento histórico que vimos foi a &lt;em&gt;Fonte Grande&lt;/em&gt;, um dos maiores sistemas de abastecimento de água da Bahia colonial. Construída em 1746, ela providenciava a água usada pelos moradores para beber, lavar e cozinhar. É bastante interessante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois seguimos a caminhada por dentro da ilha, tendo a oportunidade de ver as casas dos moradores da região (a maioria inacabada). William explicou que o terreno hoje custa em torno de R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00 e que há pouquíssimo tempo havia muito mais áreas de mata virgem por onde estávamos caminhando. Na minha opinião, esse crescimento deve ser controlado imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por esse caminho aqui, vocês sobem uma escada de uns cem degraus para chegar ao &lt;em&gt;Teatro&lt;/em&gt;, onde tem apresentação toda quarta-feira à noite”, informou William, apontando o começo de uma escada que continuava por trás de algumas construções. Não tivemos oportunidade de conhecer o Teatro, mas outras pessoas na ilha também nos recomendaram a apresentação às quartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma parada para tomarmos água de côco no bar &lt;em&gt;Ponto do Céu&lt;/em&gt;. O pequeno estabelecimento de madeira não tinha movimento e, provavelmente por isso, o côco estava quente (também tinha pouca água). Quando reiniciamos a caminhada, William confessou que às vezes o povo desliga a geladeira, para não gastar muita energia. Pagamos R$ 2,00 por cada côco e William ficou assustado quando dissemos que a média do preço nas praias de São Paulo é de R$ 3,50 por côco – talvez nessa hora ele tenha adiado mais o seu sonho de conhecer a capital paulista, revelado anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando a caminhada, encontramos alguns moradores carregando materiais em burros. Segundo William, não há motos, nem bicicletas na vila. Precisávamos desviar de alguns montinhos de fezes dos animais pelo caminho. Depois seguimos por uma trilha de mata fechada até a &lt;em&gt;Fonte do Céu&lt;/em&gt;, uma pequena cascata de água gelada no interior da ilha. O banho foi bastante refrescante, pois o mormaço já vinha esquentando o passeio havia mais de meia hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trilha na mata – não recomendada para idosos, pois há um certo grau de dificuldades - continuou até o povoado de &lt;em&gt;Gamboa&lt;/em&gt;, uma pequena vila de pescadores ao lado de Morro. Lá pudemos fazer o famoso banho de argila, da cabeça aos pés – algumas pessoas ficaram tão camufladas, que nem sabíamos se eram loiras ou morenas. Depois de um banho de mar para tirar a argila, realmente ficou a sensação de que estávamos com a pele mais lisa e macia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes da parada para o almoço, passamos pelo centro de Gamboa. Uma grande árvore no meio da avenida proporciona a sombra ideal para o jogo de dominó dos idosos da região na parte da tarde. Pudemos conhecer também a &lt;em&gt;Igreja de Nossa Senhora da Penha&lt;/em&gt;, pequena e simples, como o povoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço, com a maré alta, não pudemos voltar caminhando para a vila de Morro de São Paulo. Esperamos, então, uma embarcação que vinha de Valença e cobrava R$ 2,00 por pessoa o trajeto do terminal de Gamboa ao de Morro. Quando a embarcação chegou, foram descarregadas inúmeras caixas de alimentos, além de objetos e até móveis – a maior dificuldade foi para retirar um sofá de três lugares do barco. “O povo busca quase tudo no continente”, contou William.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos minutos, descemos tranqüilamente no Terminal de Morro. No final da tarde, ainda encontramos o William na Segunda Praia com sua turma do futebol. Em Morro de São Paulo, todos os moradores e trabalhadores se conhecem; contudo, não necessariamente quem trabalha em Morro mora por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite fomos para a Vila ver a &lt;em&gt;Feira de Artesanato&lt;/em&gt;, na praça principal. Infelizmente, havia poucos vendedores – muitos estavam espalhados pelas ruas da Vila e no caminho entre a Primeira e a Segunda Praia. Os objetos mais interessantes estavam nas duas mesas de trabalhos feitos com casca de côco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das compras, fomos jantar no &lt;em&gt;Oh Lá Lá&lt;/em&gt;. Recomendo o ótimo crepe de quatro queijos – uma delícia! De sobremesa, o waffle com sorvete e chocolate também é bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-116239098909956978?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/116239098909956978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=116239098909956978&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116239098909956978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116239098909956978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/11/morro-de-so-paulo-ba-2-dia.html' title='Morro de São Paulo (BA) – 2º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-116197523373756083</id><published>2006-10-27T11:35:00.000-07:00</published><updated>2006-10-27T11:58:30.600-07:00</updated><title type='text'>Morro de São Paulo (BA) – 1º dia</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Aviso:&lt;/strong&gt; Aproveitarei esse espaço para contar sobre a minha viagem com meu marido a Morro de São Paulo, na Bahia, em outubro de 2006. Registrarei aqui as minhas impressões sobre as praias, os passeios, os serviços oferecidos, entre outras coisas. Quem tiver oportunidade, vale a pena conhecer esse paraíso! Boa leitura!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aeroporto de Cumbica, Guarulhos, três horas da madrugada de domingo para segunda-feira. Os cartões de embarque da TAM informavam que deveríamos aguardar no Portão 3. Diversas pessoas cochilavam nos bancos, outras se impacientavam com a previsão de atraso do vôo das três e meia para Salvador. Duas senhoras passaram pelo corredor falando alto, revelando a descoberta de que deveríamos aguardar no Portão 5 o embarque, e não mais no Portão 3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quem estava dormindo levantou-se depressa. Em poucos segundos, lotou-se a sala de espera do Portão 5. Também lá foi difícil encontrar algum funcionário da TAM para confirmar de onde sairia o avião rumo a Salvador. Perto das quatro horas da manhã, outra senhora se aproximou de um funcionário da TAM e confirmou com ele a volta do embarque para o Portão 3. E foi ela quem avisou em voz alta a todos a nova mudança, e não o funcionário perdido da TAM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Portão 3, decidimos formar uma fila, em vez de sentarmos novamente. A senhora que descobriu a volta àquela sala vinha com um grupo de senhoras e senhores da terceira idade, passando na frente de todos, para dar prioridade aos idosos. Nem todos os passageiros em fila gostaram da idéia. Mais de quatro horas da manhã, com um atraso de cerca de cinqüenta minutos e sem qualquer explicação por parte dos funcionários da companhia aérea, o vôo da TAM para Salvador deixou o Aeroporto de Cumbica. Ao menos no avião os funcionários da TAM foram atenciosos. Telas espalhadas pela aeronave mostravam o tempo todo nossa localização e em menos de duas horas descemos no Aeroporto de Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira impressão foi ruim. Na área de desembarque, já era possível sentir o cheiro de urina no ar. Vinha dos banheiros do Aeroporto. Do lado de fora, quando perguntamos ao taxista quanto ficaria a corrida até o Terminal Marítimo, ele jogou alto: R$ 75,00. Fechamos por R$ 65,00 (e dias mais tarde, na volta, descobriríamos que com o taxímetro rodando o mesmo trajeto ficaria em R$ 52,00). Ele ganhou dinheiro com a nossa ignorância e ainda dirigia muito mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, vimos muitas barbeiragens pelo caminho. Os pontos de ônibus, às sete horas da manhã, em uma segunda-feira, estavam abarrotados, como devem ser na maioria das capitais do Brasil. Nosso trajeto não passava por nenhuma praia, então não tivemos oportunidade de conhece-las. Mas conhecemos três cartões postais da cidade, que ficam próximos ao Terminal Marítimo: o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda e a Fonte da Rampa do Mercado (Monumento de Mário Cravo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colorido forte e bonito dos cartões postais que tenho em casa (presente de amigos que já estiveram em Salvador) encobre a má conservação dos monumentos e a vizinhança decadente. Aquela segunda-feira também contava com um tempo encoberto e a falta de sol sempre deixa, aos meus olhos, as paisagens menos belas. Foi uma decepção com odor de urina, que vinha forte do Terminal Marítimo. Espero um dia ainda poder conhecer outros cartões postais de Salvador pessoalmente para tirar essa primeira má impressão da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à chegada ao quarteirão do Terminal Marítimo e do Mercado Modelo, mal o táxi parou e dois rapazes já vieram em nossa direção perguntando se tínhamos passagens de catamarãs para Morro de São Paulo – para chegar em Morro via mar é necessário pegar uma catamarã ou uma lancha em Salvador ou em Valença. Ficamos atordoados com a abordagem agressiva dos rapazes e quando vimos, já estávamos no caixa confirmando que eu havia comprado tudo em São Paulo, com antecedência. A senhora calma e simpática que nos atendeu não sabia nem qual era a cor do papel da passagem de ida e qual o da passagem de volta para ela preencher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na catamarã Biotur, não tivemos problemas. Todos os passageiros embarcaram com tranqüilidade. O mar não estava agitado, então ninguém sofreu com enjôos e foi possível até cochilar um pouco. Em menos de duas horas avistamos o Terminal de Morro de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um festival de câmeras digitais não parava de registrar a chegada à bela Ilha de Tinharé, onde fica Morro. Porém, depois do desembarque, infelizmente, os turistas mal conseguem fotografar o Portoló do Morro, na entrada, pois diversos rapazes nos abordam para nos encaminhar as pousadas, carregando as bagagens em carrinhos de mão, daqueles usados em obras (alguns pintados com a palavra “Táxi”), cobrando em média R$ 7,00 por mala. E acredite, você vai precisar deles, porque é difícil carregar tudo nas ladeiras íngremes, ruas de areia e escadas de pedra que tem por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar a nossa pousada, passamos pela Vila, onde está mais concentrado o comércio. Suas ruas estreitas e cobertas de areia, com lojas, restaurantes e algumas pousadas, são muito charmosas. Depois passamos por cima da Primeira Praia, que é a menor de todas e a menos freqüentada. Lá foram construídas as primeiras casas de veranistas da região, e hoje boa parte já foi transformada em pousadas. E, então, chegamos a Segunda Praia, a mais badalada da região e onde fica a Pousada Brisa do Caitá, na qual nos hospedamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanta beleza a nossa volta, foi impossível dormir, mesmo depois de mais de vinte e quatro horas sem descanso. As tardes lá eram de maré alta, mas ainda assim as águas estavam calmas na Segunda Praia e eram um ótimo convite para um mergulho. Depois de tirar algumas fotos na Ilha da Saudade – entre a Segunda e a Terceira Praia -, paramos em um dos quiosques da Segunda Praia, chamado Pastel &amp;amp; Cia. É curioso ver que os quiosques vizinhos a ele também vendem pastéis e mais curioso ainda ver que todos vendem o mesmo pastel grande, com a mesma massa e recheio. Tem ainda um senhor que leva alguns pastéis em um cesto para vender ao longo da praia. À noite optamos por outro quiosque vizinho, no qual o destaque era o hambúrguer. O nome do quiosque era Barraca do Luau e o cheeseburger de R$ 3,00 vinha com três fatias de pão de hambúrguer, alface, tomate, além do hambúrguer e do queijo. Valeu a pena! E descobrimos que eles vendem açaí, mas não fazem, buscam de outro quiosque que vende apenas açaí. Uma concorrência parceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, na Segunda Praia, também rola um pequeno luau na areia. Barracas de frutas com vendedores oferecendo caipirinhas e batidas ficam espalhadas por toda extensão da praia. E não importa se você passa duas, três, quatro vezes seguidas em menos de dez minutos na frente da barraca que eles te oferecerão bebidas como se nunca tivessem te visto antes. Destaque para os restaurantes da Segunda Praia, que formam um belo cenário com mesas externas a luz de velas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite ainda, por acaso, passamos no Funny Beach (uma espécie de praça com caixas eletrônicos e lojinhas) e entramos em uma pequena agência de turismo. O agente, Lucas, nos convenceu a fechar dois passeios para os dois próximos dias. Com muito conhecimento e muita sinceridade, ele nos apresentou os passeios através do mapa, nos indicou qual passeio era mais adequado para dia de sol ou dia nublado e deixou em aberto qual dos dois faríamos primeiro. O tempo da terça-feira iria nos dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-116197523373756083?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/116197523373756083/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=116197523373756083&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116197523373756083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/116197523373756083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/10/morro-de-so-paulo-ba-1-dia.html' title='Morro de São Paulo (BA) – 1º dia'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-115953921503091243</id><published>2006-09-29T06:48:00.000-07:00</published><updated>2006-09-29T07:25:47.553-07:00</updated><title type='text'>Trambique contra o trambiqueiro</title><content type='html'>Guia turístico de uma grande agência do Rio de Janeiro, Roberto levava grupos de estrangeiros para passear no bairro de Santa Teresa aos sábados. Seu roteiro ecológico incluía uma trilha na mata, na qual talvez os gringos pensassem que conheceriam índios. Porém só encontravam os criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto crescera no Morro Dona Marta junto a Falcão e Fumaça. Ao contrário dos dois amigos de infância, resolvera não dedicar tempo integral a vida do crime. Estudando com muita dedicação, conseguira uma bolsa de estudos em um curso de inglês. O dono da agência de turismo gostou tanto da sua fluência no idioma estrangeiro que o contratou logo na primeira entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o salário fixo e o aprendizado obtido pelo contato com os turistas não eram suficientes. Roberto queria se vestir como um americano rico, ter as máquinas digitais com as quais os japoneses tiravam fotos, ser tão sofisticado quanto os europeus. O meio mais fácil para obter tudo isso era roubar o que seus clientes tinham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falcão liderava o grupo que vinha ganhando notoriedade entre os demais assaltantes do morro. Fumaça o seguia como se fosse um vice-líder. Mais três jovens os acompanhavam até a trilha na mata onde Roberto levava os turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os assaltos contra os grupos que Roberto guiava ocorriam a cada dois ou três meses, para não alardear a imprensa e, principalmente, a agência de turismo. Roberto também indicava o roteiro de outros guias por toda a cidade carioca, para manter o trabalho de Falcão e Fumaça ativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os executores da ação criminosa ficavam com o dinheiro e Roberto ficava com os objetos. Durante os dias de folga, o guia turístico levava suas namoradas para passear no Corcovado e no Pão de Açúcar, sempre muito bem vestido, usando óculos caríssimos e registrando cada momento com câmeras digitais das mais atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo ia muito bem, até o dia em que o grupo de Falcão cresceu e ele deixou de fazer o assalto aos estrangeiros de Roberto pessoalmente. Fumaça estava tão cheio de fumaça na cabeça nesse dia, que esqueceu de avisar aos executores da ação que o guia era gente deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem de apelido Nervoso liderava os demais. Ele havia se mudado há pouco tempo para a favela Santa Marta e não conhecia Roberto. Um estrangeiro reagiu quando um garoto encapuzado tentou lhe arrancar a corrente de ouro do pescoço e Nervoso logo deu um tiro no pé do atrevido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seguinte, gringada: comigo não tem moleza, falô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto espantou-se ao ver a cena. Mas não podia despertar suspeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Stay calm, stay calm… - foi tudo que pôde dizer aos demais turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aê, guiazinho de merda! O próximo gringo que se metê a engraçadinho, o bicho vai pegá! Falô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O falatório crescia em volta do turista com o pé ferido e isso deixava Nervoso vermelho de raiva. Roberto desesperou-se. Ao tentar explicar a situação aos estrangeiros, não conseguiu falar uma palavra em inglês. Engasgado, lançou um olhar de súplica em direção a Nervoso e encontrou o cano da arma a dois centímetros de sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tú tá de brincadeira comigo, rapá? – gritou Nervoso, de forma ameaçadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrimas escorriam dos olhos de Roberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Valeu a pena?” – pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não teve tempo de responder a pergunta. Uma bala o deixou inconsciente. Os assaltantes ainda levaram seus óculos americanos, sua carteira inglesa e seus sapatos italianos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-115953921503091243?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/115953921503091243/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=115953921503091243&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115953921503091243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115953921503091243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/09/trambique-contra-o-trambiqueiro.html' title='Trambique contra o trambiqueiro'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-115651684177886883</id><published>2006-08-25T07:22:00.000-07:00</published><updated>2006-08-25T07:40:42.206-07:00</updated><title type='text'>Hora do rush</title><content type='html'>A poltrona de Karina, no ônibus fretado, é ao lado da janela, no fundo do corredor. De olhos fechados e com a cabeça apoiada no encosto, ela ainda não atingiu o primeiro estágio do sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista freia bruscamente em um cruzamento e Karina abre os olhos. Com o coração acelerado pelo susto, ela enruga a testa em uma expressão de raiva. Segundos depois, cruza os braços e se aconchega novamente na cadeira, enquanto o ônibus segue seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, algo a desperta do sono leve. Ela não sabe o que foi, mas percebe que está com a boca escancarada. Sem abrir os olhos, une os lábios e inclina um pouco a cabeça para baixo, para evitar a queda do queixo novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo incidente que a atrapalha é uma cabeçada no vidro da janela. Sua testa dói. Pensa em como é vergonhosa a situação. Todos os outros passageiros devem estar rindo de sua cabeçada. No entanto, ela permanece de olhos fechados e apenas inclina a cabeça para o sentido oposto. Por instinto, sente que agora há alguém sentado ao seu lado e envergonha-se ainda mais. O jeito é chegar a um estágio de sono profundo o quanto antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado de Karina está um homem poucos anos mais velho do que ela. Trajando um terno escuro e elegante, ele consulta livros e faz anotações em um caderno com atenção máxima. Só nota os deslizes do descanso de Karina quando a moça encosta a cabeça em seu ombro esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um breve momento, o executivo sente-se constrangido. Olha para os bancos em frente para checar se ninguém os observa. Não há ninguém olhando para trás, provavelmente por estarem concentrados em seus próprios sonhos e leituras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o executivo olha para a moça. A expressão de Karina revela um sono tranqüilo. A paz que aquele rosto tão delicado lhe transmite o impede de acorda-la. Sente vontade de tocar naquela pele alva e macia. De protege-la de toda e qualquer interferência externa. Aquele momento poderia durar uma eternidade. Nada mais importaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cai em si, o homem está abraçado a passageira desconhecida, fazendo carinhos na cabeça que se acomoda em seu peito, passando os dedos pelos cabelos negros da bela menina. Nesse quadro, a tensão do trabalho não está presente e o barulho do trânsito caótico de São Paulo é imperceptível. O cansado executivo sente-se feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A magia do abraço é quebrada pela hora da despedida. Karina acorda na parada final, próxima a sua casa. Uma sensação estranha a invade. Antes de abrir os olhos, tinha certeza que estava dormindo em sua cama. Nunca atingira um estágio de sono tão profundo no trajeto do ônibus fretado. Ainda zonza, olha para a poltrona vizinha a sua. O lugar está vazio. Caído no chão, um cartão exibe apenas uma palavra: Obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-115651684177886883?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/115651684177886883/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=115651684177886883&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115651684177886883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115651684177886883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/08/hora-do-rush.html' title='Hora do rush'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-115532306643440727</id><published>2006-08-11T11:55:00.000-07:00</published><updated>2006-08-11T12:11:52.390-07:00</updated><title type='text'>Amizade</title><content type='html'>Ela aparecia uma vez por mês e fazia brilhar os olhos do menino. Ficava poucos dias e só compartilhava sua companhia durante as noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fio, vem durmi que já tá tarde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, mãinha, a Luz inda não si recoieu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe sentia dó do menino e deixava ele olhar a luz em forma de bola até cair de sono no chão da varanda. O garoto crescia e estava cada mês mais pesado, mas ela preferia carrega-lo ela mesma para dentro de casa, do que ouvir a bronca do marido. O pai do menino não entendia aquele tipo de amizade que a criança cultivava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o menino não podia ter outros amigos, pois não conhecia outras crianças. O culpado pelo isolamento da família naquela pequena roça no meio do nada era &lt;em&gt;seo&lt;/em&gt; Geraldo, avô do garoto. Muitos anos antes, quando sua finada esposa, dona Mariana, ficara grávida, ele resolvera criar o filho longe das maldades do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu fio não percisa de amigo farso e patrão exploradô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também levara para a casa de barro uma menina de dez anos de idade. Ela ajudava dona Mariana no serviço doméstico. Fora essa moça quem se “casara” com o herdeiro de &lt;em&gt;seo&lt;/em&gt; Geraldo anos depois, apesar da diferença de idade, e parira o menino apaixonado pela luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto crescia, o menino sentia medo. Haveria a possibilidade de Luz nunca mais visitá-lo? Porém, no mês seguinte, seu coração se aquietava, pois lá vinha ela no horizonte, brilhando novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino tornou-se, enfim, um adulto. Seus pais e seu avô não o poderiam mais segurar: iria embora com a Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite da fuga, coincidiu que todos na casa se recolheram cedo. Sem despedidas era melhor. Olhando a luz em forma de bola da varanda da casa, o menino-homem sorriu para a amiga. Ela parecia sorrir de volta. Em seguida, começaram a caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma amizade inocente, sem necessidade de contato físico ou constrangimento pelo silêncio no lugar da conversa. Só importava o bem-estar e o bem-querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no primeiro amanhecer, todavia, o menino-homem descobriu que Luz continuaria a lhe fazer companhia apenas durante as noites e durante, provavelmente, apenas alguns dias do mês, como sempre. Entristeceu-se, mas não desistiu da empreitada. Na próxima noite, descobriria onde Luz se recolhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino-homem andou muito, noite após noite, e alcançou a cidade. Encontrou outras famílias, outros tipos de casa, outros tipos de amigos. Só nunca encontrou respostas da amiga Luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-115532306643440727?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/115532306643440727/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=115532306643440727&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115532306643440727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115532306643440727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/08/amizade.html' title='Amizade'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-115349461697867983</id><published>2006-07-21T07:58:00.000-07:00</published><updated>2006-07-21T08:10:55.590-07:00</updated><title type='text'>Bagagem</title><content type='html'>Ninguém sabe o que as pessoas carregam em suas sacolas e bolsas dentro do vagão de um trem do metrô. Em São Paulo, são milhares de usuários por dia entrando e saindo nas estações carregando mochilas, sacolas plásticas, bolsinhas bonitinhas que às vezes não servem nem para guardar uma carteira, são apenas enfeites na produção visual das mulheres. Nos horários de pico, esses objetos batem e esbarram até em quem está sentado, porém a pessoa atingida nunca saberá o que havia dentro do que a acertou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela senhora ali, por exemplo. Vestida de saia longa, camiseta azul e ostentando um perfeito coque acima da cabeça. Ela segura com os pés um enorme saco de pano bege, redondo de tão cheio. Sua bolsa de mão, também lotada, está no colo de um dos filhos sentados de frente para ela, que está em pé. Os dois meninos ainda carregam nas costas mochilas frouxas, nas quais devem guardar apenas seus cadernos e estojos, entre outros pertences leves de moleques. Imagino que no enorme saco de pano bege estão todas as roupas dos coitados para passar o fim de semana com o pai ou alguma avó que mora longe da casa deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o que cada um aqui carrega em suas sacolas e pastas pode contar suas histórias. Aquele executivo em pé ali, por exemplo. Ele está de calça social, camisa branca e blazer. A mochila em suas costas exibe um formato estranhamente retangular. Ele pensa que colocando o notebook na mochila esportiva está livre da cobiça dos ladrões. Esse foi fácil de adivinhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse minuto, o que ninguém sabe mesmo é o que eu carrego debaixo do casaco. Talvez nem tenham percebido que eu escondo algo debaixo do braço esquerdo. O pacote é pequeno e faz um volume quase imperceptível sob o pano preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse segredo faz-me sentir diferente. Especial. Sou poderoso! Mando nesse vagão se eu quiser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha camisa e minhas calças também são pretas. Assim como as meias e os sapatos. Os óculos escuros completam meu estilo “homem mau”. Aposto que aquela patricinha, aquela menininha rica e perfumada, que não se conforma com o fato de estar no metrô junto aos pobres, e se mantém sentada no assento reservado aos idosos e mulheres grávidas, mesmo com uma senhora em pé na sua frente, está completamente atraída por mim. Garotas frescas adoram os “bad boys”. A bolsa dela, de uma marca destinada ao estilo “sou revoltado”, revela sua atração. Esses riquinhos que tentam parecer rebeldes usando grifes... Sem comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora em pé na frente da patricinha não nota a minha presença. Posso apostar que ela não pára de pensar em como a patricinha é folgada. E em como é ruim ter que se conformar com a folga da garota, sem coragem para pedir a ela que se retire do banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a mulher sentada de lado na minha frente – estou em pé - deve pensar que eu sou um bandido. Ela abraça sua enorme bolsa marrom com força desde que me aproximei. O que ela pode carregar de tão importante ali? Um guarda-chuva? Com certeza tem um chocolate ali dentro! É uma mulher obesa, que ocupa com facilidade todo o espaço do assento individual e mais um pouco. Ela se esforça para encolher a gordura e não se encostar a mim. Gosto de provoca-la. Jogo o corpo para frente diversas vezes com o balanço do trem para esbarrar em seu braço gordo. Ela não vê a hora de sair do metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto no colo do pai, ao lado da mulher obesa, deve ter uns quatro anos. Seu olhar fixo em meus óculos brilha a curiosidade típica da infância. Tenho vontade de rir sobre a sua fantasia, mas é minha expressão séria que alimenta seu encantamento. Mantenho a postura de agente secreto e o menino sonha com as minhas aventuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que em sua imaginação eu carrego algo do lado de dentro do casaco preto? Sim, ele com certeza sabe que há algo aqui. Não mexo o braço esquerdo para nada, apenas prendendo o volume. Drogas? O menino não iria tão longe... Uma arma? Que tipo de arma? Um revólver pequeno? Não, crianças impressionam-se mesmo é com metralhadoras! Eu poderia carregar uma metralhadora e atirar, assustando os passageiros, que se jogariam no chão. Mas eu teria apenas um alvo, que a câmera só revelaria depois que ele estivesse morto no chão do vagão ou depois de horas de fuga em alguma das estações e pelas ruas da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse moleque precisa parar de assistir a filmes de ação! Não são para a idade dele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm... Uma bomba? Sim, eu posso estar carregando uma bomba. Mas produção caseira seria muito amador. Meu explosivo é profissional! Destruirá completamente o vagão no qual estou, atingindo também as duas composições vizinhas. Serão dezenas de pessoas mortas e todas as outras ficarão feridas com o impacto em todo o trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explodirá embaixo da terra ou a céu aberto, caminhando junto com as avenidas da Zona Norte? Ainda estou debaixo da terra, no túnel da linha azul. Gostaria de ver o efeito sobre o que está acima daqui. Se for quando o trem estiver parado em alguma estação, atingirá mais pessoas? Infelizmente, na qualidade de homem-bomba, não saberei a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, não estou carregando uma bomba. No entanto, aquele cara ali tem uma atitude suspeita. Ele veste uma jaqueta volumosa e encara todos os passageiros do trem com raiva no olhar. O chiclete na boca dele deve ter perdido o gosto há muito tempo, mas ele o continua mascando, com ar de quem vai arrumar briga com o primeiro que o encarar de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, ele tem muita vaidade. Não combina com o perfil de um homem-bomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que a senhora de frente para a patricinha deixaria uma bomba no vagão? Colocaria sua mini-sacola no chão, sem que qualquer um notasse, e sairia do trem com a expressão mais inocente do mundo. Quando chegasse a hora, ela olharia o relógio e daria um maléfico sorriso. O barulho chegaria a seus ouvidos, mas as conseqüências não a atingiriam. Com certeza, na cara da patricinha ela iria adorar jogar uma bomba. Seria um ótimo final de novela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho de novo em sua direção e a senhora continua ali. Sua mini-sacola tem mais jeito de presente para algum neto do que de um disfarce para uma bomba relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passamos da Estação Luz e o trem começa a esvaziar-se. Na Estação Tietê, com acesso ao Terminal Rodoviário, descubro os que realmente carregam malas de viagem. Como gostaria de saber o que cada uma dessas pessoas que saem do vagão carrega para sua viagem a outras cidades!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medida em que passam as estações, vou ficando mais frustrado com a falta de chance de descobrir o que cada um carrega em suas bagagens. A senhora leva a mini-sacola e a patricinha desce na mesma estação. O homem da jaqueta volumosa desce na seguinte, sem brigar com ninguém. Para infelicidade da mulher obesa na minha frente, ela desce apenas na penúltima estação da linha - aposto que a viagem nunca foi tão longa para ela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sento no lugar da mulher, apesar de estar próximo a estação final, Tucuruvi. O garoto ao lado, ainda no colo do pai, finalmente cutuca o meu braço esquerdo. O pai pede desculpas pela indiscrição do filho. Eu sorrio para o garoto e resolvo revelar a ele o que eu escondo do lado de dentro do casaco. Tiro a pequena caixa com a mão direita e abro a tampa com a esquerda. Seus olhos brilham ao ver o conteúdo da caixa, mas não de surpresa. Brilham por confirmar sua certeza de que eu escondia um brinquedo embaixo do casado. Um lindo carrinho de madeira, feito pelo meu pai, que eu acabara de enterrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, graças a Deus, ainda existe a inocência das crianças!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-115349461697867983?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/115349461697867983/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=115349461697867983&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115349461697867983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115349461697867983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/07/bagagem.html' title='Bagagem'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-115107533038430646</id><published>2006-06-23T08:02:00.000-07:00</published><updated>2006-06-23T08:11:39.803-07:00</updated><title type='text'>Carona</title><content type='html'>Adilson sabia que aquela sexta-feira seria o pior dia da semana. Afinal, ele nunca tinha o privilégio de emendar feriados. Nem ele, nem outros tantos trabalhadores. Mesmo assim, as empresas de ônibus se sentiam no direito de reduzir a frota nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia mais de quarenta minutos que Adilson e outros trinta passageiros esperavam no ponto por algum transporte. Foi quando um ônibus apareceu, finalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas na calçada começaram a se empurrar, pois todos queriam ser primeiros a entrar no veículo. Mas de nada adiantou: o motorista fez um sinal com a mão indicando que estava lotado e nem reduziu a velocidade para passar pelo ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Filho da...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens e mulheres ficaram exaltados. Xingavam o motorista, a empresa responsável pelos ônibus, o prefeito da cidade e até seus chefes, que poderiam demiti-los pelo atraso. Os próximos quarenta minutos de espera seriam de muitos resmungos. E mais trabalhadores chegaram ao ponto. Não havia mais espaço na calçada de tanta gente esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o segundo ônibus apareceu, também estava lotado, porém o motorista parou no ponto assim mesmo. As senhoras idosas empurravam os homens e mulheres mais jovens para garantir seu direito de sentar nos bancos reservados. Algumas pessoas eram arrastadas pela multidão, deixando uma mão no ar segurando a pasta ou a bolsa. O veículo partiu com as portas abertas, obstruídas por homens e mulheres pendurados, com quase todo o corpo do lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adilson não entrou nesse ônibus. Por ser magro e fraco, fora empurrado pela multidão para longe do transporte e ainda levara cotoveladas no estômago e pisões nos pés. Pensou em desistir. Contudo, não podia, pois tinha quatro filhos para sustentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco minutos depois, um micro ônibus branco parou com uma freiada brusca na frente do ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Levo todos vocês de graça! – gritou o motorista com a porta aberta, rindo, parecendo ligeiramente exaltado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve alguns segundos de hesitação entre os passageiros, mas em seguida eles entraram alvoroçados no micro ônibus. O carro tinha como destino um bairro útil para todos. Foram vinte e cinco passageiros sentados e quinze em pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que esse motorista está bêbado... Estou sentindo cheiro de cachaça... – cochichou uma senhora para Adilson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também havia sentido o cheiro quando entrou no micro ônibus. No entanto, Adilson até compreendia a situação do motorista: provavelmente ele também fora obrigado pelo patrão a trabalhar na emenda do feriado e resolveu tomar umas para se alegrar. Além disso, Adilson e os outros passageiros não estavam em condições de recusar a carona por um pequeno detalhe como esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O micro ônibus seguiu direto, sem parar em qualquer outro ponto. Quando chegou ao bairro de destino, os passageiros começaram a estranhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parar nos pontos? Mas vocês só descem no ponto final, fiquem tranqüilos! – foi a resposta do motorista, acompanhada por sua gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas levantaram, assustadas, de seus lugares. Os que estavam em pé aproximaram-se da porta. O bêbado considerou a pressa das pessoas e acelerou mais o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veículo branco só parou quando entrou em um asilo para doentes mentais. O pânico espalhou-se entre os passageiros a partir do momento em que enfermeiros aproximaram-se correndo do micro ônibus e começaram a carregar e arrastar homens e mulheres para dentro da casa. Não adiantava gritar: os enfermeiros, naquele momento, não acreditariam que aquelas pessoas não eram doentes mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adilson ficou em silêncio e evitou reagir à investida dos enfermeiros. Em pensamento, tentava entender o rumo daquele dia atípico. Talvez ainda estivesse dormindo. Sim, provavelmente aquilo era um pesadelo originado pela sua preocupação com a sexta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um sonho ruim bastante longo, porque durou até a segunda-feira. Com a volta do ritmo normal após o feriado prolongado, os responsáveis pelo asilo descobriram o engano ocorrido com os passageiros do micro ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista Carlos de Souza bebera tanto antes de buscar os doentes para fazer a transferência de asilos que via as pessoas daquele ponto de ônibus como seus passageiros alienados. Naquele momento, ele não avaliara de onde estava tirando o grupo, se de uma calçada ou de um pátio. Suas respostas àqueles homens e mulheres na sexta-feira eram típicas de seu espírito brincalhão, mesmo que os ouvintes com problemas mentais não entendessem as piadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do episódio, boa parte dos passageiros perdeu o emprego. Os patrões não conseguiram acreditar na história de seus funcionários. Adilson era um dos desempregados. O pesadelo estava só começando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-115107533038430646?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/115107533038430646/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=115107533038430646&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115107533038430646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/115107533038430646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/06/carona.html' title='Carona'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114985734679828508</id><published>2006-06-09T05:44:00.000-07:00</published><updated>2006-06-09T05:49:06.816-07:00</updated><title type='text'>Boneca de vidro</title><content type='html'>Dona Adelaide não sabia mais o que fazer com sua filha, Maria Clara, de quatro anos. Sempre que levava a menina em suas visitas às amigas, a criança mexedeira quebrava um enfeite da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maria Clara, não mexa nessa mesa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quero ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja com os olhos! Esses objetos em cima dela são feitos de porcelana e, se você derrubar qualquer um deles no chão, vai quebrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não adiantava falar. Dona Adelaide olhava para o lado dois segundos e ouvia o barulho do enfeite estilhaçando no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mil desculpas, dona Sueli! Essa menina é tão desastrada! – dizia para a amiga e depois apertava o braço de Maria Clara, falando mais baixo – Você me paga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas amigas de dona Adelaide entendiam que Maria Clara era apenas curiosa, como toda criança. Outras falavam mal, pelas costas, da educação que ela dava a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquela garotinha mexe em tudo! Não pode ver um enfeitezinho! E consegue destruir todos com aquelas mãozinhas desastradas! – dizia uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, que dona Adelaide não nos ouça, mas realmente é um prejuízo toda vez que ela resolve trazer a filha aos nossos cafés da tarde... – comentava a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara levava bronca, ficava de castigo, porém sempre quebrava mais alguma coisa na visita seguinte. Um dia, ela fez isso na casa errada. Quem oferecia o café na ocasião era dona Sabrina, uma mulher misteriosa que conhecera dona Adelaide em um curso de numerologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dona Adelaide, leve sua filha para a sala, por favor – pediu dona Sabrina calmamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando dona Adelaide saiu com Maria Clara do escritório de dona Sabrina, essa última alterou sua expressão serena. Os olhos cheios de raiva revelavam a bruxa má que tomava conta de sua personalidade. A pequena Maria Clara não teria um castigo leve dessa vez, pois quebrara os pertences de uma poderosa feiticeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um simples encanto, dona Sabrina transformou Maria Clara em um enfeite de cristal. Dona Adelaide, da noite para o dia, esqueceu-se que tinha uma filha de quatro anos e a bonequinha que brilhava na sua mesa de centro da sala de estar tornou-se seu objeto favorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vingança da bruxa má não parou aí. Chegou o dia em que o café da tarde com as amigas foi marcado na casa de dona Adelaide. Dona Sabrina fez questão de levar seu sobrinho de três anos, Bruno, que viera passar uns dias com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entediado pela falta da companhia de outras crianças, o menino observava a mesa de centro enquanto as mulheres adultas conversavam. Coruja, urso, ganso, flor... Os cristais tinham as mais variadas formas e eram tão pequenos... De repente, ele a viu. Em um canto da mesa ela brilhava, sentada com as pernas e os braços esticados. Uma boneca, um brinquedo de menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por alguns minutos - que pareceram horas para a consciência de Maria Clara -, a bonequinha de cristal ficou presa no olhar fixo e pensativo da criança que a observava. As mulheres, então, levantaram-se para ajudar a anfitriã a recolher as xícaras e Bruno ficou sozinho na sala. Avançou em direção a Maria Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o dedo indicador, ele empurrou de leve a cabeça da boneca, que não podia gritar. O corpinho de cristal cambaleou, mas não caiu. Bruno riu. Colocou mais força na ação, porém o enfeite novamente não caiu. Ele riu mais. Maria Clara queria chorar e não conseguia. Sentiu que iria morrer, que seu corpo seria esquartejado em milhares de caquinhos de vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Bruno partiu com tudo para sua terceira investida, o dedo indicador parou a poucos milímetros da boneca com o som da voz da tia Sabrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, querido. Há muito mais coisas interessantes lá em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara escapou da maldade de Bruno. Contudo, nunca mais teria paz com a possibilidade de ser quebrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114985734679828508?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114985734679828508/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114985734679828508&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114985734679828508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114985734679828508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/06/boneca-de-vidro.html' title='Boneca de vidro'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114864563834197750</id><published>2006-05-26T05:04:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T05:13:58.356-07:00</updated><title type='text'>Redial</title><content type='html'>Théo abriu a lista telefônica procurando o anúncio de uma financeira. Precisava urgentemente de um empréstimo. Sua empresa havia fechado mais um semestre no prejuízo e sua esposa perceberia a crise em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertou os oito dígitos indicados na página amarela e aguardou. Só atenderam após o terceiro toque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde! É da financeira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, foi engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou o telefone e fechou a lista para ver o ano de impressão na capa. O livro estava desatualizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ligar para o serviço de informações, foi buscar algo para comer. A tensão dos últimos dias afetara seu apetite e a falta de uma boa alimentação estava lhe causando mal estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloísa viu o marido passando em direção a cozinha. Ele caminhava distraído - nem notara a presença da esposa na sala. Ela, ao contrário, vinha reparando há dias a expressão pálida e com olheiras do rosto dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Heloísa, não havia dúvida: Théo estava apaixonado por outra mulher. Quando os dois eram jovens, ele teve os mesmos sintomas ao se apaixonar por ela. Não dormia, mal comia e vivia com tremedeiras – causadas, obviamente, pela fraqueza. Heloísa encantara-se ao ver tamanho sofrimento por sua causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de casados, quem sofria era ela. Tinha grandes crises de ciúme toda vez que o marido passava por uma noite de insônia ou comia menos que o de costume. Perguntava o nome da vagabunda que havia roubado o coração de seu Théozinho. Ele logo a abraçava e explicava o motivo de seu estresse. A esposa compreendia os problemas profissionais do marido e acalmava-se após inúmeras juras de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, naquele momento, Heloísa tinha certeza. Théo vinha trancando-se no escritório da casa todas as noites, depois de recusar o jantar. Também não conversava mais com ela durante o café da manhã. Ela ainda não havia feito um escândalo, porque sabia que ele não lhe diria o nome da piranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o homem demorava na cozinha, Heloísa correu até o telefone. Apertou a tecla &lt;em&gt;redial&lt;/em&gt;. O aparelho encaminhou rapidamente a ligação para o último número discado e ela ouviu três toques antes de uma voz feminina atender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esposa traída desligou imediatamente, tremendo dos pés a cabeça. Era um “alô” de mulher! E de uma mulher com uma bela voz! Será que seu Théozinho havia se apaixonado pela voz daquela vadia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela precisava ligar novamente. Precisava descobrir o nome da cachorra. O nome e o endereço. E como ela conheceu e se envolveu com um homem casado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou o fone do gancho e apertou novamente o &lt;em&gt;redial&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloísa não conseguia falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?! – repetiu a voz pacientemente – Alô?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ãh... É... Bo... Boa tarde! Aí é... uma... em... empresa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, senhora, aqui é residência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah... desculpe, sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou suando frio. Sem dúvida, a maldita tinha uma bela voz. Era bastante educada também. Devia ser linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloísa olhou para os lados. Ninguém se aproximava. Então, ligou novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, com quem eu falo? – perguntou tentando mudar o tom de voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com quem gostaria de falar? – respondeu a bela voz, gentilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Droga, custa me dizer seu nome?”, pensou Heloísa. Ela inspirou profundamente e voltou a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui é da loja Beautiful. Nós estamos fazendo uma pesquisa para avaliar o perfil das nossas clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, sim, da Beautiful? Gosto muito de fazer compras na Beautiful! Responderei com o maior prazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Humm, mesmo gosto para roupas...”, avaliou a esposa de Théo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Helena. Aqui em casa só eu tenho cadastro na Beautiful. Minha mãe prefere a Lindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Helena... Então o nome da ladra é Helena... Com H, como o meu nome... E gosta da mesma loja... No mínimo é uma garotinha, já que ainda mora com a mãe! Uma garotinha com tudo no lugar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?! – chamou Helena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloísa despertou de seus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe. Quantos anos a senhora tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trinta e dois. Não precisa me chamar de senhora, pode me chamar de você, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu sabia que era mais nova! Quinze anos mais nova do que eu! Ah, Théo Figueiredo de Souza, eu mato você”. Heloísa tinha os olhos marejados. Sentia o rosto em brasas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A... – limpou a garganta – Desculpe. A senhora é casada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, solteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Claro!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas tem namorado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher de bela voz deu uma risadinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um casinho aqui, outro ali, sabe como é, né? – disse em tom de intimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei... Sei sim... – de repente, a voz de Heloísa mudou - Com homens casados, né, vagabunda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como? – respondeu Helena com espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não tem o direito de destruir a minha família, está ouvindo? Mulher da vida! Prostituta de luxo! Vagab...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha senhora, a senhora enlouqueceu? Eu nunca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei de tudo! De tudo! Você deixa o meu marido em paz, está ouvindo? Ou eu acabo com você, sua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca sai com homens casados! Pelo amor de Deus! – Helena gritava para se fazer ouvir pela maluca do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, então ele não te contou que era casado? Pois é sim! E muito bem casado! E eu já despertei toda essa paixão que você acha que está conquistando! Fique sabendo que o seu destino é fazer o mesmo que eu faço agora se você levar esse cachorro embora: acabar com a festa das amantes dele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jesus Cristo! A senhora só pode ter ligado para o número errado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele acabou de ligar pra você! Eu sei de tudo! Foi só apertar o &lt;em&gt;redial&lt;/em&gt; no telefone, sua falsa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Louca! – desconcertada, Helena bateu o telefone na cara de Heloísa. Depois desconectou o fio do aparelho da tomada e se recompôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cachorra! Piranha! Vagab... Alô? Alô? – Heloísa estava rouca de tanto gritar – Isso não vai ficar assim! Não vai ficar assim! – berrou olhando para o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela jogou o aparelho no chão. Passou as mãos pelos cabelos e começou a chorar. Um choro contido, profundamente sentido, liberando seu desgosto através das lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conseguiu respirar, sentiu que alguém a observava. Théo, parado na porta da cozinha, de onde assistiu à cena inteira, começou a aplaudir vagarosamente. Com o corpo encolhido, ela virou o rosto e lançou para ele um olhar triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- The end! – foi tudo o que ele pôde dizer. E voltou para dentro da cozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114864563834197750?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114864563834197750/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114864563834197750&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114864563834197750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114864563834197750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/05/redial.html' title='Redial'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114743842712747860</id><published>2006-05-12T05:41:00.000-07:00</published><updated>2006-05-12T05:53:47.150-07:00</updated><title type='text'>Bicho-humano</title><content type='html'>João não podia fazer idéia boa de si, porque nunca ouvira uma palavra de carinho. Desde o nascimento, só ganhava apelidos como “peste”, “trapo” e “lixo”. O passatempo preferido de seus pais era coloca-lo de castigo. O dos tios e avós, ignora-lo. O dos primos e colegas de escola, humilha-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de João engravidara quando acreditava que filho de prima com primo nascia com defeito. Ela havia jurado ao primo, pai de João, que jamais pegaria barriga enquanto eles estivessem casados. O descuido a fez ser abandonada pelo marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse coisa-ruim sem pai não vai mamar em mim não! – ela disse para a enfermeira que trouxera João nos braços, logo após o parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o padre dizia ser pecado abandonar o filho, a mãe de João ficou com ele. O pai também ouviu os conselhos da igreja e voltou para a casa da esposa. Marido e mulher passaram a viver como irmãos e descontavam suas frustrações no menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô mosca-morta, vê se faz algo que preste e traz a caixa de ferramentas pra mim – gritava o pai e João obedecia, carregando com dificuldades o objeto tão pesado para seus braços magros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diversão de João era observar e imaginar. Ia ao campinho de futebol nas manhãs de domingo e assistia, escondido, às partidas entre os garotos do bairro. Em sua imaginação, ele tomava o lugar de Zezinho, o zagueiro do time de uniforme azul. Quando fechava os olhos e se perdia em sonhos de jogador, era descoberto por algum dos moleques do banco de reservas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha lá o João-bobo dormindo em pé! – gritava o mais gordinho e os outros garotos gargalhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já disse que aqui não é lugar de bobão! Sai andando, Bicho-torto! – vinha gritando Zezinho com autoridade, ao final da partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bicho-torto” era o apelido de João mais comum entre as crianças e adultos da vizinhança. Seus primos haviam se encarregado de espalhar a história de que ele era filho de primo com prima e, por isso, havia nascido torto. Ao contrário da fama, João não tinha qualquer defeito e até seria bem saudável, se seus pais se preocupassem em alimenta-lo como gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe, essa não é a comida do Rabugento? – às vezes o menino acreditava que sua mãe havia confundido seu prato com a tigela do cachorro vira-lata da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa de ser ingrato, seu melequento! Come tudinho aí! Não quero ver sobrar um grão nesse prato, tá ouvindo, ninho de rato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nunca havia comido doce, João conformava-se com o gosto amargo de suas refeições e ingeria tudo, até o último grão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola, ele tinha um desempenho mediano. E isso lhe rendia muitos castigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai ficar ajoelhado no milho até melhorar essa redação! – exigia a professora, que não entendia como João, um garoto privado de brinquedos e brincadeiras, não conseguia tirar a nota máxima em todas as matérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha esse boletim! Você é um nada mesmo, até uma formiga é mais inteligente do que você! – irritava-se o pai de João toda vez que o menino pedia sua assinatura no boletim da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João não respondia. Nunca respondia. Ele só podia acreditar que todos estavam certos sobre ele. Era mesmo um bicho torto. E um bicho torto não merecia ganhar brinquedos ou ter amigos. Um bicho tinha que viver isolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte anos, arrumou sua bagagem. Além dos trapos velhos para vestir, levava uma rede de pesca e uma faca bem grande para a caça, porque aprendera nas aulas de história que o homem vivera de caça e pesca nas primeiras eras. Carregava também algumas garrafas de vidro que catara nos sacos de lixo da vizinhança, para encher de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia e noite caminhou pelas montanhas para encontrar seu novo lar. Achou uma caverna próxima a um rio de água doce e instalou-se em sua entrada para poder usufruir a luz da lua e do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino imprestável mostrou-se um rapaz bastante eficiente na arte da sobrevivência. Viveu quarenta anos de solidão sem doenças ou maiores necessidades. O silêncio, às vezes, trazia as vozes dos fantasmas do passado; ele apenas as ignorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bairro onde nasceu, João tornara-se uma lenda. Mesmo seus pais haviam esquecido a existência do filho e apontavam Bicho-torto como um personagem do imaginário popular. A estória contada pelos primos e colegas de João para os filhos e, posteriormente, para os netos falava de um menino tão esquisito, mas tão esquisito, que havia se isolado nas montanhas para não incomodar as pessoas do bairro com sua inferioridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos jovens da nova geração sempre acreditara na lenda e resolvera encontrar Bicho-torto nas montanhas. Como repórter de uma emissora de TV da região, levou uma equipe consigo para a viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João estava olhando o horizonte sentado em uma pedra, na frente da caverna, quando ouviu o barulho de passos machucando a natureza. O jornalista e o operador de câmera aproximaram-se, atravessando o mato alto com dificuldades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde! O senhor é morador daqui da região ou está apenas a passeio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bicho-torto demorou a responder. De repente, não sabia se ainda era capaz de conversar com outros homens. Foram quarenta anos de poucas palavras com os animais e outras tantas soltas em pensamento. Recordando-se da fase anterior ao seu isolamento, também não tivera muitas oportunidades de conversa quando ainda convivia com os seres de sua espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase saiu atrapalhada de sua boca, contudo ela foi suficiente para o repórter entender quem João era. O operador ligou a câmera e, por mais de uma hora, o jornalista demonstrou tanto interesse por João, que o morador da caverna não parou mais de falar. Mostrou seu abrigo, contou sua rotina, repetindo cada palavra pacientemente quando o jovem não o compreendia. Esse último, por sua vez, também respondia as dúvidas de seu entrevistado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor é muito habilidoso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o repórter parava a filmagem para dar significado às primeiras manifestações de carinho que João recebia em vida. Com sessenta anos de idade, ele tampouco conhecia os sentimentos que naquele momento formavam um sorriso em seus lábios, mas gostava deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A equipe da TV foi embora e João voltou ao seu isolamento. No entanto, a partir dali, o silêncio lhe traria as vozes dos anjos do passado recente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114743842712747860?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114743842712747860/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114743842712747860&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114743842712747860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114743842712747860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/05/bicho-humano.html' title='Bicho-humano'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114624585561469947</id><published>2006-04-28T10:23:00.000-07:00</published><updated>2006-04-28T10:41:13.210-07:00</updated><title type='text'>Dia das Mães</title><content type='html'>Aos 26 anos, Sônia tinha mais de doze meses de casada e estava grávida pela primeira vez. Seu marido, assim que soube do resultado do exame, resolveu negociar um financiamento no banco para comprar um apartamento de dois dormitórios, porque até então eles moravam em uma kitinete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro Dia das Mães de Sônia foi comemorado na nova residência. Ela estava com sete meses de gravidez. De presente, ganhou um lindo berço para a criança que ia nascer. Sônia gostou da criatividade do marido, pois sabia que no final de maio, na data do seu aniversário, ganharia algo para ser usado por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem... O dinheiro era pouco, as coisas para o bebê estavam muito caras e ainda havia a prestação do apartamento (fora o condomínio, claro). O jantar a luz de velas na casa nova foi um presente bem romântico, sem dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em julho, a menina do casal nasceu com mais de quatro quilos, branca como leite e carequinha. Desde o primeiro minuto em que a viu, Sônia percebeu que a amaria e se preocuparia com ela pelo resto da vida. Realmente ser mãe era uma experiência única e merecia até mais do que um dia como homenagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, a jovem mamãe aguardava flores e bombons, e até alguma jóia como mimo de Dia das Mães. Qual não foi sua surpresa ao ver o grande embrulho retangular entrar pela porta do quarto, empurrado pelo homem da sua vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sônia rasgou o papel de presente com ansiedade e seu sorriso se desfez no momento em que leu a palavra “aspirador”. Diante dela estava o mais novo modelo de aspirador do mercado, aquele que limparia todo o seu apartamento, “deixando-o confortável para toda família”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, nem lembrando do comercial da televisão ela se animava com aquela “homenagem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o aspirador foi muito caro, Sônia ganhou de aniversário mais um jantar em casa, mas sem luz de velas. Apesar de menos romântico, ela deveria ter curtido mais aquele momento, pois, nos anos seguintes, nem o jantar ela ganharia mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Máquinas de lavar roupas, lavar louças, secar roupas. Fogões, geladeiras, conjuntos de panelas. Ferros de passar, liquidificadores, batedeiras. Em todo Dia das Mães, seu marido seguia a grande idéia de aproveitar a data para equipar a vida domiciliar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a filha do casal completou quinze anos, criou uma consciência de que o presente para o Dia das Mães era de sua responsabilidade. Guardou boa parte da mesada até o ano seguinte e comprou de presente um lindo jogo de lençóis para a cama do casal. Era a primeira vez que ela presenteava a mãe gastando seu próprio dinheiro, não tinha como Sônia não ficar emocionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sim, talvez tenha sido um erro não dar dicas à menina para os anos seguintes. Talvez por isso tenham chegado as mãos de Sônia mimos como jogos de toalhas para banho, para mesa de jantar, conjuntos de xícaras de café e chá para o dia a dia... Quando a filha fez vinte anos e entregou à mãe um jogo de sobremesa como presente atrasado do Dia das Mães, Sônia teve que ser sarcástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, filha! Eu não tinha mesmo comprado nada pra você de aniversário, e esse jogo vai ser bem útil para você tomar seus sorvetes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem compreender, a filha de Sônia saiu chateada do quarto da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Cansei de ganhar coisas pra casa! Todos esses anos e não ganho um presente pra mim, como pessoa, como mulher! Chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, pela primeira vez em muito tempo, Sônia viu seu marido e sua filha entrarem com pacotes pequeninos no quarto, na manhã do Dia das Mães. Sua imaginação trabalhou freneticamente na esperança de haver jóias dentro daquelas caixinhas, ou até cartões de vale-compras para diversas lojas de algum shopping center.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela puxou vagarosamente o laço de fita do pacote entregue pela filha. Abriu o papel de presente sem rasgar nenhum pedacinho. Na tampa da caixinha quadrada, havia a foto de um pato de cristal. Ganhara da menina um enfeite para a mesa de centro da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você gosta tanto dessas coisinhas, achei que seria um bom presente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, era um ótimo presente... Afinal, devia ter custado uma nota... Esses mimos de cristal eram caríssimos... E ela realmente gostava de enfeitar a mesa de centro da sala com peças delicadas assim... Mas, por que não se sentia satisfeita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pacote que o marido entregou, havia um vasinho de cristal, um pouco maior do que o pato. A homenageada do dia sorriu para os dois e os abraçou, porém eles perceberam que ainda não haviam acertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um ano se passou e chegou mais um Dia das Mães. Na televisão, os comerciais das lojas de eletrodomésticos lembravam todos os presentes que Sônia ganhou desde a gravidez. Os costumes mudaram com o tempo, menos o de ver as mulheres apenas como donas de casa, as rainhas do lar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campainha tocou insistentemente e, como ninguém atendia, Sônia foi ver quem era. Pelo olho mágico, viu o entregador com uma cesta enorme, cheia de guloseimas. Foi gostoso se fartar de pães e doces em seu dia, mas a mamãe Sônia engordou um quilo depois daquele caprichado café da manhã e jurou nunca mais aceitar comida como presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai e filha juraram que a próxima tentativa seria a última. Enfrentaram o shopping lotado na véspera do Dia das Mães. Sônia e a filha costumavam ter o mesmo gosto para roupas, então não foi difícil escolher as peças. Eles foram dormir ansiosos pela manhã de domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marido de Sônia entrou no quarto pela manhã carregando uma bandeja. Havia preparado o café da manhã para a esposa, porém sem metade dos exageros do ano anterior. Ele e a filha combinaram de esperar algumas horas para dar os presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou o momento, Sônia abriu o maior sorriso ao ver as sacolas da sua loja favorita. Seus olhos brilharam ao ver as blusas que ganhou. Agradeceu sinceramente aos dois amores de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses depois, a jovem pediu a mãe uma roupa emprestada para ir a uma entrevista de emprego. Ela buscava uma nova oportunidade para sua carreira. Sônia imediatamente ofereceu uma das blusas que ganhara no Dia das Mães. As peças ainda estavam com as etiquetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sônia não havia usado os presentes e nunca iria usar. Depois de alguns empréstimos, as blusas passaram a ficar guardadas no armário da filha, sem volta para o guarda-roupas da mãe. O marido não conseguia entender o que houve de errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu adorei as blusas, amor! Mas elas ficam ótimas na nossa menina, não ficaram tão bem em mim. Preciso sempre eu mesma experimentar antes de comprar, não tem jeito. Não fique triste, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não adiantava explicar. Naquele momento, o marido desistia de vez de tentar agradar materialmente a esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, tive uma idéia pra esse Dia das Mães... – cochichou a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sônia acordou na manhã do novo domingo de comemoração esperando ver algum embrulho nas mãos da filha. Contudo, ela segurava apenas um envelope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa, mãe... Aquela oportunidade não rolou e também estou completamente dura esse mês. Mesmo assim, tudo que escrevi aí, é de coração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta tinha seis páginas. Boa escritora, a jovem tinha feito um conto com os melhores momentos vividos entre mãe e filha. Ao final da leitura, Sônia tinha os olhos marejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse foi o presente mais lindo que já ganhei em toda a minha vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sônia mostrou o presente para as amigas, para os primos, para o pessoal do escritório e para sua mãe. Essa última chorou de emoção e, então, reclamou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha neta deve te amar muito mesmo... Eu não tenho tanta sorte, porque minha filha sempre preferiu presentear a casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem compreender, Sônia foi embora, chateada. No caminho, pensou que seria bom encomendar uma cesta de café da manhã de presente para alegrar a mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114624585561469947?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114624585561469947/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114624585561469947&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114624585561469947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114624585561469947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/04/dia-das-mes.html' title='Dia das Mães'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114492969087503822</id><published>2006-04-13T04:55:00.000-07:00</published><updated>2006-04-13T05:01:30.943-07:00</updated><title type='text'>Casamento através dos tempos</title><content type='html'>Sertão da Bahia, final do século XIX. Regilene cumpria sua rotina indo, no lombo do jegue, buscar água na fonte. Estava enchendo o segundo pote de barro quando um sujeito se aproximou, segurando o chapéu de palha junto ao peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina, quer casar comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não era seu namorado. Sequer a conhecia. Regilene sorriu para o moço, mas não respondeu. Voltou alegre para casa, cantarolando no lombo do jegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãinha! Mãinha! Fui pedida em casamento! – entrou gritando na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regilene contou como foi o encontro. Além disso, ela só sabia o nome do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe da moça ensaiou alguns dias para contar a novidade ao marido. Quando tomou coragem, foi procura-lo na pequena roça, próxima a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zé, a menina foi pedida em casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai de Regilene perguntou duas vezes o nome do sujeito, para não esquecer. Um dia, na feira da cidade, encontrou o pretendente da filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rapaz, você trabalha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trabalho sim, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... Mas eu tô precisando de sua ajuda lá na minha roça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, “seo” Zé poderia observar o moço de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante as manhãs, “seo” Zé e o pretendente trabalhavam na roça desde o alvorecer. O sujeito respondia a todas as perguntas do futuro sogro sobre sua infância, educação, família e intenções. Na parte da tarde, ele fazia a roça e a casa para sua futura família – condição essencial para o pai da moça conceder a mão da filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito escolhia os troncos das árvores mais resistentes. Amarrava as varas com cipó, para formar as paredes. Revestiu todas elas com uma mistura de barro e bosta de boi. Quando terminou de cobrir a nova casa com cavaco*, chamou o pai para conversar com “seo” Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu filho pediu a minha menina em casamento. O senhor concorda? – perguntou o pai de Regilene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Concordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia do pedido oficial de casamento, apareceu gente de todos os lugares. “Seo” Zé mandou matar dois bodes e um porco para encher as barrigas dos convidados. Era um grande evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O noivo estava entre os amigos, enquanto a noiva aguardava no quarto. Então, o pai de Regilene perguntou ao pretendente se ele realmente queria casar com sua filha. Ele disse que sim. Mandaram chamar a noiva. O pai do noivo perguntou a ela se a moça realmente queria se casar com seu filho. Ela também disse sim. O noivo escolheu uma data para o casamento. Imediatamente, os pais de ambos não concordaram e marcaram a cerimônia para muito antes do previsto pelo rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse período de espera e preparação, Regilene e o noivo não se viram nenhum dia. Ela sonhava com ele e imaginava a casa nova e o dia do casamento. Ele sonhava com a lembrança dela, linda, buscando água na fonte com os potes de barro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia do casamento chegou. O noivo emocionou-se ao ver Regilene ainda mais bonita entrando na igreja vestida de noiva. Ela irradiava felicidade. E, depois da festa, o novo casal partiu para a rotina que os faria se conhecerem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;.............................................................................&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Sertão da Bahia, início do século XXI. Regilene cumpria sua rotina vindo, de ônibus, visitar os pais no mês de janeiro. Estava juntando sua bagagem quando um sujeito apareceu na porta de acesso ao corredor dos passageiros.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;- Alguém vai descer aqui em Barra do Mendes?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Era o motorista do ônibus. Regilene não respondeu, apenas seguiu com a bagagem pelo corredor. Ele a ajudou a carregar tudo para fora do veículo.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;- Oi, mãinha! Sim, essa barriga é de gravidez! Vem aí o terceiro menino! – disse ao abraçar a mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Os pais de Regilene não conheciam o marido dela. A moça mudou-se para São Paulo há pouco mais de três anos, em busca de melhores condições de vida. Logo no primeiro mês, apaixonou-se por um rapaz da capital e se encontrava com ele todo dia. Em pouco tempo, foi morar com ele e começou a ter filhos, sem qualquer aprovação da família. Ela, o marido e as crianças moravam de aluguel em um barraco de uma boa comunidade. O marido fazia alguns bicos e ela trabalhava como garçonete em um pequeno bar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;*cavaco: tiras de casca de pau&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114492969087503822?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114492969087503822/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114492969087503822&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114492969087503822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114492969087503822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/04/casamento-atravs-dos-tempos.html' title='Casamento através dos tempos'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114380980992832511</id><published>2006-03-31T04:50:00.000-08:00</published><updated>2006-03-31T04:56:49.966-08:00</updated><title type='text'>Num sei não</title><content type='html'>Inocêncio nasceu na casa simples de chão batido da família. Quando a parteira disse a José Antônio que era um menino, o homem pulou tanto de alegria que assustou as crianças presentes na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Antônio, como era conhecido no povoado, dividia o casebre com a família de seu irmão mais velho. Este tinha seis filhos, dois meninos e quatro meninas, na faixa dos dois aos sete anos. A primeira filha de Zé Antônio tinha três anos. Sua esposa demorou a engravidar novamente e, agora, dava luz ao menino que o marido tanto quis desde o casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse ainda vai ser o cabra mais importante do país!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sete anos, Inocêncio já se dividia entre as tarefas na roça e os deveres da escola. Enquanto o pai e o tio trabalhavam nas fazendas próximas para garantir o sustento das duas famílias, Inocêncio e os primos cuidavam da subsistência no pedacinho de terra próximo ao casebre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, Nocênçu? Por causa de quê ocê é que dá as ordem pro seus primo? – perguntavam os colegas da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ambição de Zé Antônio o tornava “puxa-saco” oficial do coronel Adamastor, seu patrão. O lavrador, no final do dia, sempre passava no escritório para cumprimentar o coronel, falar da plantação e contar sobre o crescimento de seu filho. Tanto discursou que convenceu o patrão a trazer o menino para a fazenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adamastor gostou de Inocêncio, então com dez anos, e o colocou para trabalhar como seu “garoto de recados”. Logo julgou o menino ingênuo e acreditou que ele jamais lhe causaria transtornos, pois fazia tudo o que e como o patrão mandava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coronel além daquela plantação no nordeste tinha uma fábrica no sudeste do país. Esta última vinha causando algumas dores de cabeça, devido a pouca obediência dos funcionários. Um dia, Inocêncio entregou um recado a Adamastor sobre a conduta de dois operários da fábrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que esses operários nunca estão satisfeitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não... – respondeu Inocêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adamastor olhou para ele por alguns minutos. No fim do dia, já tinha tudo providenciado para a ida de Inocêncio ao sudeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os primos lhe perguntaram como ele conseguiu essa chance, Inocêncio apenas respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos doze anos, Inocêncio foi morar na região mais próspera do país. Coronel Adamastor o colocou como um “faz-tudo” na fábrica, para começar. O menino pagava contas em bancos, levava documentos para outras empresas e até distribuía panfletos promocionais nos finais de semana. Em seis meses, ele largou de vez os estudos. O trabalho era prioridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo menor de idade, Inocêncio tornou-se operário aos dezesseis anos. Ficou famoso entre os colegas pela sua influência com o dono da fábrica. Aos dezoito anos, foi nomeado líder do Sindicato dos Operários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inocêncio, como de funcionário exemplar, considerado quase como um filho para mim, você foi se tornar o principal negociador desses rebeldes? – perguntou Adamastor com mais curiosidade do que decepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento sindical cresceu e chamou a atenção da mídia. Aproveitando a publicidade, os discursos de Inocêncio e seus companheiros ganharam um tom político. Iam além das reivindicações para a fábrica, com críticas a prefeitura da cidade e ao governo do estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da fundação do Partido dos Operários, a repórter perguntou a Inocêncio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como o senhor conseguiu se tornar presidente de um partido político aos vinte e dois anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o presidente do PO continuou cumprimentando os convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte anos depois, tendo elegido deputados, senadores e governadores, o PO finalmente apresentou o candidato e elegeu o presidente da República. Inocêncio assumiu o governo aos quarenta e dois anos, alegando não saber porquê foi escolhido pelo partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um primeiro momento, o país viveu a euforia de ter um presidente que nasceu pobre como a maioria da população, sem muito estudo, mas que chegou ao topo. Um exemplo para tantas pessoas que viviam sem esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, os sinais da volta da descrença não tardaram. Foi divulgada uma denúncia de corrupção no segundo ano do mandato. O ministro da Agricultura havia desviado dinheiro para benefício de negócios particulares. Esse ministro era o velho coronel Adamastor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Presidente, o senhor sempre considerou o Coronel Adamastor como um segundo pai. O senhor sabe de onde veio o dinheiro que expandiu as plantações do ministro na região central do país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adamastor perdeu o cargo e os direitos políticos. Mas o governo não teve sossego. Justino, um dos fundadores do PO, e então ministro da Defesa, também estava sendo acusado de corrupção, assim como o tesoureiro do PO, Sebastião. Inocêncio continuava respondendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os partidos de oposição se uniram e convocaram a população. Em pouco tempo, o presidente foi deposto. Um dos repórteres que aguardavam a saída de Inocêncio do palácio ainda perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como o senhor explica a sua queda depois de uma eleição tão festejada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os canais de televisão quiseram, então, falar do homem que nunca soube de nada. Todos os programas contaram a mesma história do nascimento até a deposição presidente, exceto um. O apresentador deste terminou sua matéria com o pai de Inocêncio. O velho Zé Antônio, em close na tela, com uma expressão de orgulho e malícia, participou fazendo uma única pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você acredita em tanta inocência?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114380980992832511?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114380980992832511/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114380980992832511&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114380980992832511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114380980992832511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/03/num-sei-no.html' title='Num sei não'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114259777807150163</id><published>2006-03-17T04:11:00.000-08:00</published><updated>2006-03-17T04:21:55.163-08:00</updated><title type='text'>Dinheiro</title><content type='html'>Rafael estava navegando na Internet depois do jantar, quando encontrou a seguinte mensagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Transforme lazer em dinheiro! Saiba como”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase “saiba como” estava sublinhada e em azul. Ele clicou nela com a seta do mouse. Uma nova janela apareceu na tela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Grana extra sem gastar nada! Existe uma empresa, a RichGames, com um sistema simples de divulgação pela Internet. Enquanto ela recebe dinheiro das empresas para divulga-las na rede, nós somos pagos por ela para ler os e-mails, abrir os banners e visitar os sites dessas mesmas empresas. Experimente! Para se cadastrar, clique aqui”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de feito o cadastro, Rafael viu que chegaram novas mensagens na sua caixa de entrada de e-mails. Todas foram enviadas pela RichGames. A primeira era sobre uma empresa de cursos e eventos. Ele abriu e leu todo o texto sem encontrar qualquer coisa indicando quanto ganharia por isso. Convenceu-se rapidamente que aquilo era bobagem e ao fechar a mensagem viu aparecer outra janela na tela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você acaba de receber R$ 0,50. Obrigado pela sua participação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Opa! Não é que é de verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos minutos, Rafael já tinha lido e-mails suficientes para acumular R$ 10,00. Passou ainda parte da madrugada abrindo banners e sites, chegando a um crédito de R$ 100,00. O extrato da sua conta bancária confirmava o depósito feito pela RichGames, no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o dinheiro extra, o rapaz levou sua namorada, Carolina, para jantar em um restaurante caro e ótimo. Carol estranhou o evento chique, mas ele não entrou em detalhes sobre suas condições de bancar aquilo.&lt;br /&gt;- Nós merecíamos algo novo, não é verdade? Quero dar sempre o melhor para você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael correu para o computador, feliz da vida, assim que chegou em casa. Passou a madrugada toda abrindo e-mails, banners e sites e acumulou mais R$ 300,00. O novo crédito foi dedicado a mãe dessa vez. Ele a levou para almoçar em um bom restaurante e depois fez algumas compras para ela no Shopping - dando como desculpa no trabalho que não estava se sentindo bem, para poder passar a tarde fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o rapaz passou as duas primeiras semanas, dormindo pouco e gastando em agrados para si mesmo, a namorada e a família. Seu desempenho caiu muito e a diretoria da empresa na qual trabalhava começou a reclamar. Porém, no meio da terceira semana, ele recebeu um aviso sobre novidades na RichGames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Use o discador da RichGames para acessar a Internet e ganhe R$ 0,50 por hora conectado!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais dinheiro fácil, pois Rafael já passava as madrugadas todas conectado a Internet. Contudo, ao fim de mais uma semana, a RichGames passou a oferecer R$ 1,50 por hora de acesso através de seu discador durante o dia. Foi nesse momento que Rafael resolveu largar o emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já tô quase ganhando mais com a RichGames do que com aquela empresa tosca mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus pais não gostaram muito da idéia, mas também não deram muitos palpites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não entendemos nada de computador. De repente o menino tem razão no que está fazendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vantagem era que, usando o computador o dia todo, Rafael voltou a dormir mais durante a madrugada. E dessa vez, além de ficar conectado manhã, tarde e noite, ler e-mails e banners comerciais e acessar sites, ele passou a fazer parte de um jogo, o RichGame. O cenário deste era uma cidade e os personagens, internautas a procura de recompensa. O game em tempo real ainda possibilitava alguma interatividade com outros internautas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis meses se passaram e o saldo da conta de Rafael ficou cada vez maior. Com isso, Carolina ganhou o romantismo capitalista do namorado regado de presentes e jantares a luz de velas. Os pais receberam um ótimo home theather para assistir a filmes na sala de estar. Rafael ainda trocou de carro e reformou seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que precisava deixar o RichGame para passear com a namorada ou ver os amigos, Rafael tinha que explicar ao jogo o motivo da paralisação de sua participação. Em uma sexta-feira ele já estava pronto para ir ao aniversário de um amigo de infância, quando o game apresentou a seguinte resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se você paralisar sua participação agora, perderá a recompensa de R$ 5.000,00. Deseja continuar a paralisação?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael não sabia o que fazer. Seus pais não saberiam jogar aquilo. E se faltasse a festa, seu amigo jamais perdoaria. Carolina também não entenderia se ele pedisse para ela ir sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ambição financeira falou mais alto e Rafael ficou em frente ao computador jogando. Sua mãe bateu na porta perguntando se ele não estava atrasado para a festa e ele se limitou a responder que não ia sair. Não atendeu aos telefonemas de Carolina, nem mesmo aos de seu amigo aniversariante. Pensava: “Relaxa, amigão! Com essa grana vamos fazer uma grande viagem com a galera e você vai esquecer essa festinha sem graça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado, na hora do almoço, Carolina apareceu em seu quarto. Ele ainda estava de frente para o computador, digitando sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rafa, você precisa parar com essa história de RichGames. Olha o tamanho das suas olheiras! Fora que você deu a maior mancada do século ontem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carol, preciso me concentrar. A gente sai mais tarde pra jantar e chama o pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deixou o quarto sem conseguir falar mais nada. Rafael simplesmente esqueceu do compromisso quando a noite chegou. O jogo estava prometendo recompensas de até R$ 50.000,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias foram passando sem que Rafael notasse. Sua mãe levava o almoço e o jantar em seu quarto, tentava passar os recados dos telefonemas que ele não atendia, mas sabia que ele mal a ouvia. As únicas vezes que ele conseguia paralisar o jogo sem que a RichGames se opusesse era quando ele ia tomar banho e dormir. A empresa encarregava-se de disparar um alarme para que ele não demorasse muito nessas tarefas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina tentou pela última vez falar ao vivo com o namorado. Rafael sentiu que a estava magoando de verdade ao ouvir seu discurso e resolveu parar o game para sair com ela. Porém, quando tentou fechar a janela, o RichGame deu essa resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se você paralisar o jogo agora, nunca mais poderá acessar nenhum serviço da RichGames. Deseja continuar?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chocado, entre o computador e a namorada, Rafael parecia um viciado em drogas ao dizer para Carolina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amor, não posso parar agora, está vendo? Seja compreensiva, nos encontramos mais tarde, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O namorado mal olhava para Carolina ao dizer essas palavras. Ela se limitou a bater a porta do quarto. E nunca mais voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um ano os pais de Rafael tentaram conversar com ele e não conseguiram. O rapaz só falou uma vez com eles naqueles doze meses, porque precisava contar que tinha comprado uma casa na praia para os dois, através de um leilão da RichGames. No início do ano seguinte, os pais se mudaram para a casa de praia e Rafael só notou que não recebia mais suas refeições diárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus próximos seis meses morando sozinho não foram difíceis. Pagava as contas da casa, fazia compras e pedia comida pela Internet. A lavanderia também vinha retirar e trazia de volta suas roupas. Mal notou que o telefone parou de tocar e que sua caixa de entrada só tinha e-mails comerciais da RichGames e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os dez jogadores do RichGame, Rafael foi o melhor. A amizade virtual entre os participantes tinha acabado há muito tempo, porque a competitividade era maior que o sentimentalismo. E chegou o dia em que Rafael ficou tão rico que não precisava mais continuar jogando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse momento que ele olhou para além do computador. Viu, de repente, sua vida. Estava montado na grana, mas sem namorada, sem amigos, sem família, sem ter com quem gastar sua fortuna. Rico e solitário, ao mesmo tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114259777807150163?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114259777807150163/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114259777807150163&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114259777807150163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114259777807150163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/03/dinheiro.html' title='Dinheiro'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-114138808607624952</id><published>2006-03-03T04:05:00.000-08:00</published><updated>2006-03-03T04:14:46.080-08:00</updated><title type='text'>Renovar</title><content type='html'>Mestre Beto é morador de rua. Dorme sempre no mesmo banco da calçada próxima a uma biblioteca. Porém, só deita nele depois da meia-noite e levanta todos os dias às cinco horas da manhã, período em que não há movimento por ali. Durante o dia, Mestre Beto passeia pelo quarteirão, cumprimentando as pessoas e desejando bons dias. Jamais pede esmolas ou incomoda os transeuntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há nove meses, quando foi despejado da quitinete que alugava no centro da cidade, Mestre Beto foi obrigado a ficar na rua. Mas teve como opção trocar de bairro, e o fez, porque sentiu vergonha de sua condição perante os amigos e conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade encarava uma primavera quente nessa época, então ele não teve dificuldades para se acostumar a dormir ao relento. E havia escolhido ficar próximo a uma biblioteca, porque estar perto de um local voltado para a cultura era uma forma de não apagar de sua memória os dias gloriosos do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando jovem, Betinho, como era conhecido, formou-se em História. Começou a carreira dando aulas em cursinhos pré-vestibulares e logo conseguiu vaga em uma grande Universidade. Lecionou por mais de trinta anos com gigantesca paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, chegou o dia em que a direção da Universidade mudou, as exigências curriculares aumentaram e o professor Beto foi demitido. Homens e mulheres jovens, apresentando certificados de mestrados e doutorados, substituíram boa parte do velho corpo docente. Depois de um ano procurando emprego e vendo o dinheiro ir embora, o professor Beto não teve mais condições para pagar o aluguel da quitinete e passou fome nos três meses que esperou para ser despejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde mora agora, Mestre Beto conquistou facilmente a amizade de alguns trabalhadores do quarteirão com sua simpatia. Com o tempo, passaram a trata-lo como uma espécie de segurança da área, já que ele estava sempre ali, acompanhando atentamente a rotina. Os donos da lanchonete e do restaurante por quilo da rua da biblioteca até lhe pagavam com duas refeições básicas por dia e o deixavam usar o banheiro livremente – no qual ele ainda arriscava uns banhos de torneira na pia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus novos amigos gostavam muito de conversar com ele nas horas vagas. Porque Beto contava histórias, as histórias de verdade. Do país, do mundo. As mesmas que aqueles homens e mulheres já haviam escutado na escola, mas que agora eram apresentadas a eles com uma riqueza de detalhes impressionante. Foi por esse motivo que ele ficou conhecido como Mestre Beto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou o outono, Olavo, que trabalha na biblioteca há cinco anos, fez uma campanha para arrecadar algumas roupas de frio para Mestre Beto. O morador de rua pôde, então, enfrentar bem aquecido a queda de temperatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa madrugada, Mestre Beto passou sua primeira noite de inverno na rua. Fez tanto frio, que ele não conseguiu dormir nem por um minuto. Olavo entra na lanchonete de manhã e escuta quando Mestre Beto comenta com o dono do estabelecimento que está pensando em procurar um albergue para as próximas noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mestre, vem comigo até a biblioteca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olavo oferece uma cadeira para Mestre Beto, quando eles entram na biblioteca, e expõe sua idéia. Ele convida o morador de rua para dormir lá dentro durante o inverno. Os funcionários da biblioteca arrumariam um colchão e ele poderia ficar ali durante a noite. Beto tem os olhos marejados ao dizer que aceita a oferta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado, meu amigo! Muito obrigado! Você é realmente um rapaz muito bom! Obrigado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso, Mestre! Não estou fazendo nada mais do que a minha obrigação. Além disso, sei que o senhor vai se divertir com esses livros, hein? Só não vale bagunçar tudo, beleza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é claro que não. Porém, confesso que lerei muitos livros! Ah, como é bom voltar a leitura, rapaz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua primeira noite na biblioteca, Mestre Beto repara no estado de conservação do acervo. São mais de quinhentos mil itens mal cuidados e sem organização espacial. Nem dez por cento se encontra catalogado eletronicamente – todo o restante consta em fichas escritas à mão, quase apagadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São dez jovens funcionários contratados e apenas três vêm trabalhar na biblioteca. E nem esses três fazem o serviço corretamente. Enquanto isso, velhos como eu, mas ainda dispostos, são recusados para qualquer emprego. O que há com esse país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre livros, revistas, postais e jornais misturados, Mestre Beto se revolta e resolve arrumar sua nova casa. Começa por separar os materiais por assunto e leva a noite toda para organizar cinco por cento dos itens. Só percebe que não dormiu nada quando vê Olavo e Bianca entrando na biblioteca as nove da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa, meu amigo Olavo, mas não estou bagunçando nada, porque esse lugar já estava bem bagunçado! – diz rindo ao ver a cara de espanto de Olavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mestre, o senhor não precisa se preocupar com isso. Está aqui como hóspede. Deixe como está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa ele, Olavinho! Pelo visto, o Mestre tá bem contente de poder cuidar dessa velharia. Fiquei até com vontade de comprar material para ele encadernar os mais antigos – empolga-se Bianca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára com isso! Você é muito folgada, Bia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho melhor eu sair, não quero atrapalhar o trabalho de vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Beto faz uma de suas refeições na lanchonete e passa o dia todo na rua, fazendo sua vigilância costumeira. Às vezes dá uma espiada dentro da biblioteca e vê Olavo continuando seu trabalho e Bianca batendo papo na Internet. Bruno, que também bate seu cartão de ponto lá todos os dias, não apareceu hoje. Os outros sete funcionários não aparecem há mais de um ano, pois Bruno bate os cartões de ponto deles, ganhando uma comissão por isso. Ninguém fiscaliza o local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa segunda noite na biblioteca, Mestre Beto decide mudar de atividade. E consegue catalogar eletronicamente mais dez por cento do acervo. Bianca demora a acreditar quando vê a tela do computador no dia seguinte. Engole em seco sua vergonha e passa as suas próximas horas de trabalho continuando o que Mestre Beto começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três meses de inverno correm em intensa atividade. Mestre Beto passa a ajudar Olavo e Bianca também durante o dia e com a chegada da primavera mais de sessenta por cento do acervo já está organizado nas prateleiras e catalogado no computador. Bruno assiste àquela renovação da biblioteca indignado e de braços cruzados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem clientes temos! Pra quê tanto trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escutar isso, Mestre Beto traça uma nova meta: atrair adultos e crianças para a biblioteca durante as férias de verão. Olavo e Bianca ficam empolgadíssimos com o novo desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda dos outros trabalhadores do quarteirão, a equipe monta um cenário de teatro atrás do banco no qual Mestre Beto dormiu tantas noites. O primeiro dia de apresentação agrada tanto as crianças, que garante público para o verão todo. O único ator é Mestre Beto, contando histórias de livros da biblioteca com alegria e paixão, incentivando a imaginação de sua platéia através da leitura. As crianças e até mesmo os adultos ficam tão fascinados pelo que a leitura pode proporcionar que logo em seguida alugam novos livros na biblioteca, antes de irem para suas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento no quarteirão logo chama a atenção da imprensa e, conseqüentemente, da direção da biblioteca. Uma fiscalização severa demite os sete funcionários “fantasmas” e Mestre Beto é contratado no lugar de Bruno, por um salário maior. A diretoria ainda lança campanhas para arrecadações de livros novos e edições atualizadas dos títulos do acervo. Uma quitinete é construída nos fundos da biblioteca para Mestre Beto morar. A biblioteca torna-se uma grande atração permanente, graças ao velho professor renovador, ainda que desprovido de mestrados e doutorados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-114138808607624952?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/114138808607624952/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=114138808607624952&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114138808607624952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/114138808607624952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/03/renovar.html' title='Renovar'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113959571732778138</id><published>2006-02-10T10:14:00.000-08:00</published><updated>2006-02-10T10:21:57.340-08:00</updated><title type='text'>Aeronave</title><content type='html'>Observação: Esse conto já foi publicado no dia 9 de dezembro. Como muitas pessoas não gostaram do final e o consideraram confuso, estou publicando uma nova edição do conto, com um novo final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aeronave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu em uma pequena cidade chamada Argina. Betinho, Eduarda, Marilinha, Lipe e Denis, todos com nove anos, brincavam na rua próxima a praça principal quando ouviram um barulho ensurdecedor vindo do céu. Lipe olhou para cima e não conseguiu dizer nada. Betinho gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corre! Vai cair em cima da gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objeto caiu a poucos metros deles. Com o violento impacto sobre o solo, as cinco crianças caíram de bruços. Na praça, os adultos deitaram no chão e cobriram suas cabeças com os braços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Betinho virou o rosto para trás e viu a peça envolvida pela fumaça produzida pelo contato com o asfalto. Seus amigos levantaram junto com ele e os cinco foram em direção ao objeto. Parecia ser o bico de um avião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem alguém aí? Ei? Tem alguém aí? – chamou Eduarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, eu não quero ver gente morta! – chorou Marilinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relaxa, Marilinha! Vem Duda, vamos dar uma olhada lá dentro – falou Denis, puxando a amiga pelo braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia sobrado nenhum caco de vidro nas janelas da frente. O que seria a porta de entrada de passageiros estava amassada como se tivesse levado um forte soco no centro. O suposto pedaço de um avião acabava ali, logo depois da porta. Betinho e Lipe entraram por trás, mas não viram corpo nenhum lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Crianças, saiam já daí! Os bombeiros já foram chamados! – gritou um senhor na praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ajudem! Ajudem! Uma outra parte caiu ali na rua de trás! – veio gritando uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduarda e Denis saíram correndo em direção a tal rua. Mas a confusão ao redor era tanta, que os dois não conseguiam passar pelo asfalto. Havia um mar de curiosos e bombeiros chegando. Optaram por pular os muros das casas vizinhas e cortar caminho por dentro de cada quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastados do objeto pelos bombeiros, Betinho e Lipe puxaram Marilinha pelos braços e seguiram atrás de Eduarda e Denis. Quando os cinco chegaram na outra rua, viram o que parecia ser o final da cauda de um avião. Também não havia ninguém lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas onde será que está o resto? – perguntou Betinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças ficaram paradas olhando a peça, cheias de dúvidas. Na rua próxima a praça, os bombeiros cancelaram as buscas e confirmaram que não havia risco de explosão. Todas as pessoas em volta quiseram, então, olhar de perto o que agitou tanto o dia daquela pacata cidade. Mas ninguém quis tirar os objetos de onde eles caíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã do dia seguinte, as crianças encontraram um guia turístico rodeado de estrangeiros, próximo ao bico de aeronave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estudiosos garantem que essa peça é um pedaço de uma nave espacial. Especula-se que um acidente ocorreu quando a nave entrou na órbita terrestre e dois pedaços caíram aqui, em Argina. – narrava o guia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de um mês depois, outro guia dizia ter mais informações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O acidente separou a nave espacial em cinco pedaços, sendo que dois caíram aqui em Argina. Essa peça, como vocês podem notar, era a cauda do aparelho e não havia ninguém nela quando esta foi encontrada. Já na parte da frente, que caiu próxima a praça principal... – o guia vê as crianças próximas à roda de turistas e aponta para Denis – Venha aqui, menino. Sei que você estava presente no dia em que os extraterrestres invadiram Argina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guia abriu espaço entre a multidão e puxou Denis pelo braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse garoto teve contato direto com os extraterrestres. Conte-nos mais sobre eles, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas olhavam para Denis com tanta curiosidade que o menino entrou no jogo, inventando histórias sobre seu contato com os ETs. Logo o sucesso da nova atração foi noticiado pela mídia e a atividade turística de Argina cresceu muito através dos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até chegar a época de irem estudar em universidades, Betinho, Eduarda, Marilinha, Lipe e Denis contribuíram muito para incrementar as histórias da visita dos extraterrestres a Argina. Inclusive, acompanhavam os guias em alguns passeios para passar mais credibilidade aos turistas. E depois que a turma saiu da cidade para estudar na capital, os guias trataram de transforma-los nos heróis que salvaram a Terra do ataque dos ETs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113959571732778138?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113959571732778138/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113959571732778138&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113959571732778138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113959571732778138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/02/aeronave.html' title='Aeronave'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113898794196877100</id><published>2006-02-03T09:23:00.000-08:00</published><updated>2006-02-03T09:38:32.516-08:00</updated><title type='text'>Fome</title><content type='html'>Cadu, Drica, Nanda, Tony, Rique e Tina nasceram, foram criados e ainda moram em São Paulo. Jovens, na faixa dos 20 a 30 anos, eles são da geração que aprendeu a contar com serviços disponíveis vinte e quatro horas por dia, a semana toda. Adoram sair para jantar depois das onze horas da noite nos fins de semana ou comprar lanches e sobremesas de madrugada, depois das baladas, mesmo quando elas são de quarta-feira, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que todos completaram a maioridade, os seis amigos organizaram várias viagens, em geral para o interior do estado. Isso porque os sítios com piscina, localizados nas cidades menores e mais próximas da capital, eram as hospedagens favoritas da turma. Neles, era possível fazer festas à vontade sem incomodar os vizinhos ou mesmo cozinhar para as refeições, o que os ajudava a gastar menos com baladas e restaurantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para esse verão, eles programaram algo diferente. E agora estão, pela primeira vez, em Florianópolis, a capital de Santa Catarina. Foram seis meses economizando dinheiro para investir nessa viagem e logo que pisaram em uma das belas praias da ilha sentiram que valeu a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia foi de muito sol e mar. Com o carro que alugaram para passear, puderam conhecer três praias. Aproveitaram cada momento até o sol se pôr completamente e a noite escurecer o caminho de volta para a pousada, na qual estão hospedados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu, esse lugar é show! Mas to cansadaço, vou tirar um cochilo – disse Rique ao entrar no apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou a primeira no banho! – adiantou-se Tina, correndo em direção ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre cochilos, banhos e conversas a turma se arrumou e só ficou pronta para sair depois das dez horas da noite. Tony, durante o dia, havia reparado nas faixas dos restaurantes da Lagoa da Conceição sobre os preços das seqüências de camarão e estava louco para pedir uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas da Lagoa, Cadu é o motorista do carro e, antes de estacionar o veículo, repara que o primeiro restaurante está fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Opa, seguindo direto pro próximo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no segundo restaurante, Drica desce do carro para ler o aviso colado na porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Galera, o horário de funcionamento é das onze da manhã até as dez da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê tá brincando, Drica? Que manés! Em pleno verão fechar o restaurante as dez da noite?! – responde Tony, indignado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, parece que não vamos conseguir nada mesmo por aqui agora... Sua seqüência de camarão vai ficar pra amanhã, Tony. – diz Nanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O negócio é ir pro centro, cara. Só no centro as coisas devem funcionar na madrugada dessa ilha. – recomenda Rique para o motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cadu pega o caminho para o centro e logo se depara com o trânsito. Drica, que está no banco ao lado do motorista, liga o som. Os quatro jovens, apertados no banco traseiro, cantam animados, acompanhando a música do Skank. Passa-se uma hora e eles não estão nem na metade do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, tô desacreditando nesse trânsito! – exclama Tony, mais uma vez indignado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que é por causa daquela balada que vimos de dia, fica logo ali na frente – arrisca Nanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Cadu, será que não é melhor a gente voltar pra trás? Será que não tem outro caminho? – sugere Tina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que a Nanda tem razão, deve ser por causa da balada. – responde Cadu – Já está andando, olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio marca uma hora da manhã quando Cadu consegue estacionar o carro no centro de Floripa, em uma vaga bem apertada. A pizzaria do outro lado da rua parece estar aberta. A turma se aproxima e uma mulher, do lado de dentro do estabelecimento, fecha a porta na frente deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha linda, nós vamos entrar. – diz Rique para a moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinto muito, senhor, mas nós estamos fechando. – responde a garçonete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da porta, do lado de fora, está colado um papel com o horário da pizzaria: jantar das 18h30 às 01h00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é possível! Simplesmente não é possível! – reclama Tony, irritado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora? To morrendo de fome! Não tem nem uma bolachinha na pousada... – chora Tina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu, esse lugar não existe! Vida noturna só em Sampa mesmo! – diverte-se Rique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos o Mc Donald’s deve estar aberto, galera. Tem que estar! – lembra Cadu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seis entram no carro e Cadu pega uma rua que acredita ser o caminho para o Mc Donald’s. Ninguém havia lembrado de providenciar um mapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós estamos desde as quatro da tarde sem comer... Vou desmaiar desse jeito! – chora Tina mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, Tininha! Pensa que fome é algo psicológico! – brinca Rique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, não é por aqui... Que droga! – pensa Cadu em voz alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você tivesse tentado primeiro o caminho que te falei, já estávamos lá! Essa ilha nem é tão complicada pra você se perder desse jeito! – emburra Drica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô mané, por aqui, daqui a pouco, estamos de volta pro sul da ilha! – diz Nanda, cutucando Cadu nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já sei, já sei! Vocês querem parar de falar?! – irrita-se Cadu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase duas horas da madrugada, Cadu, Drica, Nanda, Rique, Tony e Tina conseguem entrar no Mc Donald’s. Felizmente, a lanchonete resolvera funcionar até as seis horas da manhã durante o verão. Depois de dois lanches completos para cada um, não havia mais nada a fazer a não ser voltar para a pousada e descansar para o dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanhã eu como minha seqüência de camarão! De qualquer jeito! – promete Tony.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos é fazer compras, isso sim. Deixar bolachas na pousada de reserva – determina Tina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tô tranqüila agora. Gente, o Mc fica aberto! Já podemos vir ao Mc todos os dias! – Drica ri e os outros riem com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você adorou que a solução foi o Mc, né, ô viciada em lanches? – Cadu dá um beijo na testa da namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca mais eu passo fome desse jeito, cara! Vou morar em Sampa pra sempre! – finaliza Rique.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113898794196877100?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113898794196877100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113898794196877100&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113898794196877100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113898794196877100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/02/fome.html' title='Fome'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113838891506959127</id><published>2006-01-27T11:01:00.000-08:00</published><updated>2006-01-27T11:08:35.080-08:00</updated><title type='text'>Violência urbana</title><content type='html'>Durante a semana, Pedro vai ao apartamento da namorada, na zona sul de São Paulo, às terças e quintas. Na sexta-feira, é ela quem vai para a casa do namorado, na zona norte, ficando lá todo o final de semana.&lt;br /&gt;Não é difícil para Pedro conseguir uma vaga na frente do prédio da namorada. Mas, nesta quinta-feira, havia movimento no salão de festas do condomínio e ele teve que deixar o carro estacionado do outro lado da rua, um quarteirão antes da guarita do porteiro.&lt;br /&gt;Já passava das onze horas da noite. Pedro sentia-se cansado e queria chegar logo em casa. Estava abrindo a porta do carro do lado do motorista, quando dois homens, um mais baixo e outro mais alto do que ele, vieram em sua direção.&lt;br /&gt;- Passa a carteira, ô playboy – intimou o mais alto, apontando uma faca grande e bem afiada para a barriga de Pedro, que levantou os braços.&lt;br /&gt;- Calma. Eu vou abaixar esse braço agora, para pegar a carteira no bolso de trás da calça – Pedro respondeu lentamente, acenando com um dos braços erguidos.&lt;br /&gt;Enquanto o assaltante mais alto conferia os valores em dinheiro dentro da carteira, e o mais baixo apontava outra faca em sua direção, Pedro arriscou negociar a liberação dos seus documentos:&lt;br /&gt;- Por favor, pode levar tudo que o senhor quiser. Só deixe meus documentos. Sabe como é, é um trabalhão tirar documentos novos e...&lt;br /&gt;- Cala a boca, mané – interrompeu o assaltante alto, jogando a carteira para Pedro – Só tô interessado na grana, tá sabendo? Foda-se teus documentos!&lt;br /&gt;O homem mais baixo observou o interior do carro de Pedro.&lt;br /&gt;- Mano, olha esse som! Vamo levá, vamo levá!&lt;br /&gt;O assaltante alto aproximava-se do carro quando uma Pick-up apareceu em alta velocidade no início da rua, a três quarteirões dali, fazendo os pneus cantarem no asfalto. Seu motorista parou o veículo de repente ao lado de Pedro e dos assaltantes e desceu com uma arma calibre 38 em punho. Os dois homens guardaram suas facas nas calças e saíram correndo, perseguidos pelos tiros disparados pelo senhor alto e forte, vestido com um terno preto, que descera da Pick-up.&lt;br /&gt;Enquanto era assaltado pelos homens com facas, Pedro não sentiu medo. Mas, naquele momento, sentia o corpo tremer diante do cara armado, e chegou a pensar que seria seqüestrado. E se estivesse em meio a uma guerra entre gangues? Os ladrões com facas teriam invadido o território do fortão? Para tentar manter a calma, lembrou dos programas que assiste de vez em quando, nas tardes de domingo, e esboçou um pequeno sorriso amarelo ao pensar que aquilo poderia ser uma pegadinha televisiva. Onde estariam as câmeras? Tudo é possível atualmente.&lt;br /&gt;O senhor alto e forte caminhou na direção de Pedro. O rapaz não sabia o que fazer.&lt;br /&gt;- Você está bem?&lt;br /&gt;O corpo de Pedro parou de tremer. Sua expressão de dúvida sobre aquela pergunta alertou o homem forte, que guardou o revólver na parte interna do paletó. Quando estendeu sua mão para o rapaz novamente, nela havia um cartão de visitas.&lt;br /&gt;- Meu nome é Ronaldo Cobra, sou membro do Batalhão de Choque da Polícia Militar. – a voz dele era intimidadora – Mas faço bicos como segurança nas horas vagas. – continuou em um tom mais informal.&lt;br /&gt;- Eh... Ah... Desculpa... Senhor... Cobra? Mas como o senhor sabia da presença desses sujeitos aqui?&lt;br /&gt;- Esses dois vêm assaltando muita gente nessa região há um mês. Estou trabalhando como segurança em uma danceteria aqui perto e ouvi algumas pessoas fazendo a descrição da dupla. Achei que hoje eles não me escapariam.&lt;br /&gt;- Ah, sim... Então, o senhor os viu passando, pegou um carro e veio correndo?&lt;br /&gt;- Hum, mais ou menos... – Cobra abriu um sorriso, sem motivo aparente, e cruzou os braços, olhando para Pedro.&lt;br /&gt;- Bom, então, obrigado pela ajuda! Boa noite aí! – disse Pedro rapidamente.&lt;br /&gt;Ele mal apertou a mão de Ronaldo e entrou no carro. Em poucos minutos, estava em uma avenida, a caminho de casa. Ao parar no semáforo, olhou o cartão de Ronaldo Cobra.&lt;br /&gt;- Que história mais estranha! Parece até que tô dormindo! E ainda por cima aquele sorriso esquisito... Será que o louco da Pick-up tava de olho em mim? Sai pra lá!&lt;br /&gt;A luz verde acendeu e Pedro seguiu em frente, ligando para a namorada, pelo celular.&lt;br /&gt;- Amor, acho melhor eu ficar um tempo sem aparecer na sua rua...&lt;br /&gt;Numa esquina próxima dali, um homem forte, de terno preto, dentro de uma Pick-up, observava o carro de Pedro se afastar. No banco de trás da Pick-up, havia mais dois homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113838891506959127?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113838891506959127/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113838891506959127&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113838891506959127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113838891506959127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2006/01/violncia-urbana.html' title='Violência urbana'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113475781794518296</id><published>2005-12-16T10:27:00.000-08:00</published><updated>2005-12-16T10:30:17.956-08:00</updated><title type='text'>Processo seletivo</title><content type='html'>“É sempre a mesma coisa. Os caras te chamam pra entrevista, você chega no horário e tem que esperar pelo menos meia hora até alguém te atender. Eles não adiantam o valor do salário por telefone, então nem sei se estou perdendo meu tempo aqui. E nem deve ser entrevista, deve ser uma prova ou dinâmica de grupo, como todas as empresas fazem agora. Que coisa mais chata!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Cíntia se concentra nesses pensamentos, sentada no sofá da recepção da empresa, Marina sai do elevador se sentindo perdida no hall do andar. Há quatro portas de vidro na frente dela e nenhuma tem identificação. Ela pensa: “Por que eles não colocam pelo menos uma plaquinha indicando ‘RH’? Será que isso já é um teste pra vaga? Hoje em dia eles inventam tantos testes pra contratar alguém...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver Cíntia interrompe os pensamentos de Marina. Ela entra na recepção e cumprimenta a amiga, animada com a coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Cí, que bom que você também está aqui! Sempre me sinto tão perdida nessas empresas cheias de processos seletivos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também! É sempre bom ter alguém conhecido por perto, principalmente se for dinâmica de grupo. Dá um receio daquelas pessoas estranhas trabalhando em grupo com você, prontas para te boicotar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, dentro do elevador, Priscila conversa com Gabriela e Bianca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma vez, durante uma dinâmica, me colocaram no grupo de uma louca que discordava de tudo que todos os outros da roda falavam. Tipo, nós éramos do time dela e ela boicotando todas as nossas idéias. A nossa apresentação acabou sendo a pior e nem a louca conseguiu a vaga depois. Bem feito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sem noção! E uma dinâmica que eu fui, que contrataram a pessoa que menos abriu a boca durante todo o processo. Todas as pessoas da sala cheias de idéias boas, todo mundo super participativo e a caipira quieta e isolada que levou o salário! – responde Bianca, enquanto as três saem do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas encontram fácil a porta certa para a empresa, pois vêem Cíntia e Marina. Quando o elevador anuncia que mais alguém vai descer naquele andar, as cinco recém-formadas já não se espantam ao ver mais uma colega de faculdade aparecer no hall. Dessa vez é Fabiana:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, não acredito! É reunião das meninas da sala mesmo? – comenta logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elevador traz mais duas: Camila e Joana. A recepção agora está lotada e as moças falam todas ao mesmo tempo. A animação é tanta, que nenhuma delas percebe o homem um pouco mais velho que chega e senta-se para aguardar a entrevista, como elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aquela prova para a vaga na TV semana passada? Colei todas as respostas de atualidades da garota mais nerd da manhã, que estava sentada bem do meu lado! – confessa Cíntia, rindo da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também, eles colocam todo mundo numa sala de auditório, como se ninguém se conhecesse pra colar. Encontrei um amigo meu de outra faculdade que falou que a sala dele inteira tava lá, todos sentando perto uns dos outros. Quem perderia essa brecha? – complementa Marina, também achando graça da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que deveríamos fazer uma comunidade na Internet: “eu odeio processo seletivo”! – diz Fabiana e as outras brincam discutindo quais tópicos de discussão teria a comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro canto do sofá da recepção, Bianca mostra-se saudosa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E pensar que antigamente era só uma entrevista com o chefe da empresa e você já era ou não contratado na hora... Meu primeiro emprego, antes de entrar na faculdade, foi assim. Fui lá, conversei meia hora com o chefão e já tava contratada. Sem frescuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com certeza era bem mais fácil e mais eficaz também. Quem não concorda com isso, é puxa-saco de RH – comenta Gabriela rindo e reparando pela primeira vez no homem sentado próximo a ela – Oi, você não concorda com a gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa?! – responde o homem olhando pela primeira vez diretamente a uma das moças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não concorda que esses processos seletivos de hoje em dia não levam a nada? – Gabriela repete a pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, não é bem assim... – começa o homem - Acredito que as atividades em grupo revelam bem o estilo de cada um para o trabalho. Claro que também são necessários funcionários bastante perspicazes para fazer a observação desses grupos. Contudo, sobre os enganos na contratação, esses ocorriam mesmo quando era utilizada apenas uma entrevista por candidato. Então, concordo que nenhum processo seletivo é cem por cento eficaz, mas a evolução dos métodos é muito positiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ponta mais distante do sofá, Joana fala baixo e ri com Camila e Cíntia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E este é um dos puxa-sacos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela porta lateral próxima a mesa da recepcionista, uma mulher elegantemente vestida e usando um crachá da empresa entra na sala e chama pelo nome do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou eu – diz ele, levantando-se da cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor me acompanhe, por favor, até a minha sala. – Ela se volta para as meninas - Quanto a vocês, senhoritas, infelizmente nenhuma foi aprovada na primeira fase do processo seletivo. Guardaremos os currículos de vocês em nosso banco de dados para as próximas oportunidades. Obrigada pela participação e até a próxima. – E de novo olhando para o homem – Vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos desaparecem pela porta lateral e as meninas ficam por um minuto em silêncio. Cíntia é a primeira a se manifestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que processo? Que primeira fase?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recepcionista, então, resolve explicar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estão vendo aquelas duas câmeras ali em cima, penduradas no teto? Então, a primeira fase aqui é a observação das atitudes dos candidatos logo na recepção da empresa. Parece que eles não gostaram muito das posturas de vocês...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113475781794518296?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113475781794518296/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113475781794518296&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113475781794518296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113475781794518296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/processo-seletivo.html' title='Processo seletivo'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113413375555409784</id><published>2005-12-09T05:01:00.000-08:00</published><updated>2005-12-09T05:24:58.726-08:00</updated><title type='text'>Aeronave</title><content type='html'>Aconteceu em uma pequena cidade chamada Argina. Betinho, Eduarda, Marilinha, Lipe e Denis, todos com nove anos, brincavam na rua próxima a praça principal quando ouviram um barulho ensurdecedor vindo do céu. Lipe olhou para cima e não conseguiu dizer nada. Betinho gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corre! Vai cair em cima da gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objeto caiu a poucos metros deles. Com o violento impacto sobre o solo, as cinco crianças caíram de bruços. Na praça, os adultos deitaram no chão e cobriram suas cabeças com os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Betinho virou o rosto para trás e viu a peça envolvida pela fumaça do contato com o asfalto. Seus amigos levantaram junto com ele e os cinco foram em direção ao objeto. Parecia ser o bico de um avião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem alguém aí? Ei? Tem alguém aí? – chamou Eduarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, eu não quero ver gente morta! – chorou Marilinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relaxa, Marilinha! Vem Duda, vamos dar uma olhada lá dentro – falou Denis, puxando a amiga pelo braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia sobrado nenhum caco de vidro nas janelas da frente. A porta de entrada de passageiros estava amassada como se tivesse levado um forte soco no centro. O suposto pedaço de um avião acabava ali, logo depois da porta. Betinho e Lipe entraram por trás, mas não viram corpo algum lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Crianças, saiam já daí! Os bombeiros já foram chamados! – gritou um senhor na praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ajudem! Ajudem! A outra parte do objeto caiu ali na rua de trás! – veio gritando uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduarda e Denis saíram correndo em direção a tal rua. Mas a confusão ao redor era tanta, que os dois não conseguiam passar pelo asfalto. Era um mar de curiosos e bombeiros chegando. Optaram por pular os muros das casas vizinhas e cortar caminho por dentro de cada quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastados do objeto pelos bombeiros, Betinho e Lipe puxaram Marilinha pelos braços e seguiram atrás de Eduarda e Denis. Quando os cinco chegaram na outra rua, viram o que parecia ser o final da cauda de um avião. Também não havia ninguém lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas onde será que está o resto? – perguntou Betinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças ficaram paradas olhando a peça, cheias de dúvidas. Na rua próxima a praça, os bombeiros cancelaram as buscas e confirmaram que não havia risco de explosão. Todas as pessoas em volta quiseram, então, olhar de perto o que agitou tanto o dia daquela pacata cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A curiosidade era tanta que, em poucos dias, tanto o suposto bico quanto a suposta calda de avião viraram pontos turísticos de Argina. Guias contavam histórias incrementadas sobre as duas peças, cheias de lendas e personagens. Betinho, Lipe, Eduarda, Marilinha e Denis eram citados nelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos e anos mais tarde, quando os cinco já haviam partido da vida terrena, tornaram-se verdadeiros heróis nas histórias dos novos guias, que recheavam cada vez mais de aventuras os fatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113413375555409784?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113413375555409784/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113413375555409784&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113413375555409784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113413375555409784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/aeronave.html' title='Aeronave'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113353264189120051</id><published>2005-12-02T06:06:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T06:10:41.893-08:00</updated><title type='text'>Doidão</title><content type='html'>Carlão está em um bar, sentado na cadeira velha de madeira, com a cabeça apoiada nos braços cruzados em cima da mesa de madeira. A sua volta, o barman seca a louça com um pano de prato atrás do balcão, dois homens bebem seus copos de pinga sentados nos banquinhos em frente a ele, quatro senhores jogam pôquer a dois metros de distância de Carlão e outros dois ainda mais distantes aplaudem e riem do pianista velho e corcunda que toca o som ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, Carlão levanta e caminha em direção a porta de saída. Imediatamente, os dois homens brincalhões param de rir e saem atrás dele. Lá fora, os três cavalgam pela estrada – Carlão na frente – em direção ao centro da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente à delegacia, os cavalos são presos e os três cavaleiros entram na sala do xerife. Esse último dorme com os pés em cima da mesa e o chapéu cobrindo a face. Carlão e os dois homens vão às celas e as encontram vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlão vira em direção a saída do corredor das celas quando escuta um som conhecido. Imediatamente se lembra da letra da música, que diz algo sobre um gato que pôs um ovo. Ao olhar para as celas novamente, mortos-vivos erguem-se do chão em direção as grades, cantando a música Vampiro Doidão do Raul Seixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlão e os dois homens lutam com espadas contra pelo menos vinte espécies de vampiro-fantasmas. Estes continuam cantando e rindo ao atravessar as espadas e os corpos do três valentões. Quando estão prestes a desistir de lutar com mortos-vivos, um dos homens percebe que eles usam capacetes de vidro. Acerta um dos capacetes e o vampiro-fantasma some no ar, deixando um pequeno rastro de pó no chão. Os humanos, então, conseguem eliminar mais alguns estranhos inimigos.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Carlão está em um bar, sentado na cadeira velha de madeira, com a cabeça apoiada nos braços cruzados em cima da mesa de madeira. A poucos metros da sua mesa, os dois homens brincam novamente com o pianista que toca como som ambiente a música “Vampiro Doidão”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113353264189120051?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113353264189120051/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113353264189120051&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353264189120051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353264189120051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/doido.html' title='Doidão'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113353228852128222</id><published>2005-12-02T06:00:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T06:04:48.526-08:00</updated><title type='text'>Prédio novo</title><content type='html'>Ivan comprou seu novo apartamento quando o projeto ainda estava na planta. O valor total foi financiado pelo banco em duzentos e quarenta meses. Valia o sacrifício: iria se casar com Lílian e formar sua família em uma casa própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, o edifício está quase pronto e Ivan chamou sua amiga Beatriz para conferir o interior do imóvel. Ela será a responsável pelo projeto de decoração do novo lar. Outros dois amigos de Ivan, Felipe e Ludmila, ofereceram-se para ir junto, apenas porque estavam muito curiosos para conhecer o local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um sábado ensolarado e Ivan resolve ir logo cedo ao endereço. Felipe e Ludmila ficam admirados com a claridade e o espaço do apartamento, no décimo primeiro andar. Beatriz anota algumas medidas e discute idéias com Ivan. Quando acaba a visita, todos ajudam a fechar as janelas e, ao saírem, entram em um dos dois elevadores parados no andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a porta se fecha, o elevador despenca. Em pânico, Ivan tenta se apoiar nas paredes. Ludmila fica pálida e treme o corpo todo. Beatriz perde o equilíbrio e cai sentada no chão. Mas, em vez de mostrar medo, ela começa a rir dela mesma e, principalmente, de Ivan e de Ludmila. Felipe a acompanha nas gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus, esse negócio não vai parar! E você, pára de rir, Bia! – grita Ivan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... (risos)... eu não consigo... (risos)... a sua cara... (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pensamento, Ludmila reza: “Ai, meu Deus! Me tira daqui! Faz esse elevador parar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, o elevador dá um tranco violento e pára. Ludmila agradece: “Obrigada, meu Pai!”. Ivan corre desesperado para a porta. Beatriz ainda está sentada no chão, tentando parar de rir. Felipe age com a maior naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, relaxa, pessoal! O elevador só quebrou, não tem nada demais! É tão normal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Normal? Cala a boca, Felipe! Preciso dar um jeito de abrir essa porta! Socorro! – grita Ivan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou tentar o interfone! Alô, quem fala? Lúcia? Lúcia, aqui é Ludmila, eu e meus amigos estamos presos aqui no elevador social. O elevador despencou e agora parou. Precisamos sair daqui depressa! – fala rapidamente Ludmila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa, mas eu não posso ajudar agora. Não posso deixar a sala vazia, podem aparecer clientes. – responde Lúcia, a corretora de imóveis de plantão no prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê? Lúcia, você não entendeu! Nós precisamos de socorro, urgente! O elevador pode cair novamente e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, não há perigo. Vocês nunca ficaram presos em elevador? Daqui a pouco conserta e vocês saem daí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como conserta? Sozinho? Por mágica? O elevador não quebrou simplesmente, ele despencou, Lúcia! Des-pen-cou! Você está entendendo? – Ludmila agora treme de nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinto muito, mas já disse que não posso fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é possível! – Ludmila mostra-se completamente exaltada - Que espécie de serviço vocês querem oferecer aqui se quando o cliente fica preso em um elevador ele não tem atendimento? Pelo amor de Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É só isso, senhorita Ludmila? Eu realmente não posso ajudar nessa questão, preciso voltar ao meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, é só isso! Obrigada por nada! Vocês acabaram de perder uma possível compradora e vários outros comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ludmila desliga o interfone tremendo e lacrimejando de nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fica assim não, Lud! Deixa essa Lúcia pra lá! Tá tudo bem aqui! – Felipe consola Ludmila enquanto a abraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, em que mundo você vive? – diz Ivan, impaciente, e começa a bater na porta do elevador – Ei? Tem alguém aí? Socorro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Raimundo! Seu Raimundo! – Beatriz resolve chamar pelo porteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No térreo, Raimundo está sentado diante de uma mesa de madeira e tenta ajustar a sintonia do seu rádio à pilha. De repente, ouve gritos vindos do corredor dos elevadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao colar o ouvido na porta fechada do elevador social, Raimundo escuta duas vozes conversando lá dentro. O homem está nervoso, reclamando da qualidade do equipamento, enquanto a mulher parece muito tranqüila, rindo de todas as reações tensas do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raimundo aperta o botão para chamar o elevador e ele não acende. Decide, então, perguntar a dupla que está lá dentro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá acontecendo argum pobrema aí? Ei? Argum pobrema? Num pode segurá o elevadô não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Raimundo, finalmente! – comemora Ivan – Nós estamos presos aqui! O elevador caiu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caiu? Caramba! Vô chamá já a ajuda! Pode esperá aí sossegado, seu Ivan! Tenho o telefone na gaveta lá da mesa. Vorto já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, Raimundo! – grita Beatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Raimundo telefona, Ivan anda de um lado para outro dentro do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, hein, Ivan! Que vergonha um futuro pai de família com chilique dentro de um elevador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, Bia, não enche! É um perigo isso aqui! Um elevador novo despencar desse jeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É por essas e outras que eu odeio elevador! – declara Ludmila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não queria que a gente descesse onze andares de escada, né? Fala sério... – comenta Felipe revirando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos não estaríamos nessa situação!&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;- Você devia ter subido de escada também, então!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devia mesmo! Tô acostumada mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, eu sei, eu sei! Vocês acreditam que a Lud sobe quatro andares de escada todo dia lá no escritório? Não usa nunca o elevador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, bastou usar uma vez para aquela porcaria me deixar presa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, Lud, então foi você quem deu azar pra gente! – responde Beatriz, gargalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, Beatriz, qual é o seu problema? Pára de rir! Precisamos dar um jeito de sair daqui! Esses freios não vão agüentar segurar essa caixa aqui por muito tempo... – argumenta Ivan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu bem disse que você estava precisando perder uns quilinhos... – mais risadas de Beatriz, acompanhada por Felipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Ivan! Seu Ivan! – grita Raimundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Finalmente, Raimundo! Já pode nos tirar daqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O sinhô e os seus amigo vão precisá esperá mais uns vinte minutinhu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vinte minutos?! – espanta-se Ivan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É! Isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso é um absurdo! Vou abrir essa porta agora mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num pode, seu Ivan! O sinhô num pode quebrá o elevadô! O prédio é novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Raimundo, o elevador já está quebrado! E eu vou sair daqui agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz continuou rindo do desespero de Ivan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relaxa, amigo! Vinte minutos passam depressa. Senta aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como você pode achar tudo normal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, adianta se desesperar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou abrir essa porta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Ivan, já falei! O sinhô num pode quebrá o elevadô! Num podemo ficá sem elevadô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dê um jeito você então de abrir essa porta, Raimundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não! Deus o livre! Num sô de quebrá coisa dos otro não! A moça disse direitinho: aguarde vinte minuto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que moça? – perguntou Ludmila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A moça que atende o telefone da moça que vende os elevadô. Tenho o cartão da moça que vendeu os elevadô pra firma que feiz o prédio, porque ela esqueceu na sala da dona Lúcia quando veio visitá ela. Elas são amiga e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Raimundo! – interrompe bruscamente Ivan, tentando controlar sua tensão – O que foi que essa moça disse? Melhor: o que você perguntou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, perguntei da moça que vende os elevadô, e ela tava em reunião, aí a moça do telefone falô pra esperá vinte minuto e ligá de novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo amor de Deus, Raimundo! Esse elevador despencou! A empresa que fabrica essa droga só deve ser processada! E a tal moça que vende elevadores não vai poder ajudar em muita coisa! Faz o seguinte: liga para os bombeiros, entendeu? Para os bom-bei-ros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz e Felipe riem das trapalhadas de Raimundo. Ludmila está tão irritada quanto Ivan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas seu Ivan, se o elevadô tá com pobrema, a moça da firma tem que resorvê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chega! Essa porta vai ter que abrir! O pessoal dessa empresa só deve vir amanhã, se vier!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não adianta o Raimundo protestar: Ivan força tanto a porta que a quebra. Em sua frente, uma parede cobre a maior parte da passagem para o térreo, deixando apenas uma pequena abertura na parte de cima. Beatriz levanta imediatamente e faz Ivan a ajudar a sair primeiro. Ludmila vai em seguida e Ivan sai antes de Felipe. Raimundo, em vez de ajudar, fica assistindo a cena, rindo da situação dos quatro jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O sinhô é doido, seu Ivan! E se o elevadô cai bem na hora que o sinhô tá saindo? Corta o sinhô no meio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito engraçado mesmo! Se dependesse de você, não sairia nunca dessa droga! Sai da minha frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos dias, Ivan convoca uma reunião de condomínio com os poucos proprietários dos novos apartamentos. Sua idéia era propor a troca da empresa responsável pelos elevadores e a substituição de Raimundo. Mas ninguém comparece. Como nenhum deles se mudou para o prédio ainda, pensaram que era trote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Ivan fica preso novamente no mesmo elevador por causa de outra falha no sistema, resolve vender o apartamento para Beatriz e comprar algo em um prédio antigo mesmo para sua futura família.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113353228852128222?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113353228852128222/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113353228852128222&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353228852128222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353228852128222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/prdio-novo.html' title='Prédio novo'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113353186368769495</id><published>2005-12-02T05:53:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T05:57:43.690-08:00</updated><title type='text'>Perigo</title><content type='html'>A assassina entrou vagarosamente na casa. Não teve dificuldade nenhuma para abrir o portão da frente e a porta de entrada. Qualquer criminoso sabe abrir fechaduras e cadeados sem precisar arromba-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela observou uma certa desordem na sala. Entre as almofadas largadas no chão, havia alguns álbuns de fotografias. A assassina pegou um dos álbuns e observou a primeira foto. Era o seu alvo, a jovem Alice, diante de uma mesa com bolo e brigadeiros, em sua mais recente festa de aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando o álbum em cima do sofá, a assassina caminhou silenciosamente até a cozinha. Preferiu não acender a luz. A luminosidade da rua entrava pela janela e era suficiente. Ela pegou um dos copos que secavam em cima da pia e abriu a geladeira. Suas atividades na rua a deixavam com muita sede e gostava de beber água sempre bem gelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice abriu uma pequena fresta na porta de seu quarto. Era possível ver, através do corredor, que havia luz acesa na cozinha. Arriscou-se mais. Abrindo a porta, colocou a cabeça para fora do quarto e viu parte das costas de uma mulher e a geladeira aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assassina terminou de tomar seu copo d’água, colocou a garrafa em seu lugar e fechou a geladeira. Alice rapidamente voltou para dentro do quarto e encostou a porta devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o coração disparado e tentando controlar a respiração ofegante, Alice encostou-se na parede e raciocinou sobre a situação. Poucos minutos antes havia escutado o tiro. O barulho veio da casa de seu vizinho, o senhor Nestor, que morava apenas com alguns cachorros e o papagaio. “Pobre senhor Nestor!” – pensou a jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento do tiro, passando o choque inicial, ela se lembrou de que precisava fugir ou se esconder. Quando levantou da cama, ouviu o barulho da fechadura da porta da sala. Alice, então, preferiu ficar escondida no quarto mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cozinha, depois de tomar seu copo d’água, a assassina encontrou um pacote de velas aberto. Pegou um pires no escorredor de pratos e o colocou em cima da mesa. Com seu isqueiro, acendeu a vela. Então, fez o sinal da cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice olhou para a janela de seu quarto. Sua casa era térrea, não haveria problemas se ela pulasse para o quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A veneziana correu muito devagar. Alice suava e prendia o ar, como se esse cuidado ajudasse a não fazer barulho. Inspirou profundamente quando acabou a tarefa de abrir a janela. Sentou-se no parapeito. Passou as duas pernas para o outro lado. Pensou em pular, mas o som do impacto de seus pés sobre o chão despertaria a atenção da mulher. Virou-se de lado e foi jogando o peso do corpo nos braços, até ficar pendurada com as mãos no parapeito. Levemente, escorregou para o chão do quintal. Inspirou novamente. Viu na janela ao lado a pequena claridade com que a chama da vela iluminava a cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assassina apagou o cigarro que estava fumando e seguiu vagarosamente em direção ao corredor de acesso aos quartos. Parou diante da porta do quarto de Alice. Observou que a porta estava apenas encostada e procurou não emitir som algum enquanto a empurrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice andava a passos largos em direção ao muro dos fundos da casa. De repente, ouviu que algo vinha em sua direção rapidamente. Parou por um momento e olhou para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, a assassina abria a porta do quarto. Deparou-se com o ambiente vazio. Sentiu o vento que vinha da janela aberta. Nesse momento, ouviu um latido agudo vindo do quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poodle veio correndo em direção a Alice. Encostada no muro, ela sentia vontade de pega-lo pelo pescoço e força-lo a parar de latir. O pequeno cachorro a alcançou e continuou rosnando enquanto pulava nas pernas dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assassina correu para a janela e viu Alice e o poodle. Alice lembrou-se que havia uma porta na cozinha que também dava acesso ao quintal. Tentou desesperadamente achar um apoio para que pudesse subir no muro e pular, enquanto chutava o cachorro. Ouviu o barulho da chave abrindo a porta da cozinha e começou a gritar por socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calmamente, a assassina veio andando em direção ao seu alvo. Alice não olhava em direção a ela, apenas tentava subir no muro e gritava com o poodle, que agora mordia a ponta da sua calça de pijama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechou os olhos e foi sentindo a mulher se aproximar. A assassina parou atrás de Alice. Essa última cobriu a cabeça com os braços e se curvou levemente. A mão da assassina se aproximou devagar das costas de seu alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alice?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota tremia dos pés à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me mate, por favor! Não me mate!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cachorro havia sentado do lado das duas e observava a cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alice? Alice?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça abriu os olhos. Abaixando os braços, foi olhando em direção a mulher. Empalideceu de susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe! – exclamou Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha, o que está acontecendo com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cachorro latiu. Alice olhou para ele. Era o seu poodle Feroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está acontecendo? Mas eu ouvi um tiro... E alguém entrou aqui... E tinha um cachorro estranho... – Alice pensava em voz alta, confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, você não lembra? Eu avisei que chegaria do trabalho mais tarde hoje. Quem você pensou que era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda um pouco tonta, Alice abraçou a mãe. As duas caminhavam para dentro de casa quando ouviram um barulho de tiro. Alice jogou-se no chão, apavorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Ai, o seu Nestor com esses fogos... Que é isso, Alice? Levanta daí! Você não está bem, minha filha... Venha! Imagina você que vieram todos os fogos com problemas. Ele devia parar de testa-los a essa hora da noite e deixar para reclamar amanhã na loja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113353186368769495?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113353186368769495/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113353186368769495&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353186368769495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353186368769495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/perigo.html' title='Perigo'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113353155471286787</id><published>2005-12-02T05:45:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T05:52:34.713-08:00</updated><title type='text'>Metrô</title><content type='html'>Olho o relógio. Tudo certo. As vinte e duas horas em ponto eu estarei na catraca da estação de metrô Vila Madalena. Gosto dessa minha pontualidade. É desagradável deixar as pessoas esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a viagem na linha verde mesmo, na estação Brigadeiro. A linha verde do metrô em São Paulo liga a estação Paraíso à estação Vila Madalena (passando pela Brigadeiro, Trianon-Masp, Consolação, Clínicas e Sumaré).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dos que entram comigo descem na Trianon-Masp. Por que tantas pessoas pagam metrô para ir da Avenida Brigadeiro até o Masp? Povo sedentário! A caminhada é tão rápida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estação Consolação. Eu estou sentada no meio do vagão e três pessoas que estão a minha frente saltam ali. Olho para trás. Agora não há ninguém no vagão além de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Controlo o meu medo. Nunca estive sozinha em um vagão de metrô ou trem. E confesso que o fato de viajar embaixo da terra me causa certo pânico. Mas que bobagem, não preciso ter medo só porque estou sozinha! Acho que poucas pessoas descem na Vila Madalena nesse horário mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... Pensando bem... É sábado, dia de sair com os amigos, e está cheio de opções de barzinhos naquele bairro. Falando francamente, nunca vi a linha verde tão pouco movimentada. É um sinal de que eu devo descer também? Pelo menos procurar um vagão ocupado? Até as portas estão demorando a fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto, vou em direção a porta. Certo, é tarde demais. O apito toca e as portas se fecham. Volto a sentar no banco. Inspiro profundamente o ar para tentar me acalmar e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus! O trem mudou o sentido! Ai, meu Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto e olho para a porta. Desespero! Ai, meu Deus! Ando de um lado para outro na frente da porta e... Ai, meu Deus! Esse negócio vai estacionar e eu vou ficar presa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem é bem clara na minha mente. O trem vai parar no fim do túnel. As paredes vão impedir minha saída por qualquer uma das janelas. Na minha imaginação, as luzes ainda estão acesas mas... Como vou avisar alguém? Celular pra quê nessas horas, se não funciona embaixo da terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou tendo um ataque de pânico! Ai, meu Deus! Ai, meu Deus! Por que eu não desci com todo mundo? Bato na porta. Como se alguém pudesse me ouvir! A imagem do trem estacionado volta à minha mente. Nela, continuo sozinha, aflita e ninguém vem checar se há alguém preso. Pergunto-me: quanto tempo levará para usarem esse trem novamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado essa imagem, penso na minha família. Meu pai me levou até a Avenida Paulista achando que eu encontraria alguém ali mesmo. Eles ficam muito preocupados com o uso de transporte público à noite, depois das vinte e uma horas, e eu não quis incomodar falando a verdade. Porém, com certeza o meu amigo que me espera na Vila Madalena ficará preocupado e ligará em casa. Eles vão descobrir que eu menti! Ai, meu Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campainha toca. Nunca gostei tanto de ouvir essas palavras: Estação Paraíso. Obrigada, Senhor! O que foi que aconteceu aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço tremendo dos pés a cabeça. Mal consigo olhar para as pessoas. Elas entram naquele trem, que vai seguir de novo o sentido para a Vila Madalena. Jamais entraria ali de novo! Não, nem me arrisco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero o próximo. Continuo tremendo. Minhas pernas mal agüentam o meu corpo. Prometo: dessa vez, se todo mundo descer, eu desço também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem ele. Entro no vagão mais cheio. Minhas mãos seguram firmemente a jaqueta e a bolsa no meu colo. Começa a contagem regressiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brigadeiro, descem algumas pessoas. Trianon-Masp, mais algumas. Consolação. Dessa vez ficam seis pessoas além de mim lá dentro. Mesmo assim, seguro mais forte a jaqueta e a bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa! O trem se move sem mudar o sentido. Clínicas. Três descem. Que demora! Sumaré. O casal lá do fundo desce. Só sobra eu e outro jovem dentro do vagão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas mãos apertam ainda mais a jaqueta e a bolsa. Peço proteção a Deus. Chega logo, Vila Madalena! Chega logo! O rapaz nem me olha. Mas eu tenho receio. Infelizmente, a vida está violenta demais, temos que ficar atentos sempre. E eu não conheço esse cara. Vai que ele levanta e vem me abordar? Essa droga de Vila Madalena não chega logo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campainha. Estação Vila Madalena. Finalmente! São vinte e duas horas e quinze minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair do vagão, vejo na mão do tal rapaz uma bíblia. Como pude desconfiar dele? E por que estou pensando nisso? Inspiro profundamente o ar. Chego a catraca e encontro o meu amigo. Minha expressão ainda é de susto. “O que aconteceu?”, ele pergunta. Conto tudo, porém saindo depressa dali. Chega de metrô por essa noite!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113353155471286787?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113353155471286787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113353155471286787&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353155471286787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353155471286787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/metr.html' title='Metrô'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113353100929057907</id><published>2005-12-02T05:37:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T05:43:29.293-08:00</updated><title type='text'>Mistérios da meia-noite</title><content type='html'>Os pais de Bianca passam todos os finais de semana na praia. Ela aproveita o fato de ficar sozinha no apartamento para reunir os amigos em festinhas ou para assistir a algum filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um sábado. Pouco mais de meia dúzia de amigos chegavam para uma das sessões de filmes. A sala de estar era pequena para o número de convidados, mas todos se acomodavam bem nos sofás, cadeiras e no chão também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando há muitas pessoas falantes reunidas, fica difícil conseguir deixa-las em silêncio. Rapazes e moças falam ao mesmo tempo, contando novidades, fazendo brincadeiras uns com os outros, lembrando coisas engraçadas do último encontro. Finalmente alguém grita "vou colocar o DVD, hein" e todos começam a diminuir o ritmo da conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram quatro filmes naquela noite. Começaram pela comédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luzes apagadas, a história começou. O roteiro era leve e engraçadinho. No entanto, metade da turma estava dispersa ainda e mal conseguia prestar atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acenderam-se as luzes. Era hora de fazer pipoca. O aparelho de microondas facilitou a tarefa. Em poucos minutos, algumas tigelas estavam espalhadas pela sala de estar, acompanhadas de copos com refrigerante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma comédia. Dessa vez todos estavam concentrados e o roteiro era melhor. Garantia de muitas risadas. Era bom relaxar primeiro, para deixar os filmes de suspense para a madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acabou o segundo filme, Ronaldo levantou-se para fazer mais pipocas. Houve protestos quando ele ameaçou acender a luz da sala de estar, então ele se dirigiu ao interruptor da sala de jantar. O lustre pendurado no centro - parecido com aqueles de salões de jogos, sobre mesas de pôquer - iluminou o ambiente e Ronaldo chegou mais fácil a cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pipoca ficou pronta e todos já estavam acomodados à frente da televisão. Ronaldo, carregando seu pote individual de pipocas, desligou o interruptor da sala de jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo segundo, o lustre despencou e espatifou no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O susto foi geral! Teve gente que levantou na mesma hora. Bianca pensou na bronca que levaria de seu pai. Depois correu para ver se o lustre não atingiu a mesa da sala de jantar, que tinha um tampão de vidro. Para seu alívio, ela não foi atingida. Mas havia cacos minúsculos do lustre por todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante, os últimos dois filmes foram deixados de lado. Mesmo varrendo várias vezes a sala, Bianca continuava achando pequenos cacos nos cantos. Uns amigos mais assustados começaram a levantar teses sobre espíritos. Outros faziam piadas. Ronaldo sentia-se culpado, porém todos sabiam que não era culpa dele: ele só havia desligado a lâmpada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, sabendo ou não os motivos para aquele lustre ter caído, os amigos de Bianca resolveram ir embora mais cedo naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi essa a história que Bianca contou a seus pais. Até hoje o pai não acredita nela e a mãe prefere não defender nenhum dos lados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113353100929057907?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113353100929057907/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113353100929057907&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353100929057907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353100929057907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/mistrios-da-meia-noite.html' title='Mistérios da meia-noite'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113353048240813038</id><published>2005-12-02T05:29:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T05:34:42.410-08:00</updated><title type='text'>O show</title><content type='html'>Era noite de quinta-feira. O ônibus estava cheio, mas eu estava sentada. O som do rádio do motorista atraía toda a minha concentração. Eu ia ao show do Paul McCartney no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, e a emissora parecia transmitir ao vivo o evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Let it be&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Yellow Submarine&lt;/em&gt;... Será que o Paul McCartney canta músicas dos Beatles em seu show? Não sei. Não sei nem por que estava com tanta vontade de ir àquele show. Com o som do rádio, eu já me sentia no Estádio. Visualizava Paul cantando aquelas músicas no palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trânsito na avenida. Ninguém conseguia andar em meio aquela multidão de carros e pessoas. Os passageiros desceram ali mesmo, no meio da rua, antes de chegar ao ponto de ônibus. Eu continuei sentada, olhando o grupo caminhar em direção ao Pacaembu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos passaram e, finalmente, o ônibus voltou a andar. Eu, ainda envolvida pelo som, olhava as coisas acontecerem sem raciocinar sobre elas. Na minha cabeça, apenas algumas perguntas: "Será que é o show ao vivo mesmo no rádio? E eu estou aqui nesse ônibus ainda?". Olhei as ruas pela janela. Não consegui reconhecer nenhuma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, começou a tocar &lt;em&gt;That thing you do&lt;/em&gt;. Obedeci a minha vontade de cantar em voz alta, e não mais em pensamento. Aquela canção me tirou do transe e pensei: "Isso é do filme &lt;em&gt;The Wonders&lt;/em&gt;, e não dos Beatles! O show não deve ter começado ainda! Mas por que não desci como todo mundo no Pacaembu? O cobrador nem me avisou!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei a corda e saí, completamente perdida. Não reconheci nada naquele bairro escuro. Não havia ninguém para pedir informações. Que desespero! Que horas era o show? Daria tempo de chegar? Eu estava com o ingresso na bolsa, porém nem pensei em olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui em frente. Cheguei a uma rua mais ampla e bem iluminada. Algumas pessoas vinham em direção contrária, no entanto eu não tinha coragem de pedir informações - maldita timidez! Quando olhei para o meu corpo, percebi outro problema: eu estava de pijamas! Que vergonha senti! Eu precisava de ajuda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, à direita, avistei um condomínio de casas de paredes brancas e telhados verdes. A primeira casa era a portaria e parecia mais uma recepção de clube de campo. Lá dentro havia um senhor usando o telefone, pois sua residência não tinha um. Eu o observava escondida atrás da porta de entrada, torcendo para que ninguém me visse de pijamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei em volta. Aquele lugar lembrava um hotel fazenda também. Parecia que eu tinha saído da capital. Ninguém estranharia me ver de pijamas em um hotel fazenda, mas, ao olhar de novo para o senhor, encontrei seu olhar e senti vergonha novamente. Então, voltei para a realidade e para a caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava vagarosamente até que, de repente, senti certeza sobre qual direção deveria pegar e cheguei à casa de uma amiga. Subindo as escadas do sobrado, o ambiente estava tão claro, que parecia ter amanhecido do lado de fora. Outro amigo nosso estava morando com minha amiga e havia algumas visitas na casa. Todos estavam muito entretidos com a televisão, então não repararam nos meus trajes. Ainda bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei uma roupa emprestada com minha amiga e me troquei rapidinho. Ao chegar na sala, minha vó estava esperando para me acompanhar até a porta. O que minha vó estava fazendo ali? Não tinha tempo para perguntar. Saí em uma rua completamente diferente da qual estava quando cheguei. E era noite novamente do lado de fora da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem tempo para pensar no sentido desses acontecimentos desconexos, apenas me alegrei ao ver que aquela avenida eu conhecia. Agora bastava esperar o ônibus. A poucos metros, um relógio marcava vinte e uma horas. Será que o show começaria às vinte e duas? Ou começou às vinte horas e eu chegaria no final? Às vinte não era o jogo do Campeonato Paulista? Senti desespero e ansiedade novamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram tantas as dúvidas, que nem lembro mais o que aconteceu depois. Só sei que acordei às quatro horas da madrugada na minha cama e ainda faltavam três horas para eu levantar e ir trabalhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113353048240813038?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113353048240813038/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113353048240813038&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353048240813038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353048240813038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/o-show.html' title='O show'/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19386520.post-113353015554712743</id><published>2005-12-02T05:20:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T05:29:15.553-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Olá, leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicarei neste blog um conto por semana. A atualização ocorrerá sempre às sextas. Espero receber comentários de vocês. Podem falar bem, podem falar mal, avaliem, critiquem, pois os comentários recebidos podem ajudar a melhorar os próximos textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19386520-113353015554712743?l=alexandracontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandracontos.blogspot.com/feeds/113353015554712743/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19386520&amp;postID=113353015554712743&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353015554712743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19386520/posts/default/113353015554712743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandracontos.blogspot.com/2005/12/ol-leitores.html' title=''/><author><name>Alexandra Bailon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12177288252280181197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
